Há festivais que se medem pelo número de pessoas. Outros, pelo ambiente que conseguem criar. O Um Metaleiro Também Chora continua a provar que não precisa de ser o maior para deixar marca. Entre reencontros, boa disposição e muitas horas de música, viveu-se mais uma edição onde a paixão pelo metal falou mais alto.

O calor foi, sem dúvida, um dos protagonistas das primeiras horas. Com temperaturas bem acima do desejável, muitos optaram por permanecer à sombra antes de se aventurarem para a frente do palco. Mas, à medida que o sol dava tréguas, também o recinto ganhava vida, transformando-se na festa que todos esperavam.


Ashes Reborn

A responsabilidade de abrir um festival nunca é fácil, e os Ashes Reborn tiveram ainda de enfrentar um calor quase sufocante. Por volta das 18 horas, eram poucos os que arriscavam abandonar a sombra para ocupar as primeiras filas, deixando o início do concerto com um ambiente mais contido.

Isso, no entanto, não abalou a banda. Desde os primeiros temas mostraram vontade de conquistar quem estava presente e, pouco a pouco, foram conseguindo esse objetivo. Música após música, começaram a surgir cada vez mais pessoas junto ao palco, sinal de que o festival começava finalmente a ganhar ritmo.

Foi uma abertura sólida e competente, capaz de despertar o público e de lançar as bases para tudo o que viria a seguir.


Black Hill Cove

Ainda debaixo de um calor impiedoso, chegou a vez dos Black Hill Cove. O recinto continuava longe da sua lotação máxima, mas quem já se encontrava na frente do palco fez questão de mostrar que estava pronto para aproveitar cada minuto.

A banda trouxe consigo a energia necessária para acordar definitivamente o festival. Saltos, headbangs e o primeiro circle pit do dia mostraram que o ambiente começava finalmente a aquecer – desta vez, não por culpa do sol.

Foi um concerto que ajudou a quebrar a timidez das primeiras horas e que fez crescer a ligação entre palco e público.


Chaosaddiction

Com o calor finalmente a começar a dar tréguas, os Chaosaddiction encontraram um cenário bem diferente. O recinto já estava bastante mais composto e o público mostrava-se muito mais disponível para responder ao que acontecia em palco.

A entrega da banda foi constante e a resposta não demorou a surgir. Moshes, headbangs e muita interação fizeram deste um dos concertos mais intensos da tarde, com uma troca de energia evidente entre músicos e público.

A partir daqui sentia-se que o festival tinha engrenado definitivamente. A adrenalina estava instalada e dificilmente alguém conseguia ficar indiferente.


Dallian

Depois de tanta intensidade, os Dallian trouxeram uma abordagem diferente. O concerto ofereceu um momento mais atmosférico e melódico, funcionando como uma pausa para respirar sem nunca perder impacto.

Foi uma atuação que mostrou outra faceta do cartaz, provando que um festival também vive dos contrastes. O ambiente tornou-se mais envolvente e emocional, prendendo a atenção de quem assistia.

Nem sempre é preciso acelerar para marcar presença, e os Dallian demonstraram isso ao longo de toda a atuação.


TVMVLO

Se alguém pensava que a tranquilidade ia durar muito, os TVMVLO trataram rapidamente de desfazer essa ideia. Entraram em palco com uma descarga de intensidade que voltou a agitar o recinto desde os primeiros minutos.

O público respondeu à altura, regressando os moshes, os headbangs e a energia que já caracterizava o final da tarde. A ligação entre banda e audiência foi constante e tornou este num dos concertos mais físicos da noite.

O volume elevado acabou por reforçar a sensação de impacto que a banda procurava transmitir, criando uma verdadeira parede de som que envolveu todo o recinto.


ANEUMA

Os ANEUMA subiram ao palco determinados a deixar a sua marca e conseguiram-no através de uma atuação carregada de atitude. Os vocais assumiram naturalmente o protagonismo, acompanhados por uma presença em palco segura e cheia de confiança.

A componente performativa trouxe também um lado mais sensual ao espetáculo, sem nunca perder a intensidade que caracteriza a banda. Foi uma atuação envolvente, onde a expressão em palco teve tanto peso como a música.

Mais uma vez, o público respondeu de forma positiva, mantendo a energia bem viva para o derradeiro concerto da noite.


Firemage

A tarefa de encerrar o festival coube aos Firemage, que transformaram completamente o ambiente do recinto. O palco encheu-se de músicos trajados a rigor, criando desde logo uma imagem que remetia para tempos antigos.

A fusão entre folk e metal trouxe uma energia diferente, mais festiva e contagiante. Entre melodias tradicionais e momentos mais pesados, o público respondeu com dança, palmas e muitos sorrisos, vivendo uma verdadeira celebração.

Foi um final perfeito para um dia cheio de música, deixando a sensação de que ninguém queria que aquela noite terminasse.


Quando o cartaz principal chegou ao fim, ainda havia espaço para mais música. Chaotic Therapy encerrou oficialmente a noite, mantendo vivo o espírito do festival para quem ainda tinha energia para ficar.

É verdade que, a essa hora, já não eram muitos os que permaneciam no recinto. O cansaço de um dia inteiro de concertos fazia-se sentir, mas isso não impediu que os presentes aproveitassem os últimos momentos do festival. Entre conversas, brindes e recordações dos concertos acabados de viver, a música continuou a fazer-se ouvir.

Foi um encerramento descontraído e muito à imagem do Um Metaleiro Também Chora. Mais do que um festival de metal, voltou a ser um espaço de convívio, amizade e paixão pela música pesada.

Mais uma edição terminou, mas ficou a certeza de que este festival continua a crescer sem perder a sua identidade. Entre o calor abrasador do início da tarde, os moshes que foram surgindo ao longo do dia e a festa que marcou o encerramento, o Um Metaleiro Também Chora voltou a mostrar porque é um evento tão especial para quem faz dele uma paragem obrigatória todos os anos.

 

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