O terceiro dia começou por volta de meio-dia no Infield, que nos recebeu ao som de “Refuse/Resist”, do Sepultura. Neste dia não estávamos, a princípio, debaixo de um sol escaldante, e sim de um céu nublado com nuvens mais carregadas e um tempo um pouco mais fresco que no dia anterior.

A previsão era de chuva, mas, ao decorrer do dia, ela não fez nenhum estrago, abrindo espaço no final da tarde para um sol maravilhoso, que entregava mais beleza do que castigo.

O dia prometia, com atrações gigantes como Gutalax, Black Label Society, Saxon, In Flames, os headliners Judas Priest, além do último show na Alemanha do Sepultura, nos palcos principais. Ao contrário dos dias anteriores, sendo o primeiro mais voltado a temas mais modernos, e o segundo para os fãs da música dos anos 80, este trazia uma boa mescla de gerações e vertentes, atendendo bem a vários gostos.

Continue lendo para saber tudo o que rolou!

GUTALAX – Faster Stage

Gutalax @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Nossa primeira parada neste dia foi no Faster Stage, logo que o Infield foi aberto. A primeira banda do dia no palco era a irreverente e polêmica Gutalax, com seu autodenominado Gore ‘n’ Roll. Em um início de tarde ainda nublado, e antes mesmo de começar, várias pessoas já chegavam com seus macacões brancos ou rosas, chapéus engraçados, boias em formatos duvidosos, e também segurando seu armamento pesado: escovas de vaso e papéis higiênicos brancos ou coloridos.

A bizarra e absurdamente divertida apresentação dos checos iniciou às 12h30, quando ouvimos no som mecânico “Ghostbusters”, música clássica e superdivertida de Ray Parker Jr., ao que o público já começou a cantar os refrões e dançar. Eis que cada membro vai aparecendo no palco, com suas roupas características: macacões brancos descartáveis de proteção química estilo hazmat, máscaras e óculos protetores.

Cumprimentaram o público de forma divertida, e todos, claro, caíram aos berros, até que “Assmeralda” dá o pontapé inicial ao caos do aglomerado que se formou no gramado, com dezenas de botes e jacarés infláveis fazendo crowdsurfing com fãs fantasiados. Essa bagunça divertida continuou com “Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky”, “Poopcorn” e “Buttman”. Martin “Maty” Matoušek é um contraste: enquanto nas músicas vem com seus pig squeals, faz dancinhas engraçadas já características, e quando fala é simpatia pura, chegando a agradecer por estar ali, visivelmente feliz e repetindo o quanto significava estar em um palco no Wacken. E cara, eu te entendo. Estar no Wacken, em qualquer posição, é mesmo inacreditável para quem está ali pela primeira vez.

Depois de uma pausa maior para conversas, corta para o som mecânico com “Celebration”, de Kool & the Gang, fazendo todos rirem e entrarem na brincadeira dançando, até soltar “We Are What We Shit”. E assim seguiu o show, entre cada hit como “Diarrhero” e “Shitbusters”, com o público se entregando cada vez mais e se divertindo. Não tinha como ficar parado. É um show pra realmente se entregar ao caos e se divertir, e cumpriu muito bem esse papel, deixando no final o gramado cheio de papéis avisando que sim, o Gutalax passou por ali e fez sucesso!

Setlist: 1. Assmeralda | 2. Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky | 3. Poopcorn | 4. Buttman | 5. We Are What We Shit | 6. Diarrhero | 7. (Unknown) (“Meshuggah song with black metal intro”; very short) | 8. Vaginapocalypse | 9. Fart and Furious | 10. Total Rectal | 11. Shitbusters | 12. Strejda Donald

BLACK LABEL SOCIETY – Faster Stage

Black Label Society @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Black Label Society @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Após as coletivas, fomos ao Faster Stage prestigiar nada menos que o mestre Zakk “fucking” Wylde, com o Black Label Society, um dos maiores bastiões do Heavy, Groove e Southern Rock mundial.

Esse era definitivamente um dos momentos aguardados do dia, porque, devido ao histórico, sabíamos que teríamos fortes emoções por ali ligadas também ao nosso grandioso Ozzy Osbourne. Fácil saber que teria choro desta querida (eu mesma, a redatora), considerando que no meu Top 5 de bandas, BLS está lá (ao lado do Black Sabbath/Ozzy, por óbvio). Papo para outro dia…

Com um grande público a postos e muito ansioso, ouvimos no som mecânico o tradicional e exclusivo mashup de “Whole Lotta Love” (Led Zeppelin) com “War Pigs” (Black Sabbath), provocando um coro. Zakk apareceu mascarado no canto esquerdo do palco, atrás da cortina preta, com um celular na mão para nos animar ainda mais e filmar.

A cortina cai, mostrando o fundo do palco decorado em laranja com a temática do último lançamento, o álbum Engines Of Demolition (2026). Os membros vão entrando, e Zakk chega por último, com seu figurino básico, imponente como sempre, com um punho para o alto, e se posiciona para o início daquele riff arrastado e inconfundível de “Funeral Bell”, do The Blessed Hellride (2003), com todos aos berros e balançando suas cabeças.

O repertório foi pensado para celebrar o lançamento do novo disco, equilibrando a nova era da banda com seus maiores hits. O setlist seguiu então com a nova faixa “Name in Blood”, a mesma que abre o novo trabalho. Depois, “Destroy & Conquer”, do Doom Crew Inc. (2021), abrindo moshs em alguns pontos, seguindo de duas faixas arrastadas e pesadas: “A Love Unreal”, do Grimmest Hits (2018), fechando esse bloco com “Heart of Darkness”, do Catacombs of the Black Vatican (2014).

Zakk comandou o show com sua costumeira vitalidade brutal, além de seu show de virtuosismo. Durante os longos solos de guitarra, fez todo aquele show que amamos: tocou com o instrumento atrás da cabeça, usou os dentes nas cordas, e balançava sua cabeça de um lado para o outro em cima do seu pedestal de caveiras. Juro que não dá pra enjoar disso! Mas a banda não fica para trás: todos em perfeita harmonia, com seus instrumentos tocados de forma impecável.

Surge então o snippet da versão de “No More Tears”, o clássico de Ozzy do qual Zakk foi coautor, tocado como uma ponte rápida, para seguir com duas faixas densas: a mais melódica “The Blessed Hellride”, e “Set You Free”, com o duelo de guitarras dobradas perfeitamente alinhadas de Zakk e Dario Lorina.

Na reta final, emoção pura passando pelo clássico Mafia (2005), com 2 hits que não poderiam faltar: a absurda e amada “Fire It Up”, e a icônica “Suicide Messiah”. Mas foi no fechamento que a coisa pegou fogo e a emoção transbordou: “Stillborn”, com os telões de LED trazendo fotos de Osbourne. É claro que essa homenagem existiria, mas não tem como se preparar para sentir. Zakk nunca escondeu que considera Ozzy Osbourne seu mentor, irmão mais velho e o grande responsável por sua carreira mundial.

E foi assim a despedida. Zakk apontou para o céu e agradeceu ao “Boss”, ressaltando a imortalidade do legado do Madman, e para nós restava encher o recinto de aplausos, gritos e lágrimas. Que momento!

Setlist: 1. Funeral Bell | 2. Name in Blood | 3. Destroy & Conquer | 4. A Love Unreal | 5. Heart of Darkness | 6. No More Tears (Ozzy Osbourne cover) | 7. The Blessed Hellride | 8. Set You Free | 9. Fire It Up | 10. Suicide Messiah | 11. Stillborn

PALEFACE SWISS – Louder Stage

Paleface Swiss @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Paleface Swiss @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Em um dos palcos mais radicais do festival, o Paleface Swiss se apresentou diante de uma multidão disposta a dar tudo de si. Desde o primeiro instante, a banda suíça assumiu o controle absoluto do público com uma explosão de violência sonora que transformou o local em um verdadeiro caos.

A visibilidade era praticamente nula. A poeira levantada por um imenso mosh pit cobria o ambiente, enquanto a intensidade não diminuía nem por um segundo. A energia permaneceu no máximo durante toda a apresentação, demonstrando por que o grupo é uma das referências atuais do deathcore.

O setlist foi direto e contundente. Faixas como “I Am a Cursed One”, “Hatred” e “Best Before: Death” marcaram o início das hostilidades. Ritmo atrás de ritmo, a banda provocou uma autêntica catarse coletiva, liberando toda a adrenalina do público por meio de sua proposta musical brutal.

O mosh pit foi, sem dúvida, um dos grandes protagonistas. Dezenas de participantes se lançavam em crowd surfing constantemente, mantendo os seguranças ocupados durante boa parte do show, enquanto a intensidade em frente ao palco não dava trégua.

A apresentação chegou ao fim com “Please End Me”, desencadeando a última explosão de energia entre os presentes. Entre palavras de agradecimento e mensagens de motivação para o público, o Paleface Swiss encerrou um show arrasador, deixando claro por que sua participação no festival será uma das mais lembradas.

PIG DESTROYER – Headbangers Stage

Pig Destroyer @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Pig Destroyer @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Ao chegarmos ao palco, nos deparamos com um mosh intenso: a galera girava sem parar, levantando poeira enquanto o Pig Destroyer fazia o que sabe fazer de melhor: assumir o controle absoluto com uma mistura brutal de grindcore e metal extremo.

O público do Headbangers pouco podia fazer diante da ferocidade de uma banda que não deu trégua em nenhum momento. Uma apresentação imprópria para os fracos, onde a velocidade, a agressividade e a potência sonora transformaram o palco em um verdadeiro campo de batalha.

À base de riffs devastadores e com um solo de bateria que levou a intensidade ao limite, o inferno se abateu sobre Wacken. Sem uma grande produção e com apenas uma lona como pano de fundo, a banda demonstrou que não precisa de grandes artifícios para provocar uma verdadeira carnificina.

O Pig Destroyer virou o palco de cabeça para baixo e deixou o público completamente satisfeito, exausto e coberto de poeira. Uma descarga brutal, direta e sem concessões.

SAXON – Harder Stage

Saxon @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Saxon @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Agora, em um início de noite, o céu se abria em um azul limpo, deixando um visual lindo no Harder Stage para assistirmos à lenda do New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM): Saxon!

Diferente de muitos de seus contemporâneos, o Saxon nunca parou de lançar álbuns de alta qualidade. Eles consolidaram essa ótima fase com o elogiado disco Hell, Fire and Damnation (2024), e as turnês comemorativas mundiais se estenderam até este ano, e finalmente até este palco.

Com uma hora e quinze minutos de show, o Saxon montou um setlist cirúrgico e riquíssimo para os amantes de longa data. Abriram com a força do trabalho recente e depois engataram em sequências baseadas em seus clássicos absolutos oitentistas.

Assim, abrindo o setlist com riffs pesados e urgentes, mostrando a força atual do grupo, “Hell, Fire and Damnation” dá o mote, com todos os membros aparecendo naquele palco lindo, com um telão de LED passando várias cenas, em uma produção muito bonita. O público estava animado, e muita gente mais velha se reunia na frente usando seus battle vests. Essa relação entre banda e fãs é realmente de se orgulhar. Estávamos realmente felizes em conjunto!

Fun fact: passei quase 2 meses bastante ansiosa para vê-los de perto de novo, agora na Terra Santa do Wacken. Estive em uma cobertura na Espanha, e especificamente no dia em que eles subiram ao palco, fui acometida por um mal horrível, o que me impossibilitou de prestigiar a banda da forma que mereciam e que eu tanto sonhei. Os vi de muito longe, e mesmo assim, ainda mal. Mas me foi dada uma nova oportunidade, a qual eu não desperdiçaria nem um segundo sequer, e de perto! (Obrigada por isso, Wacken!)

Sob o comando do querido e carismático vocalista Biff Byford, no auge de seus 75 anos e ostentando uma vitalidade invejável, com a entrada do guitarrista Brian Tatler ao lado de Doug Scarratt, além da energia cortante de Nibbs Carter no baixo e a bateria estrondosa de Nigel Glockler, o grupo mantém um ritmo realmente invejável e impressionante.

A partir daqui, viria uma enxurrada de grandes clássicos dos anos 80 e início dos anos 90, começando com “Power and the Glory”, com uma das linhas mais empolgantes da carreira, seguida do groove de “Solid Ball of Rock”, depois “Motorcycle Man”, trazendo de vez aquela pegada veloz oitentista tão característica, fazendo a primeira passagem pelo aclamado Wheels of Steel (1980).

À medida que o set avançava, o show ia escalando mais e mais. Foi a vez de uma sequência maravilhosa e pesada do clássico Strong Arm of the Law (1980), com as faixas “Heavy Metal Thunder”, “Dallas 1 PM” e a própria “Strong Arm of the Law”, fazendo rolar todas as cabeças.

A sequência de 2 faixas do querido Denim and Leather (1981), “And the Bands Played On” e a própria “Denim and Leather”, trouxe um manifesto: Biff rege o público e exalta a cultura do metal tradicional por usarmos nossos battle vests, e é aqui que muitos, muitos, MAS MUITOS coletes mesmo foram lançados ao palco, tanto que Biff já não contava mais. E aqui ele escolhe um, cheio de patches do Saxon, e veste. Todos os membros com suas roupas de batalha, representando toda a nossa cultura e história. No final desta, Biff mal conseguia carregar tantos coletes para devolvê-los ao público.

E assim seguíamos para a reta final do show, passando por “747 (Strangers in the Night)”, cantada em coro; “Wheels of Steel”, com Biff estendendo a música para dividir o público em lados, competindo para ver quem gritava o refrão mais alto; “Crusader”, faixa-título do álbum de 1984, trazendo toda a sua elegância; fechando de forma triunfal com o grande hit “Princess of the Night”. Todos ficaram felizes, e eu, sem sombra de dúvidas, tirei o atraso e finalmente pude aproveitar como se deve um show dessas lendas!

Setlist: 1. Hell, Fire and Damnation | 2. Power and the Glory | 3. Solid Ball of Rock | 4. Motorcycle Man | 5. Heavy Metal Thunder | 6. Dallas 1 PM | 7. Strong Arm of the Law | 8. And the Bands Played On | 9. Denim and Leather | 10. 747 (Strangers in the Night) | 11. Wheels of Steel | 12. Crusader | 13. Princess of the Night

ELÄKELÄISET – Wackinger Stage

Eläkeläiset @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Eläkeläiset @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Enquanto a maior parte do público curtia as bandas de alto nível que se apresentavam nos palcos principais, na vila viking vivia-se uma experiência completamente diferente. Lá, a banda Eläkeläiset subiu ao palco para transformar acordes e melodias em uma verdadeira festa, com acordeões, teclados e músicas em alemão que fizeram todo o público local dançar.

Um dos ambientes mais familiares do Wacken estava justamente ali. Famílias inteiras, com várias gerações reunidas, desfrutavam de uma tarde agradável entre pulos, danças, brinquedos infláveis e bolhas que flutuavam por todo o local. Essas bolhas parecem estar cada vez mais presentes nos festivais, lembrando-nos até mesmo do grande Ozzy Osbourne, que incorporou as famosas bolhas “malvadas” em alguns de seus shows.

No palco, cinco músicos com um estilo particular, requinte e elegância interpretaram suas canções em alemão, oferecendo uma pausa necessária diante da intensidade e do barulho dos palcos de metal.

Com a ajuda de um teclado e, é claro, do inseparável acordeão, cada música ganhava um ar ainda mais festivo. Foi uma das apresentações com maior clima familiar desta edição, um cantinho onde o metal era vivido de uma maneira diferente: entre risadas, dança e convívio.

Porque, se você vier de um lugar distante, a vila viking pode se tornar um dos melhores lugares para vivenciar o Wacken sob outra perspectiva: compartilhando uma tarde com os moradores locais e vivendo o festival como uma verdadeira celebração.

IN FLAMES – Faster Stage

In Flames @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
In Flames @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Depois de uma leva de apresentações mais voltadas a sonoridades tradicionais nos palcos principais, era o momento de quebra, com a apresentação dos suecos In Flames no Faster Stage, um dos maiores pioneiros e arquitetos do Death Metal Melódico, que influenciou a cena do Metalcore no mundo.

Fazendo jus ao nome da banda, o palco foi tomado por labaredas de fogo sincronizadas com os breakdowns das guitarras, iluminando o céu da noite alemã. E esse foi um dos maiores marcos de audiência e peso deste dia, arrastando uma multidão que transformou o lugar em um mar de chamas, crowdsurfings e circle pits.

O longo repertório de 18 músicas foi desenhado para agradar tanto os fãs puristas da era dos anos 90 e início dos 2000, quanto os fãs da fase moderna e alternativa do grupo, abrindo o setlist com “Colony”, faixa-título do álbum de 1999, trazendo um pouco da velha guarda, e todos já começaram a pular e comemorar.

“Deliver Us”, do Sounds of a Playground Fading (2011), veio na sequência fazendo a transição para o som alternativo, com um coro nos refrões, depois “In The Dark”, do Foregone (2023), avançando para uma fase já bem mais moderna, e “Voices”, do I, the Mask (2019). O setlist funcionava assim, como uma montanha-russa, e o público, de forma massiva, respondia bem e emocionado, cantando muito e se jogando para aquele momento. No mar de cabeças, o que mais se via eram corpos indo ao pit com certa velocidade.

“Paralyzed”, do Siren Charms (2014), trouxe aquelas batidas mais modernas, fazendo todos saltarem. “The Quiet Place” é como um hino geracional, com aquela introdução icônica, fazendo todos gritarem. Então voltamos para a mais recente “Meet Your Maker”.

O setlist ia evoluindo e destilando vários hits de diferentes fases, e tudo era um ponto alto, além de Anders Fridén parar por algumas vezes para falar. Ele estava de fato entregue ao público e ao momento, demonstrando empolgação.

Mas os clássicos realmente fazem toda a diferença. Pulando mais à frente, para “Artifacts of the Black Rain”, do The Jester Race (1996), fez abrir mosh pits ainda mais caóticos, passando por “Trigger” e “Only for the Weak”, quando Anders comandou todas as pessoas pulando juntas em sincronia.

Já na reta final, “I Am Above” veio feroz, com uma atuação vocal visceral de Anders, cuspindo ódio e superação sob rajadas massivas de fogo. Até finalizar com “Take This Life”, do Come Clarity (2006), trazendo aquele riff mais violento e frenético, fechando a noite no topo com explosões de pirotecnia e o público exausto, mas feliz!

Setlist: 1. Colony | 2. Deliver Us | 3. In The Dark | 4. Voices | 5. Paralyzed | 6. The Quiet Place | 7. Meet Your Maker | 8. The Chosen Pessimist | 9. Cloud Connected | 10. Artifacts of the Black Rain | 11. Trigger | 12. Only for the Weak | 13. Foregone Pt. 2 | 14. State of Slow Decay | 15. Alias | 16. The Mirror’s Truth | 17. I Am Above | 18. Take This Life

EMPEROR – Louder Stage

Emperor @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Emperor @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

A noite caiu sobre Wacken e, com ela, o palco mais extremo do festival foi envolto pela penumbra. Os fãs mais fiéis do black metal começaram a ocupar seus lugares para assistir à apresentação do Emperor, uma das bandas mais influentes e históricas do black metal norueguês.

Embora a apresentação tenha começado alguns minutos depois do previsto, a espera valeu a pena. “Into the Infinity of Thoughts”, “In the Wordless Chamber” e “With Strength I Burn” marcaram o início de um ritual sonoro em um palco dominado por luzes azuis, uma densa cortina de fumaça e uma atmosfera tão sombria quanto cativante.

A explosão de black metal não deu trégua. Minuto após minuto, os riffs, os teclados e a intensidade da banda envolveram o público em uma viagem abismal. O repertório também incluiu verdadeiras joias como “An Elegy of Icaros” e “Inno a Satana”, hinos que não apenas definiram o som do Emperor, mas também influenciaram gerações de bandas que buscaram fundir a agressividade do black metal com a majestade dos arranjos sinfônicos.

Com um set de cerca de dez músicas, o Emperor construiu uma autêntica catedral de escuridão no palco. Sem longos discursos nem interrupções, Ihsahn e companhia deixaram que a música falasse por si mesma, demonstrando que, décadas após sua formação, continuam sendo uma das maiores referências e a pedra angular do black metal sinfônico.

JUDAS PRIEST – Harder Stage

Judas Piest @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Judas Piest @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Por volta das 21h30, era o momento mais aguardado do festival. No Harder Stage, pisaria uma das bandas mais importantes, influentes e definitivas da história do Heavy Metal. Nada menos que a máquina majestosa Judas Priest, liderada pelo Metal God, Rob Halford!

O gramado estava completamente tomado, todos ansiosos para prestigiar aquele momento, em um pôr do sol quase no fim, que deixava tudo ainda mais bonito. Foi então que ouvimos a intro de “Faithkeepers”, e os gritos já começaram, chamando os integrantes para o palco. Sem delongas, a divertida “You’ve Got Another Thing Comin'”, do icônico Screaming for Vengeance (1982), deu início àquela aula de puro heavy metal que assistimos dali para frente.

O repertório foi cirurgicamente montado. Quebrando a estrutura tradicional de deixar os maiores hits comerciais para o final, a abertura do show veio com uma trinca de hinos de rádio, para depois desfilar clássicos profundos de sua discografia e faixas modernas, seguindo então com os hinos de identidade do clássico British Steel (1980), com “Metal Gods” e “Breaking the Law”. E o público já estava rendido, domado, e agora só restavam as cabeças rolando, os crowdsurfers batendo os pés em nossas cabeças e os moshs concentrados em alguns pontos do gramado.

Halford estava, como sempre, imponente e pura simpatia, andando de um lado a outro do palco, uma lenda viva superando os 74 anos de idade. Ele ainda, ano após ano, continua chocando com sua potência vocal inabalável, alcançando agudos que desafiam o tempo. O grupo vive uma fase de ouro criativa espantosa, impulsionada pelo elogiado e pesado álbum Invincible Shield (2024). A atual formação conta com o veterano Ian Hill no baixo, Scott Travis na bateria, Richie Faulkner na guitarra e o produtor/guitarrista Andy Sneap, que substitui magistralmente Glenn Tipton nos palcos.

Nos últimos anos, assisti à banda boas vezes, e com certeza é dos meus shows favoritos. Não importa quando, onde e como… o que esses caras fazem no palco é coisa de outro mundo, e nunca, NUNCA se enjoa. O palco estava surpreendente, lindo, colorido, com telão de LED que passava cenas incríveis. A emoção de todos era realmente palpável.

Fomos então levados aos anos 70, com “The Ripper”, do Sad Wings of Destiny (1976), seguida de “The Sentinel”, do Defenders of the Faith (1984), depois “Desert Plains”, do Point of Entry (1981). Uma enxurrada de clássicos, e saltamos um pouco mais à frente para uma força mais recente do álbum Firepower (2018), com a faixa “Lightning Strike”. E assim íamos atravessando diferentes fases da banda com muito entusiasmo.

“Turbo Lover”, do álbum Turbo (1986), veio com aquele coro lindo no refrão, como o clássico feito para cantar e dançar que é. “Steeler” veio para resgatar um lado B mais agressivo. Levando para a mais moderna “Panic Attack”, depois a longa obra-prima “Victim of Changes”, trazendo os melhores solos e momentos de entrega de Faulkner. Assim íamos chegando ao fim do primeiro bloco, com “Halls of Valhalla”, em uma passagem breve pelo Redeemer of Souls (2014), finalizando na devastadora e inconfundível “Painkiller”, com o solo de bateria mais famoso do metal!

Todos saíram do palco após a brutalidade e os agudos destruidores do hino anterior, sem despedidas. Sabíamos que não ia acabar, e queríamos mais. Então, após a gravação de The Hellion soar nos PAs, a banda retorna despejando o riff clássico de “Electric Eye”, e todos foram à loucura. Mas aguardávamos agora aquele momento icônico em que Halford invade o palco com sua moto em “Hell Bent for Leather”, do Killing Machine (1978). Cara, isso realmente nunca vai cansar. Uma tradição ÉPICA!

O grande final veio então com “Living After Midnight”, aquele hino de festa que amamos, atemporal, fechando o show em um clima de celebração absoluta, fogos de artifício e o público extasiado. LENDAS!

Setlist: 1. You’ve Got Another Thing Comin’ | 2. Metal Gods | 3. Breaking the Law | 4. The Ripper | 5. The Sentinel | 6. Desert Plains | 7. Lightning Strike | 8. Turbo Lover | 9. Steeler | 10. Panic Attack | 11. Victim of Changes | 12. Halls of Valhalla | 13. Painkiller | ENCORE – 14. Electric Eye | 15. Hell Bent for Leather | 16. Living After Midnight

RUNNING WILD – Faster Stage

Running Wild @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Running Wild @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Já passava das 23h, e o público já esperava ansioso no Faster Stage (alguns até saíram da área do Harder antes do show anterior finalizar), para pegar bons lugares e assistir aos alemães Running Wild, uma das bandas mais importantes, influentes e tradicionais do Power Metal e Heavy Metal Clássico alemão, pioneiros do Pirate Metal.

Era inexplicável a emoção sentida e compartilhada ali. Sinceramente, eu nunca pensei que de fato assistiria algum dia Rock ‘n’ Rolf e banda ao vivo. Era impossível, tanto no Brasil, meu país natal, quanto em Portugal, onde vivo atualmente. E acredito que muitos compartilhavam do mesmo sentimento: de que viveria algo realmente único e poderoso, visto que à grade se agarravam meus conterrâneos, além de pessoas bem mais velhas que aguardavam o dia todo por aquele momento em específico.

Então, finalmente a cortina cai, a intro começa, e somos levados para o convés de um navio pirata, contando com mastros virtuais nos telões de LED, caveiras e uma quantidade absurda de pirotecnia que simulava disparos de canhões reais a cada quebra de riff (que inclusive assustava às vezes, nos pegando de surpresa. Hahaha).

O setlist iniciou com nada menos que “Bad to the Bone”, do Death or Glory (1989), com uma precisão incrível, em alta voltagem, com o riff mais cativante e famoso da banda, causando coros nos refrões, e seguiu mesclando grandes canções de estrada.

Rolf estava visivelmente entusiasmado e em excelente forma vocal, e interagia muito com o público, quase em todo intervalo entre músicas, além de conduzir a plateia com empenho. O palco lindo, tudo maravilhoso, além do que se podia imaginar. Foi então que “Genghis Khan”, do Gates to Purgatory (1984), é anunciada por ele para grande surpresa, pois a última vez em que esta foi tocada ao vivo havia sido em 2015.

“Men In Black”, do Masquerade (1995), apareceu, fazendo o público se mexer cada vez mais. Àquela altura, esta redatora estava como?! Sim, aos prantos na grade! Então continuamos com o hino “Riding the Storm”, com aquela velocidade do power e introdução tão marcante e elogiada na carreira de Rolf, passando por “Dead Man’s Road”, do Rogues en Vogue (2005), e depois mais uma grande surpresa com “Sinister Eyes”, do Pile of Skulls (1992), executada ao vivo pela primeira vez desde 1996.

Antes de seguir o setlist, foi tempo de um super drum solo de Michael Wolpers, que colocou o recinto abaixo com velocidade e brutalidade total. Então continuamos assim, cantando e curtindo cada segundo daquilo com “Little Big Horn”, do Blazon Stone (1991), “Branded and Exiled”, faixa-título clássica do álbum de 1985, “Rapid Foray”, indo mais à frente no tempo para o álbum de mesmo título de 2016, entrando na fase final com o clássico “Soulless”, do Black Hand Inn (1994), e o hino máximo dos piratas, “Under Jolly Roger”, faixa-título do álbum de 1987, que de fato introduziu a temática pirata da banda.

Saíram então do palco, se despedindo. Rolf estava empolgado com as interações e ovações para voltar, e assim obedecemos, porque queríamos mais e mais. Foi então que veio o primeiro de 3 encores, pois ele queria testar nossos corações mesmo. Hahaha.

O primeiro encore veio com a surpresa de “Stick to Your Guns”, do álbum Rapid Foray (2016), sendo tocada pela primeira vez desde 2018. Rolf faz a mesma dinâmica de sair e se despedir, mas volta pedindo mais gritos e entusiasmo, e sempre devolvemos, mesmo com a madrugada caindo. Então a banda volta com o segundo encore, com a querida “Raise Your Fist”, em um hino de união. Até que, na última repetição da dinâmica de despedida, temos o terceiro encore com um clássico definitivo: “Conquistadores”, diretamente do álbum Port Royal (1988), fechando a noite em êxtase total!

Nos despedimos todos, banda e público, em perfeita união, deste que é, sim, o último show do Running Wild. Para quem ainda não os viu, esta é uma despedida, infelizmente. Mas para quem esperou por anos e anos, nós agarramos isso com unhas e dentes. Histórico, e lindo!

Setlist: 1. Bad to the Bone | 2. Genghis Khan (primeira vez desde 2015) | 3. Men In Black | 4. Riding the Storm | 5. Dead Man’s Road | 6. Sinister Eyes (primeira vez desde 1996) | 7. Drum Solo | 8. Little Big Horn | 9. Branded and Exiled | 10. Rapid Foray | 11. Soulless | 12. Under Jolly Roger | ENCORE 1 – 13. Stick to Your Guns (primeira vez desde 2018) | ENCORE 2 – 14. Raise Your Fist | ENCORE 3 – 15. Conquistadores

SEPULTURA – Harder Stage

Sepultura @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 - @photohorus & @culturaempeso
Sepultura @ Wacken Open Air 2026 | Day 3 – @photohorus & @culturaempeso

Virando a madrugada, nossa última parada foi no Harder Stage, para prestigiar os gigantes Sepultura em uma apresentação histórica, que faz parte da monumental turnê de despedida global “Celebrating Life Through Death”, que coloca um ponto final em mais de 40 anos de carreira da maior banda de metal da América Latina.

Formado em 1984, em Belo Horizonte, por Max e Iggor Cavalera, o Sepultura revolucionou o metal mundial ao fundir o peso do Thrash/Death Metal com a percussão e a identidade da música tribal brasileira. Hoje, depois de muitas águas passadas, o Sepultura se reinventou ao longo dos anos, mantendo o legado e renovando sua importância por onde passa. Após a saída de Max, em 1996, o vocalista norte-americano Derrick Green assumiu a linha de frente de forma magistral, mantendo a banda criativa por mais três décadas ao lado do virtuoso guitarrista Andreas Kisser e do baixista Paulo Xisto. A turnê de 2026 marcou o adeus definitivo dos palcos, com o jovem fenômeno da bateria Greyson Nekrutman destruindo tudo nos bumbos.

O público estava em peso à frente do palco. Todos queriam assistir aos gigantes, cientes de estarem testemunhando a última execução daquelas músicas em solo europeu. No som mecânico ouvimos “War Pigs”, do Black Sabbath, com todos cantando junto na plateia, e depois “Polícia”, cover da banda brasileira Titãs, momento em que pude reconhecer os brasileiros presentes, pois estávamos nos divertindo com a letra e dançando. Então, sem delongas, o setlist arranca com “Inner Self”, em uma abertura destruidora, onde automaticamente o caos e as cabeças rolando começaram a dominar sem cerimônias. Ninguém realmente se importava com o cansaço da madrugada.

O repertório do show de despedida foi desenhado para trazer os principais hinos intocáveis da era clássica e os sucessos modernos mais fortes dos últimos álbuns da banda. Seguimos então com “All Souls Rising”, em um ataque moderno, depois “Desperate Cry”, como um clássico obrigatório, mas “Kairos” e “Means to an End” são verdadeiras joias da fase atual da banda e fazem todos saírem do chão.

Derrick entregava uma das performances mais brutais e viscerais de sua vida, enquanto Andreas comandava a massa com seus riffs afiados e discursos de agradecimento.

“Attitude” marcou a icônica introdução no berimbau se unindo ao groove; a instrumental “The Place” fez a imersão total; “Kaiowas” trouxe uma jam especial, interinamente de forma acústica; “Dead Embryonic Cells” retirou o tom acústico para um ataque de puro thrash da fase antiga; e “Beyond the Dream” passou pela fase mais recente.

O final ficou reservado para faixas importantes do passado, apresentando “Territory”, “Refuse/Resist”, “Arise”, “Ratamahatta” emendada com um drum solo absurdo de Greyson, encerrando com o maior clássico da história da banda, a incontestável “Roots Bloody Roots”, e todos pularam, fechando com chave de ouro entre mosh pits, crowdsurfings e tudo o que se há direito. Um show gigante que ficou para a história!

Setlist: 1. Inner Self | 2. All Souls Rising | 3. Desperate Cry | 4. Kairos | 5. Means to an End | 6. Attitude | 7. The Place | 8. Kaiowas (featuring special guests percussion jam) | 9. Dead Embryonic Cells | 10. Beyond the Dream | 11. Territory | 12. Refuse/Resist | 13. Arise | 14. Ratamahatta + Drum Solo | 15. Roots Bloody Roots

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