O Warm-Up do Evil Live Festival 2026 aconteceu no último sábado, 04 de julho, na Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa, e serviu como uma abertura oficial de luxo para a edição principal do festival.

O evento reuniu três grandes nomes de diferentes vertentes do metal: os portugueses Okkultist, representando o Blackened Death Metal nacional; as lendas Cavalera, celebrando na íntegra o clássico Chaos A.D. (1993), eternizado pelos Sepultura; e os headliners Trivium, trazendo toda a força do seu metal moderno, tão querido pelo público português.

Continue lendo para conferir tudo o que aconteceu nessa grande celebração ao metal!

OKKULTIST

Okkultist @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso
Okkultist @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso

Pontualmente às 19h30, teve início oficialmente o Warm-Up. Os responsáveis por aquecer os motores foram os portugueses Okkultist, levando seu Blackened Death Metal para uma Sala Tejo que já contava com um excelente público, pronto para o caos.

A banda vem conquistando cada vez mais projeção desde que se tornou o primeiro nome contratado pela Alma Mater Records, editora fundada por Fernando Ribeiro, vocalista da icônica Moonspell. Desde então, o grupo tem conquistado importantes palcos internacionais, consolidando-se como uma das grandes forças exportadoras do metal extremo português da atualidade.

O set começou com “Death To Your Breed”, seguida de “Meet Me In Hell”, a banda rapidamente colocou a sala em movimento. Já “Teeth Of The Hydra”, single mais recente lançado em parceria com o próprio Fernando Ribeiro, apareceu logo depois, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.

O som da sala apresentou pequenas limitações, mas nada que comprometesse a performance da banda, que conduziu bem o público, que respondia com entusiasmo, cantando, fazendo headbanging e entrando rapidamente no clima do festival.

A apresentação também trouxe uma novidade: um novo elemento na formação (ainda não oficializado), o guitarrista Jorge Ferreira, que assumiu a guitarra no lugar de Leander Sandmeier.

Beatriz Mariano mostrou, mais uma vez, porque é uma das grandes frontwomen da cena extrema portuguesa. No palco, é uma verdadeira feiticeira, conduzindo a apresentação com presença e interagindo o tempo todo com o público. É até bonitinho vê-la interromper a brutalidade por alguns instantes para conversar com os fãs e fazer corações com as mãos, criando um contraste muito bonito entre seus fry screams devastadores e a delicadeza com que demonstra carinho entre as músicas. É realmente uma querida.

Em meio a muito mosh pit, crowdsurfing e rodas de headbanging, músicas como “Electric Haze” e “Crimson Ecstasy” conduziram a reta final até “Sign Of The Reaper”, encerrando a apresentação com um bom circle pit. Foi uma excelente abertura para acelerar nossos ânimos!

CAVALERA

Cavalera @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso
Cavalera @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso

Na sequência, era a vez dos ferozes Cavalera. Sem dúvida, um dos grandes destaques históricos da noite ficou por conta dos irmãos Max e Iggor Cavalera, que trouxeram a Lisboa a execução de Chaos A.D. (1993), um dos álbuns mais influentes e celebrados da história dos Sepultura. Os fãs já estavam eufóricos desde o momento em que o enorme backdrop com a icônica capa do disco foi revelado, acompanhado de um ornamento pendurado ao centro, reproduzindo a figura presente na arte original. Ficava evidente que não seria apenas um concerto nostálgico, mas uma produção pensada nos mínimos detalhes para homenagear esse clássico absoluto.

Os irmãos entraram em palco de forma gradual. Iggor surgiu primeiro, arrancando uma enorme ovação. Quando Max apareceu acompanhado do restante da banda, a Sala Tejo simplesmente explodiu. Naquele instante, todos sabiam que o caos estava prestes a começar, e ninguém poderia estar mais preparado para isso.

Abrindo as hostilidades com “Refuse/Resist”, o grupo desencadeou imediatamente uma avalanche de circle pits, headbangings e todos cantando cada verso. Slave New World” veio logo na sequência, elevando ainda mais a destruição. Era impossível permanecer parado ou não se emocionar diante de um álbum tão marcante sendo executado daquela forma. Max continua sendo uma verdadeira força da natureza no palco: seus vocais seguem brutais, sua presença permanece gigantesca e sua simpatia ao conduzir o público foi um espetáculo à parte. Já Iggor mostrou que sua bateria ainda soa tão pesada e tribal quanto há décadas. Para completar o simbolismo da noite, Igor Cavalera, filho de Max, assumia o baixo com enorme personalidade. Isso é o que podemos chamar de legado!

Quando Max soltou “em nome de Deus…”, bastou uma fração de segundo para toda a sala responder em uníssono com Amen”. Na sequência veio a grande Propaganda”, uma composição cuja crítica permanece atual. Se nos anos 90 a música denunciava a manipulação da informação pelos meios tradicionais, hoje ela dialoga perfeitamente com a realidade das redes sociais e da era digital. O caos continuou crescendo durante Nomad”, Manifest” e The Hunt (cover do New Model Army)”, enquanto os crowdsurfers cruzavam sem parar por nossas cabeças.

Em um dos momentos mais especiais da apresentação, Max convidou todos a transformarem a Sala Tejo em uma selva e pediu que as lanternas dos celulares fossem erguidas para Kaiowas”. O clima se tornou mais introspectivo e de se arrepiar, evocando as raízes brasileiras da banda, antes da brutalidade retornar com toda a força em Clenched Fist”.

Mais à frente, a banda deixou o palco para retornar em um primeiro encore absolutamente explosivo com a queria Territory”, seguida do clássico incontestável Troops of Doom”, nos levando à completa loucura. Mas ainda havia espaço para mais. Após nova saída, Max voltou provocando o público e lançou o desafio: “abram a parede do caos!”. O resultado foi o maior wall of death da noite durante Chaos B.C.”, encerrando uma apresentação brutal, emocionante e de pura nostalgia.

Os irmãos Cavalera provaram mais uma vez por que continuam sendo uma das maiores referências do metal mundial. THIS IS CAVALERA!

SETLIST COMPLETO: 1. Refuse/Resist | 2. Slave New World | 3. Amen | 4. Propaganda | 5. Nomad | 6. Manifest | 7. The Hunt (New Model Army cover) | 8. Kaiowas | 9. Clenched Fist | 10. We Who Are Not as Others | 11. Biotech Is Godzilla | 12. Polícia (Titãs cover) | Encore 1 – 13. Territory | 14. Troops of Doom | 15. Symptom of the Universe (Black Sabbath cover) | Encore 2 – 16. Chaos B.C.

TRIVIUM

Trivium @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso
Trivium @ MEO Arena Lisboa | Photos: @hasphotography.pt & @culturaempeso

Infelizmente, percebeu-se uma Sala Tejo já não tão cheia quanto nas apresentações anteriores, mas com um público visivelmente mais jovem aguardando a entrada dos headliners da noite: Trivium. A missão agora era levar seu metal moderno para a malta que ainda tinha energia de sobra para fechar a noite em grande estilo.

Às 22h10, começou a tocar no som mecânico “Coração Não Tem Idade (Vou Beijar)”, de Toy. A escolha arrancou risadas e fez a plateia entrar completamente na brincadeira, cantando o refrão e dançando antes mesmo da banda subir ao palco.

Após a introdução de The End of Everything”, os norte-americanos liderados por Matt Heafy entraram em cena ao som de Pull Harder on the Strings of Your Martyr”. Bastaram os primeiros riffs e a bateria marcante para incendiar imediatamente a Sala Tejo, literalmente acompanhados pelas labaredas da pirotecnia na frente do palco. Os fãs explodiram em comemoração, com pulos, gritos e muita energia.

A produção do concerto era impecável. Os Trivium vieram equipados com uma estrutura digna, utilizando efeitos visuais, pirotecnia, confetes, jatos de fumaça, e uma iluminação bem sincronizada. A sala estava fervendo. MESMO!

O grupo entregou uma apresentação cheia de consistência técnica, forte interação com o público e constante euforia. Poucas bandas conseguem equilibrar com tanta naturalidade uma técnica refinada, agressividade, e melodias tão marcantes. O repertório percorreu praticamente toda a carreira da banda, trazendo um alinhamento que agradou tanto aos fãs antigos quanto aos mais recentes.

Na sequência vieram Strife”, com toda a plateia cantando o refrão como um verdadeiro hino, seguida de A Gunshot to the Head of Trepidation” e do enorme sucesso The Sin and the Sentence”, mantendo a intensidade sempre em alta.

Na metade do espetáculo, Down From the Sky”, Until the World Goes Cold”, Like Light To The Flies e Dying in Your Arms” desfilaram uma após a outra enquanto o público permanecia completamente rendido. Os refrões eram cantados a plenos pulmões, os moshs seguiam concentrados mais ao fundo da pista e os crowdsurfers passavam por cima praticamente sem interrupção.

Matt é mesmo um excelente frontman. Sempre muito simpático, conduziu o público durante toda a apresentação com enorme bom humor, fez breves pausas para conversar com os fãs e ainda arriscou algumas palavras em português. Aproveitou também para reforçar o carinho que sente por Portugal, por Lisboa, pela cultura, pela comida e, principalmente, pelo público português. Toda a banda demonstrava satisfação em estar ali, completamente entrosada e segura. Não há muito o que dizer: são realmente impecáveis ao vivo!

“Silence in the Snow” proporcionou um dos momentos mais emocionantes da noite, com a plateia cantando em uníssono. Logo depois, Matt pediu que todos abrissem um wall of death para Throes of Perdition”, promovendo um retorno ao passado com a faixa mais antiga do repertório daquela noite, lançada em 2008 no álbum Shogun. A reação dos fãs mais antigos foi realmente satisfatória.

Já na reta final do concerto vieram Catastrophist” e The Heart From Your Hate”. Mas o público queria mais. Após uma rápida saída do palco, a banda retornou para aquele que já se tornou o encerramento clássico dos seus concertos: In Waves”. Mesmo sendo esperado, o momento continua funcionando perfeitamente. Toda a Sala Tejo cantou o famoso refrão, aproveitando cada último segundo da apresentação.

Ao final, os integrantes permaneceram calmamente à frente do palco, contemplando o público, acenando e agradecendo pela recepção calorosa antes de se despedirem sob uma enorme ovação.

Foi um excelente encerramento para a noite, mostrando essa relação tão especial com os fãs portugueses!

SETLIST COMPLETO: 1. Pull Harder on the Strings of Your Martyr | 2. Strife | 3. A Gunshot to the Head of Trepidation | 4. The Sin and the Sentence | 5. Down From the Sky | 6. Until the World Goes Cold | 7. Like Light To The Flies | 8. Dying in Your Arms | 9. Silence in the Snow | 10. Throes of Perdition | 11. Catastrophist | 12. The Heart From Your Hate | Encore: 13. In Waves

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