O hardcore surgiu no final da década de 1970, recebendo influência musical e ideológica de movimentos que ocorreram nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Antes de continuar, vale a pena fazer um parêntesis para esclarecer que, em suas origens, o movimento skinhead não estava relacionado ao fascismo e, na verdade, foi fundado em parte por imigrantes jamaicanos na Inglaterra. Dito isso, os skinheads eram membros da classe trabalhadora e inicialmente ouviam combinações de R&B e música jamaicana (ska, por exemplo). Isso ocorreu na década de 1960. No início da década de 1970, sem ainda ter um nome ou um estilo definido, nasceu o punk; eles eram simplesmente músicos gerando músicas diferentes, divertidas e sem restrições técnicas. Logo, o punk gerou uma ideologia contrária ao modo de vida da elite social (incluindo, obviamente, estética e música). Na segunda metade da década de 70, o movimento skinhead se consolidou nos Estados Unidos, época em que seus membros já diversificavam a música que ouviam.
Neste país, o skinhead acabou sendo visto como uma variante do punk.
Rapidamente, tanto variantes sonoras quanto ideológicas foram criadas dentro do punk e do skinhead. Além disso, no final dos anos 70, outros gêneros musicais, como o new wave, começaram a ganhar popularidade e atrair alguns dos adeptos do punk. Uma dessas variantes foi o hardcore (nome completo hardcore punk, também chamado de hXc) que resgata a essência ideológica do punk, focando em um som duro, rápido e agressivo, em oposição ao emergente pós–punk e new wave. Isso ocorreu inicialmente no estado da Califórnia em 1979-1980. Vale ressaltar que nesses anos o metal já existia, porém, mesmo quando as bandas mais pesadas do momento começaram a incluir o obscurantismo (como o Venom), em termos de som, o hardcore era mais rápido e agressivo. Curiosamente, apesar de o hXc ter nascido diretamente do punk, em sua maior parte, ele não preservou a estética. Nesse sentido, influenciado pelo skinhead, o hardcore adota uma imagem mais cotidiana, mais próxima da classe trabalhadora do que de um cânone estético.

Punk e metal eram cenas muito diferentes, mas era inevitável que se influenciassem musicalmente. Por exemplo, o Discharge foi uma banda fundamental no hardcore, mas sua influência no thrash, particularmente na bateria e nas letras, é notável. Da mesma forma, D.R.I. e Suicidal Tendencies começaram como bandas de hardcore, depois migraram para o crossover/thrashcore, preenchendo a lacuna entre as duas. A influência entre as duas continuou e foi mútua, levando ao metalcore e outros gêneros que mesclam explicitamente os dois lados.

Hoje, o hardcore é muito diverso, mas, em geral, preserva sua ideologia, que inclui dar tudo de si no palco, criar moshpits intensos (que, aliás, começaram no hardcore), dar voz ao underground, não depender de tecnicalidades, ser contra a indústria musical mainstream e, acima de tudo, promover a ética do “faça você mesmo” (do it yourself), que consiste em fazer, modificar ou consertar algo você mesmo, sem a necessidade de pagar alguém para fazê-lo. Essa ideia era praticada desde o início do século passado por razões práticas, mas o punk a adotou com o significado adicional do valor de fazer algo você mesmo e não pagar o custo adicional do prestígio ou do status quo.


O hardcore está presente no México basicamente desde o seu início. Na coletiva de imprensa do festival OFF LIMITS 2025 (no último dia 20 de agosto), as perguntas da imprensa aos integrantes das bandas presentes (Con Saña, Nocaut e Mess) levaram a falar um pouco sobre a cena hXc, mencionando que sua ideologia tem se fortalecido ultimamente, principalmente porque também tem acontecido nos Estados Unidos. E foi mencionado que algo de grande importância, e que nem sempre fazemos, é apoiar a cena local.

Alguém perguntou o que fazer em relação à atitude atual das autoridades em relação a eventos de música alternativa. Uma das respostas foi que ainda não está claro o que está acontecendo, mas parece haver um pensamento retrógrado e um estigma em relação às contraculturas. No entanto, foi dada ênfase ao apoio mútuo entre todos os membros do underground, ou seja, independentemente do gênero que você ouve ou da subcultura à qual você pertence. Eles também enfatizaram que precisamos parar de fomentar conflitos de superioridade entre os membros, por exemplo, que um gênero é melhor ou outro é para posers; já que atualmente nenhuma dessas discussões faz sentido. Além disso, em alguns casos, essas discussões terminaram em confronto, e tudo o que fizeram foi enfraquecer a cena underground.
Weekend Nachos, banda estadounidense que se apresentará no OFFLIMITS 2025.
Em resposta, um membro da imprensa perguntou que conselho os fãs hardcore poderiam dar para evitar conflitos entre gêneros, ou mesmo dentro de um gênero. A resposta foi buscar a fraternidade, mencionando que no hardcore, desde suas origens, as letras falam de identidade, comunidade e lealdade, o que gerou fraternidade entre as bandas, ao contrário de gêneros em que as letras falam de rivalidade. Em geral, é preciso deixar a rivalidade de lado e apoiar uns aos outros.
Poison the Preacher, banda colombiana que se zpresentará no OFF LIMITS 2025.
O OFF LIMITS deste ano terá como foco o hardcore, mas também contará com bandas de outros gêneros para enriquecer a atmosfera. Certamente haverá moshpits brutais e a irmandade do gênero. Então, se você quiser sentir a intensidade de bandas de diferentes países que mantêm essa cena viva, este DIY Open Air é uma ótima oportunidade. Os ingressos estarão com os preços da Fase 2 até 30 de setembro: https://www.passline.com/eventos/offlimits2025
Pulley banda estadounidense que se zpresentará no OFFLIMITS 2025

