A banda portuguesa de Melodic Death Metal Godark lançou no passado dia 5 de novembro de 2025 o seu segundo álbum de estúdio, Omniscience. Uma obra há muito aguardada pelos fãs do género, dentro e fora de Portugal, que chegou envolta em elevadas expectativas, e ainda assim conseguiu surpreender.

Com Omniscience, os Godark dão um passo firme na sua evolução. Se em Forward We March (2020) se percebia uma banda cheia de energia, com riffs sólidos e um bom caminho em construção, neste novo trabalho revela-se uma maturidade muito mais apurada tanto a nível sonoro como conceptual e emocional. O disco de estreia privilegiava o peso e o melódico tradicional, com estruturas diretas e refrões marcantes. Já em Omniscience, a banda encontra um ponto de equilíbrio mais profundo entre agressividade e contemplação, fundindo riffs demolidores com momentos melódicos e atmosferas que respiram com naturalidade.
A abertura do álbum afirma presença! Com This Is The End estamos perante uma dualidade entre brutalidade e melodia que marca todo o álbum. A faixa arranca com um coro feminino angelical, mas logo de seguida a voz gutural surge com força. A bateria, firme e pulsante, sustém a faixa com firmeza, enquanto os solos têm um carácter igualmente épico e sombrio. A melodia do refrão, penetra-se imediatamente nos nossos cérebros afirmando mais uma vez este grupo como um verdadeiro criador de melodias, algo que já tinha ficado claro no álbum de estreia. Este tema prepara-nos para o que vem a seguir: um fim aparente que, na verdade, é o começo.
Com Looking for a New Meaning, a banda mergulha mais fundo na melodia. Logo nos primeiros segundos, as linhas de teclado evocam subtilmente o universo de Amorphis, acrescentando uma nova dimensão ao Melodic Death característico dos Godark. O riff principal revela uma clara orientação melódica, com um picking limpo que antecede o peso esmagador, enquanto o baixo ganha protagonismo, enriquecendo a textura rítmica. Essa busca por equilíbrio entre delicadeza e agressão conduz naturalmente a Into the Hollow, o terceiro tema do álbum, onde a sensação de vazio e introspeção se intensifica. A jornada rítmica desta faixa é uma autêntica montanha-russa, repleta de variações e nuances que mantêm o ouvinte em constante tensão. Entre tantos elementos dignos de destaque, sobressaem dois momentos marcantes: um dos riffs mais poderosos de todo o álbum e os spoken words finais, que encerram a música de forma grandiosa e intensa. É, sem dúvida, uma das composições que mais merece ser revisitada. Há um percurso melódico e instrumental rico, cheio de subtilezas que só se revelam verdadeiramente com escuta atenta.
Frozen in Time traz uma melodia arrepiante e um equilíbrio perfeito entre peso e emoção. Mais uma vez, Godark mostram-se mestres na criação de melodias. Com riffs densos e uma secção rítmica sólida que dão corpo a uma atmosfera melancólica. Aqui, somos novamente surpreendidos por spoken words, coros e uma dinâmica vocal incrível, acentuando a tensão e a profundidade do tema.
O quinto tema do álbum já era bem conhecido pelos fãs, pois já havia sido lançado com videoclip, e serviu como ponte entre o álbum e o público que já conhece a banda. Leaving Out apresenta uma estrutura ambiciosa, e antecipou que Godark estavam prestes a dar um grande salto, salto esse que foi agora confirmado, aquando do lançamento do álbum.


