“Vozes irritadas” …

A banda Affront nasceu do quase falecimento de um grande nome sul americano, o Unearthly.

Eregion teve um grave problema de saúde e a banda entrou em hiato, logo então Marcelo Mictian e Rassan decidem montar outro projeto para seguirem destilando ódio em cima dos palcos.

Com uma onda de ansiedade e curiosidade o Underground nacional esperou por este disco, já que se tratava de ex integrantes do Unearthly, e por que também o estilo mudava radicalmente, o black metal não é mais a voz regente.

Os caminhos poderiam ser apenas dois, um boom mediático já esperado ou o fracasso, já que todas as atenções estavam esperando pelo resultado final de seu debut, e é disso que vamos falar agora.

Angry voices:

Thrash/Death trabalhado, violento e rápido, sem misericórdia a ouvidos desavisados, e os pescoços animados que se danem, o peso não vai abaixar o tom.

Ainda é possível sentir influências leves de um black metal enraizado por mais de 20 anos, mas nada que tire a essência desta nova proposta.

Nada parecido com nada, tudo muito original, tudo muito bem trabalhado, o Affront veio para se tornar um nome forte na cena, aproveitou o avião de já começar em evidência e não decepcionou.

 

Seu debut inicia com “Scum of the world” muita agressividade, com passagens rápidas e muito bem ritimadas, seguida por “Angry Voices” regida por uma bateria que intercambia entre peso velocidade blast beats e cadência, mesclando elementos que tornam a música de brutal a agradável em segundos.

Affront tem um peso diferente, mesmo sendo veloz, você se sente em um campo minado, com boas passagens da bateria e solos vorazes de guitarra.

“Conflicts” bem cadenciada e estruturada tem uma cozinha muito unida, com melodias suaves que quebram a velocidade imposta em seu início, tem uma letra atrativa, que fala exatamente sobre a podridão humana que devasta o mundo, seus atos que não merecem perdão a suas próprias almas.

 “Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)”, traz um conforto para a mente, descanso para os pescoços, são dois minutos de “yoga” em meio ao chãos.

Em português,  iniciando com um pandeiro, “Mestre do Barro” é uma homenagem ao artesão nordestino Vitalino Pereira dos Santos, também conhecido como Mestre Vitalino o qual possui obras expostas no Louvre, em Paris, dentre outros museus no Brasil e mundo afora).

A melhor faixa do cd, não apenas por homenagear um nome ilustre da arte brasileira, mas por tudo que envolve, suas mesclas entre death metal, thrash e os elementos regionais muitíssimos bem encaixados mesclados à agressividade e ao peso do metal.

“Religions Cancer” mais veloz, com a mesma agressividade de outras canções,  tem o baixo mais vivo e presente no encorpamento da música, excelente.

“Under Siege” tem uma introdução maravilhosa de guitarra, e uma pegada excelente entre pratos e pedais.

“Carved in Stone” se diferencia do restante do cd, e mostra porque este álbum é único, tendo uma vasta gama de peculiaridades hora Death, hora thrash. Esta canção é mais “calma”, sem perder peso, com melodias bem trabalhadas e arrastadas.

 “WarTime Conspiracy”, um  retorno a boa agressividade, com bons riffs de guitarra, com vocais rasgados cheios de exclamações, solos variados e rápidos trazem um pouco de distorções e ainda podemos contar com um trecho repleto de melancolia.

 “Echoes of the Insanity”  para finalizar … “flamenco” encerra o disco.

O bônus tracker traz Marcelo Pompeu (Korzus) , em uma versão de “Under Siege” que trouxe outras pitadas a canção.

 

Gravado no Musicalico Studio.

Produção de Rassan e Mictian, e com mixagem e masterização realizados por Daniel Escobar

A arte da capa de Marcelo Vasco, com concepção e layout feitos por Mictian.

Nota 8.0