Lembro-me da primeira vez que ouvi “Hunting High and Low”. Foi como abrir uma porta para outro universo, onde melodia e velocidade se fundiam em um único relâmpago. Essa música tem tudo: ritmo, energia, estrutura clássica… mas com um brilho que só o Stratovarius consegue evocar. É power metal em sua forma mais pura, o tipo de música que te faz sentir como se o céu estivesse se partindo em dois quando o solo de guitarra começa, que te obriga a levantar o punho e gritar o refrão mesmo sem ter voz.

O contexto era tudo. Era a década de 2000, a época em que eu estava terminando o ensino médio. Meu gosto musical já estava forjado pelas bandas do passado: Black Sabbath, Judas Priest e toda aquela geração de ouro da New Wave of British Heavy Metal. Em casa, nunca faltou música: as fitas cassete do Iron Maiden que meu irmão mais velho ouvia, os discos de vinil tocando “Children of the Grave”, do Black Sabbath, ou as músicas mais emocionantes do Creedence e do Queen que minha mãe tocava.

Eu já gostava de música, claro, mas minha atração não era apenas a ouvir: eu queria tocá-la. No entanto, meu caminho não começou diretamente com o metal. Entrei para um coral, sim, um coral que tocava música clássica — na minha pequena cidade: Zitácuaro, Michoacán. Foi lá que conheci uns caras vestidos de preto, com camisetas de bandas e uma atitude agressiva. Eles gostavam de metal, e eu me senti imediatamente atraído por eles — por aquela energia diferente, aquele ar de fraternidade.

Logo me juntei ao grupo deles: cerca de 30 pessoas que se reuniam no centro da cidade para compartilhar tempo, histórias e, acima de tudo, música. Foi um dos meus melhores momentos.

Em meio a conversas, risadas e discos emprestados, recebi meu primeiro álbum do Stratovarius: Infinite.

Em Infinite, essa sensação de imensidão se torna quase espiritual. Há algo na maneira como a harmonia se estende, se eleva e parece infinita. É por isso que é uma das minhas favoritas: porque mais do que uma música, é uma jornada. Uma montanha-russa de emoções onde o épico e a melancolia andam de mãos dadas.

Eu sabia que havia algo especial naquela banda. Logo descobri o que era: a tríade mágica de Timo Tolkki, Jens Johansson e Timo Kotipelto.

A guitarra, com um nível técnico incomparável; os teclados, pura imaginação e inspiração; e a voz única de Kotipelto, que me encantou inúmeras vezes. E como não poderia deixar de me encantar, vindos da Finlândia, aquele país que já havia presenteado o mundo com tantas preciosidades sonoras que me fascinavam completamente?

Mas, ao acompanhar a discografia deles, comecei a notar seu declínio. Elements era um álbum sem rumo, e quando o autointitulado Stratovarius foi lançado, senti que era uma última tentativa de salvar algo que já estava se esvaindo. Aqueles vislumbres de otimismo, esperança e sentimento em suas letras pareciam desaparecer, e as baladas carregadas de emoção estavam deixando para trás a assinatura sonora que as distinguia, afundando em uma espécie de limbo.

Sabíamos das divagações de Tolkki, de sua saída da banda e da difícil reconstrução que se seguiu, mas não antes de quase condenar a banda ao esquecimento.

O Stratovarius, para todos nós que amamos power metal, foi um ponto de virada. Eles surgiram como aquela banda capaz de nos fazer sentir que ainda havia um vislumbre de esperança, algo bom no mundo. Músicas como Eagleheart, Hunting High and Low, Black Diamond, Paradise e Destiny são hinos que definiram uma era e, embora hoje pareçam parte de um passado glorioso, seu eco continua vivo.

Mesmo assim, o Stratovarius continua sendo uma lenda do metal finlandês. Seu nome ainda ressoa — talvez com menos força do que antes —, mas ninguém esquecerá aqueles hinos épicos, nem a sensação de esperança que deixavam em seu rastro em cada show.

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