A noite de 6 de julho de 2025 entrou para a história do metal em Porto Alegre. O lendário palco do Bar Opinião foi tomado por uma tríade de bandas que provaram, com autoridade, que o peso, a técnica e a emoção caminham juntos quando se trata de música feita com verdade.
A abertura ficou por conta da Allen Key, que entregou uma performance carregada de emoção e força melódica, envolvendo o público logo nos primeiros minutos com sua pegada moderna e vocais intensos. Na sequência, o palco foi incendiado pela Paradise In Flames, que trouxe um death/black metal sinfônico e teatral, fazendo tremer as estruturas da casa com sua estética apocalíptica. E encerrando a noite com chave de ouro, a Crypta entregou um show brutal e técnico, celebrando o death metal com presença de palco implacável e uma energia que contagiou cada pessoa presente.
Allen Key abre a noite com intensidade e emoção no Opinião
A noite de 6 de julho no Bar Opinião começou com força total. Coube à Allen Key, banda paulista que vem ganhando destaque no cenário do metal alternativo, dar o pontapé inicial em uma jornada sonora intensa e emocionante. E a missão foi cumprida com maestria.

Sob o comando da vocalista Karina Menascé, a banda apresentou um set poderoso e cheio de identidade. Karina, com sua voz marcante e entrega emocional, guiou o público por canções como “Granted” e “Get in line”, equilibrando momentos de fúria e suavidade com precisão impressionante.


A banda trouxe ainda os guitarristas Pedro Fornari e Victor Anselmo, que se destacaram com riffs encorpados e solos bem construídos, juntos, eles criaram uma atmosfera que, mesmo na posição de abertura, cativou o público desde os primeiros acordes.
Com letras que abordam superação, conflitos internos e força pessoal, a Allen Key não apenas aqueceu os motores da noite — deu o tom emocional e reflexivo que ecoaria ao longo de todo o evento. Um início de noite impactante, mostrando que o futuro do metal nacional está bem representado.
Paradise in Flames incendeia o Opinião com brutalidade, teatralidade e peso extremo
Logo após a avalanche sonora da Allen Key e antes da tempestade final com a Crypta, quem tomou o palco do Opinião foi a Paradise in Flames, banda mineira que vem conquistando espaço no cenário do metal extremo com sua proposta ousada: um blackened death metal carregado de teatralidade, crítica e densidade sonora.

A banda entrou como quem atravessa um portal infernal, e logo de cara mostrou a que veio com faixas como “Desolate World ” e “Concerto No.6 in C Minor ”, evocando atmosferas sombrias e riffs envolventes, ao mesmo tempo brutais e melódicos. A presença de palco do grupo é um espetáculo à parte: visual impactante, postura firme e entrega absoluta.
Nos vocais, Nienna Ni é uma entidade. Seu timbre, presença magnética e expressividade ritualística hipnotizaram o público — ela não apenas canta, ela incorpora o caos. Ao seu lado, o guitarrista e também vocalista Andre Damien sustenta a parede sonora com riffs cortantes e vocais complementares, criando uma dinâmica intensa e violenta.

O peso do som foi reforçado pela firmeza de Robert Aender no baixo e pela bateria avassaladora de Samuel Bernardo, que entregou precisão e brutalidade em doses cavalares. A surpresa e o diferencial da banda, no entanto, se amplificam com a presença do tecladista e também vocalista Guilherme de Alvarenga, que adiciona camadas sinistras, ambiências soturnas e texturas épicas às composições. Sua atuação é essencial para o clima cinematográfico que envolve o show.

A Paradise in Flames não apenas tocou — eles conjuraram uma atmosfera. O show foi uma jornada teatral, obscura e visceral, reafirmando o grupo como um dos nomes mais originais e potentes do metal extremo nacional.
Crypta detona Porto Alegre com fúria e precisão no Opinião
Para fechar a noite Opinião tremeu com a força da Crypta, que entregou uma apresentação avassaladora para uma casa lotada. Em turnê pelo Brasil, a banda reafirmou por que é hoje uma das grandes representantes do death metal moderno, com um show que foi puro impacto — técnico, emocional e físico.
A abertura com “The Other Side of Anger” já ditava o tom da noite: riffs cortantes, vocais demoníacos e uma parede sonora que atingia direto no peito. Na sequência, faixas como “Stronghold” e fechabndo “From the Ashes” mantiveram o ritmo acelerado e a vibração em alta, com o público mergulhado numa catarse coletiva de mosh e headbanging.

A performance da baterista Luana Dametto merece aplausos à parte — com uma pegada devastadora, Luana conduz a banda com precisão cirúrgica e uma intensidade que impressiona mesmo os fãs mais exigentes. Sua atuação é o coração pulsante do show, sustentando o peso das composições com agressividade e técnica impecável.

Ao lado dela, Tainá Bergamaschi mostrou por que é uma das guitarristas mais respeitadas da nova geração do metal. Com riffs afiados, solos bem construídos e uma presença de palco marcante, ela equilibra brutalidade e sensibilidade musical com naturalidade.

O show também contou com a participação da guitarrista convidada Helena Nagagata, que trouxe ainda mais força ao time com sua energia e domínio de palco. A sintonia entre as duas guitarristas deu ao público uma verdadeira muralha sonora.

Na linha de frente, Fernanda Lira comandou o espetáculo com carisma, presença e vocais que oscilam entre o gutural extremo e uma entrega emocional poderosa. O show da Crypta não é apenas técnico — é uma experiência visceral que grita alto e claro: o metal extremo feito por mulheres está mais forte do que nunca.
Três bandas, três propostas diferentes, mas uma mesma certeza: o metal nacional vive um de seus momentos mais criativos, diversos e impactantes.


