– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto PHORNAX?

O Phornax nasceu da vontade de transformar nossas ideias em algo concreto dentro do metal. A gente começou como qualquer banda underground: muita paixão, reuniões em estúdios pequenos e aquela gana de querer mostrar que o Rio Grande do Sul também é fornalha criativa para o metal nacional. Desde o início, a proposta foi unir o peso e a agressividade do Heavy tradicional com influências que cada integrante traz na bagagem.

– Gostaria de saber como você se define. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Heavy com pitadas de Thrash Metal. Você concorda comigo?

Concordo totalmente. Nossa base é o Heavy Metal old school, mas não dá pra negar que o Thrash também pulsa forte em nossas composições. Essa mistura dá a energia que buscamos: melodias marcantes, mas sempre com riffs agressivos e aquela pegada mais visceral.

– “Silent War” é o seu último registro. Como se deu o processo de registro deste material?

“Silent War” foi um marco pra gente. O processo começou ainda em meio a ensaios intensos e discussões sobre a mensagem que queríamos passar. Queríamos uma música que refletisse tanto a luta interna quanto os conflitos que enxergamos no mundo. A gravação foi desafiadora, mas ao mesmo tempo muito enriquecedora, porque conseguimos captar a essência da banda.

– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?

O trabalho em estúdio foi uma experiência incrível. Foi um processo intenso, mas tranquilo ao mesmo tempo, porque cada integrante sabia exatamente o que queria entregar. O resultado final nos deixou extremamente satisfeitos.

– Cristiano, eu adorei as linhas mais melodiosas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?

Meu processo de composição é muito intuitivo. Gosto de partir de uma melodia que vem de repente, muitas vezes surge de um riff simples ou até de uma ideia vocal cantada no celular. Depois vamos lapidando em conjunto, encaixando a agressividade das guitarras, a base rítmica e o peso. As linhas melodiosas são uma forma de equilibrar o caos com emoção.

– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?

A capa é quase uma extensão da música. Queríamos fugir do óbvio e mostrar que a dualidade existe em tudo: esperança e medo, luz e escuridão. A ideia foi justamente provocar reflexão, trazer algo que vai além da estética e desperte sentimentos conflitantes em quem olha.

– Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?

Sim, estamos em plena produção de novas composições juntamente com o grande produtor Renato Osorio. O que posso adiantar é que estão ainda mais pesadas e diretas, mas sem perder a identidade que criamos em “Silent War”. Estamos explorando mais texturas, trazendo riffs mais técnicos e refrões que ficam na cabeça.

– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.

Com certeza. Inclusive tivemos recentemente em Frederico Westphalen, Santa Maria, Campinas, Sorocaba, Poços de Caldas e claro Porto Alegre, no final do ano teremos um show em Curitiba onde abriremos a noite juntamente com os nossos amigos do Tierramystica para o Masterplan. Nosso objetivo é levar o Phornax para o máximo de regiões possíveis. O material foi feito para o palco, a energia das músicas só se completa quando tocamos ao vivo. Estamos preparados para mostrar ao público de outras regiões a força do nosso som.

– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?

O mercado é desafiador, principalmente dentro do metal, que nunca foi o caminho mais fácil. Mas acredito que sempre há espaço para bandas novas, desde que elas sejam autênticas e tenham consistência. Hoje, com a internet e o acesso facilitado às plataformas digitais, ficou mais democrático. O que continua sendo essencial é trabalho duro e paixão.

– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais…

Quero agradecer ao Cultura em Peso pelo espaço e pelo apoio ao metal nacional. O Phornax está apenas no começo dessa jornada, e esperamos que nosso som inspire e mova as pessoas assim como a música sempre moveu a gente. Nos vemos nos palcos!