Em um Domingo que começou ensolorado, onde pipocavam eventos e festivais em São Paulo…
Algo aconteceu, todo este Sol deu lugar no final de tarde, a uma tarde cinzenta, meio fria e com garoa. Algo no tempo havia mudado e nem a previsão do tempo previu a tempestade que se aproximava, um tempestade sinfônica com chuva torrencial de som pesado e incidência de raios sonoros destruidores.
Meus caros, fui testemunha ocular não apenas de um dos eventos mais aguardados do ano, Sabrina (fotógrafa) e eu (Argoth), que vos escrevo estas linhas junto com todo o público que lá estava, presenciamos um diluvio no Terra SP. Todos fomos envolvidos por esta sonoridade, esta atmosfera de surrealidade.
Horas antes do evento, o público já se encaminhava para o local do evento. Tanto que já proximo aos horarios das apreentações não havia mais espaços a serem ocupados.
Como em um grande teatro, os camarotes e plateia estavam lotados e apenas aguardando que o espetáculo começasse. A cada movimentação no palco, a galera vibrava e já se perguntava se já seria aquele momento o início ou se algum integrante das bandas já passeava por ali. No palco haviam duas baterias, na parte mais alta do palco, a esquerda a bateria do FLESHGOD e a direita a bateria do EPICA, que durante a apresentação do FLESHGOD esteve coberta com um pano preto e que na apresentação seguinte ficaria ao lado do tecladista Coe e a bateria utilizada pelo FLESHGOD rapidamente desmontada e removida do palco. Bateria esta com uma bela estante de pratos.
Resultado: Pontualmente às 19:30 os italianos do FLESHGOD APOCALYPSE subiram ao palco. De forma teatral, com um operístico tragico, a vocalista Veronica adentra ao palco com uma bandeira da Itália e inicia o seu recital. Seguida de um instrumental veloz, monstruosamente colossal e deixando os ali presentes boquiabertos por sua intensidade.
Ao fundo estava a capa do álbum “Opera” (2024).
Não sei se a esolha do local foi proposital, mas lembrava a capa que era apresentada no telão da casa. A disposição do palco, dos camarotes e a pista, assemelhava-se a arte, como em um grande concerto/ópera.
A partir dos primeiros instantes o público já estava pasmo com a presença de palco da banda. O que acabou gerando comentários inclusive, de pessoas que ainda não conheciam a banda e já dizendo que iriam procurar e escutar mais do som. Antigos, novos e fãs recentes naquele show Assistiram um show de técnica, peso e brutalidade coroado com uma sinfonia visceral.
A noite foi aberta com “Ode to Art (de’ Sepolcri)”, iniciando os trabalhos. Um som melancólico, trágico que deu as boas vindas a aquele espetaculo.Aumentando ainda mais a expectativa do público. Em seguida, foi a vez de “I Can Never Die“, uma pedrada!
Intensa pesada, misturando a bateria destroçante de Claudio Coassin,os vocais de Veronica Bordacchini e Francesco Paoli combinados trazendo o amargo e o doce ( gutural e vocais líricos), de forma alternada e enquanto, o piano margeava a atmosfera destruidor. Complementado por uma guitarra em um solo contundente e que trouxe o tom melodico desta canção.
Após este poderoso petardo, foi a vez de “Minotaur (The Wrath of Poseidon)“, esta bem conhecida do público e talvez, iniciando um pouco menos “brutal”, que sua antecessora, mas tão igualmente intensa. Os corais e partes faladas em um gutural monstuoso que anteceu uum solo bem harmônico e uma atmosfera obscura que dominou todo o espaço.
Lembra do cenário de tempestade que mencionei antes, sabe aquele momento em que as nuvens estão tão carregadas, que parece que o céu irá desabar a qualquer momento.
Imagine essa canção como isto…
Em seguida foi a vez de “The Fool“, trazendo um teor um pouco cômico e desencadeando em uma tragica violência sonora que estaria por vir. Os vocais guturais deram lugar a vocais masculinos limpos cheios de um certo clamor antes de voltar aos guturais e tome-lhe solo. Um belo solo aliás! Impressionane canção, demonstra muito domínio e dinamismo sonoro.

Antes que eu me esqueça e fale do proximo som, quero salientar o carisma da banda, principalmente da vocalista Veronica e do baterista Claudio. A banda toda parecia se divertindo, mas destaco estes dois (risos).
Em um dado momento, haviam bandeiras do Brasil enroladas nos pesdestais com crânios, que foram gentilmente doadas ao público, um presente em retribuição ao fervor do público que estava gigantesco. Muita interação e chamando o público para “dançar”.Houve uma excelente alternãncia dos músicos, indo de um lado ao outro do palco e todos (as), brincando e vibrando com o público. Achei melhor escrever logo, pois a ansiedade de comentar sobre isto, é gigantesca (risos).
Claudio por vezes desceu de onde estava a bateria, e inflamava o púbico a agitar mais e mais. Foi insamente incrivel!!!

Na vez de “Pendulum“, o que se percebia era que todos(as), já estavam hipnotizados e a banda já havia ganho o público faz tempo. A dose de “amargo e doce” novamente presente. Um canto de sereia com o brado do tritão ( que comparação horrivel, risos novamente). Mas de verdade, combinação perfeita. O público no embalo bradava e gritava junto. Uma guitarra esmerilando, enquanto todo o instrumental prosseguia com a marcha do caos e destruição (llndo demais).
Na seguencia foi a vez de “Sugar“, que de doce não tem, nada, foi aquele momento propício para um mosh matador, mas o publico estava tão envolto pela sonoridade, que só agitava. Não ( até onde vi), se movimentou para aquele moshpit esmaga cerébro.
Mas a pancaria sonora foi dominante e permaneceu até a conclusão desta vigorosa faixa.
Em “Morphine Waltz“não foi diferente, a destruição seguiu sendo perpretada.
Desta vez com uma maior alternancia de vocais e um instrumental continuamente animalesco.

Não se esqueçãm da tempestade que se formava, “No“, trouxe consigo os raios e trovões.
Brutal e sem impiedosa fazia os pescoços do publico se movimentarem com uma sincronia monstruosa. Uma pedrada apocalítica que misturou o som sinfônico, o Death e o Black Metal mais próximo do seu fim. Um trecho da música me trouxe uma certa similaridade com uma música de uma conhecida cantora pop, mas vou deixar que vocês ouçam e tirem suas conclusões ( risos), vai que é só maluquice da minha cabeça, embora não seja impossível e vocês vão entender mais a frente, que a banda pode ter feito isso por uma zoeira, um detalhe, u,m “easter egg”, ali escondido.

Com o piano dando o tom, foi a vez de “Bloodclook“, maligna e sanguinária, essa pedrada vem. Sem perdão e visceral nos coloca na tempestade, em meio de uma lama pegajosa que não lhe permite sair do lugar. Enquanto garoava lá fora, dentro do Terra…. a tempestade sonora vinha cada vez mais furiosa.
Por sua vez, foi a vez da monstruosa “Epilogue“, os vocais operisticos de Veronica, appos a a passagem por violões retornam e em sequencia dão lugar a uma certa calmaria. Que retoma implacável e com as guiatras dando novamente a tônica caótica.
A tempestade sonora teve o seu ápice e veio com a maligna “Violation“. Uma das mais conhecidas da banda. Chegando sem cerimônia e explodindo na cara. Ela traz bem a brutalidade aliadas com riffs que dão uma certa quebrada em toda a pancadaria, que é retomada e vem descomunal e ganham sinuosidades com vocais limpos. as que por fim é uma música matadora.

Nem tudo precisa ser totalmente sério ou falar de tragédias ou desgraças ( risos), já se encaminhando para o final, uma breve zoeira antes de “Blue (Da Ba Dee)“, siiiiim, o FLESHGOD APOCALYPSE trouxe uma versão desta iconica faixa dançante da banda Eiffel 65, so que do seu jeito. Pesada, destruidora, rápida e ímpar.
No geral, foi uma apresentação que não sou capaz de mensura e que cativou antigos e novos fãs. FOI INSAAAAANO! A cada faixa encerrada, encerrava-se um ato da peça sonora.
Setlist :
- Ode to Art (de’ Sepolcri)
- I Can Never Die
- Minotaur (The Wrath of Poseidon)
- The Fool
- Pendulum
- Sugar
- Morphine Waltz
- No
- Bloodclock
- Epilogue
- The Violation
- Blue (Da Ba Dee) (Eiffel 65 cover)
Antes de subirem ao palco, o público cantava “The Pretender“, canção do Foo Fighters já se aquecendo para cantar com a principal atração da noite.
E seguindo assim, então vamos falar dos anfitriões da noite, os gigantes do Metal sinfônico EPICA, extramente aguardados adentraram ao placo. Mesmo com um intervalo de pouco menos de meia hora entre cada banda e os toques finais para o início do próximo show, os minutos não passavam (riso). E a cada olhada no relógio, os minutos passavam ainda mais devagar. O Então, de forma antecipada minutos antes, a banda subiu ao palco iniiciou sua sinfonia. Então iniciando a noite com “Cross The Divide“já chegando com os dois pés no peito e sem cerimônia. E elevando ainda mais o patamar, foi a vez da iconica “Unleashed”, cantada de forma uníssona pelo público, que não tirava os olhos do palco.
Em seguida, foi a vez de uma outra canção que os fãs das antigas sentiriam falta, caso não fosse tocada, a belíssima “Sensorium“,uma onda de nostalgia tomava conta. A voz de Simone e os guturais de Mark me fizeram viajar no tempo, lembrando de pelo menos uns 15 anos atrás ( risos). Na epoica Mark também tocava e cantava em outra banda holandesa, no já encerrado AFTER FOREVER, da incrivel Floor Jansen (atualmente no Nightwish).

Em seguida, foi a vez da incrivel “Apparition“, nesta hora, o tecladista Coen já estava rodando o seu teclado ( siiim), você leu certo. A base do teclado permitia um giro em torno de sua base e no teclado era ostentada uma pequena bandeira do Brasil. Ah, na bateria de Ariën van Weesenbeek tambem havia uma. Ainda sobre a “Apparition“, que pedrada!!!!
Antes da próxima canção do set, houve uma dedicatória por parte d banda ao saudoso ANDRÉ MATOS, que nos deixou em 08 de Junho de 2019. O grande maestro foi lembrado por seu legado e porquê ontem, foi o seu aniversário.
ANDRE MATOS estaria completando 54 anos e foi deddicada a ele a faixa “The Last Crusade”, com corais imponentes e uma guitarra marcante. Com uma bela sinfonia.

A banda estava bastante entrosada e se movimentava bastante no palco, permitindo que o público pudesse os ver de mais perto. Interagiram e brincaram com o púbiico e entre si. Nem precisavam falar, as trocas de olhares e os sorrisos entregavam que estavam se divertindo. E o público não ficou para atrás acompanhou e não parava de exaltar a banda, gritando o seu nome e direcionando elogios a formação, sobretudo a Simone.
Tanto que em dado momento, a plateia foi tomada por balões de coração.
Inclusive Simone recebeu em mãos um grande coração, que fez questão de mostrar.

Em seguida foi a vez da poderosa “The Obssessive Devotion“, uma belíssima canção com teclados, bem destacados, rápida (partes) e um coral magnifico. Não podendo deixar de exaltar a bateria tocada de forma precisa, com pedais no lugar certo e os vocais tanto de Mark quanto de Simone sendo realizados de forma brilhante.
Seguindo assim, foi a vez de “Fight To Survive“, de uma forma até mais dançante. O que embalou e animou a galera que seguia seduzida pela apresentação surreal da banda.
Em seguida foi a vez da impressionante “Arcana“, com seus corais. Hipnotizante!
“Unchain Utopia”então foi apresentada e já dava o tom de despedida e foi sucedida por “Aspiral“, onde demais músicos sairam e ficou apenas o tecladista Coen e a vocalista Simone, com uma luz sobre ela e o animado tecladista, um pouco mais contido.
Um canção belissima, deu uma quebrada no ritmo burbulhante da banda e acalmou os animos do público, permitindo um certo descanso antes da faixa seguinte.
A seguir foi a vez da poderosa “Design Your Universe“, corais e guturais resoando de forma a se complementar. Uma bateria groovada, seguido de momentos de calmaria.

Após “Desing Your Universe“, as luzes se apagam e banda sai do palco. Será este o fim?
E a pergunta que era feita: Será que não vão tocar “Cry For The Moon“?
Então dos bastidores uma vez pergunta, “Voces querem mais?” Era Simone, e o público então é atendido. A banda volta e já é anunciado que aquela apresentação estava chegando ao seu fim. e iniciando esta ultima parte do show, a banda toca “Cry For The Moon” e é acompanhada por um coral vindo da platéia.
A faixa teve acrescimos e foi prorrogada ainda um pouco mais, para que todo mundo cantasse junto. Foi lindo de ver e de ouvir. No telão “Forever And Ever, um dos trechos da música era exibido no teão no fundo e incentivava a galera a cantar ainda mais forte.
Por sua vez nesta reta final, foi a vez de “Beyond“, som mais recente, mas que foi cantado com força total pelo público que já se sentia orfão da apresentação da banda. Com um tom/pegada de que o fim se aproximava, mas longe de ser uma canção chata, ela trazia aquele sentimento épico ( sem trocadilho com o nome da banda). Um encerramento glorioso que se avistava e que todos saíriamos dali vitoriosos e extasiados de uma grandiosa celebração da música pesada/sinfônica.

O fim é inevitável e por sua vez, não poderia ser encerrado de forma diferente.
De forma derradeira a pesadíssima “Consign To Oblivion!”, encerrou com chave de ouro.
Um som com tom de despedida, mas não um eterno adeus. Talvez, um “até breve para já deixar os fãs na expectativa de um breve retorno. E o publico bradou forte, cantando junto e de forma intensa.

Novamente, não consegui encontrar todas as palavras que mensurem o quão grandiosa foi esta apresentação. Ouvir o álbum, os discos é maravilhoso, mas estar presente e ser testemunha de tudo isto, é inigualável. De forma singular, uma das melhores experiencias que tive até hoje. Digo isto, não somente como fã, mas como um apreciador de som pesado e sobretudo, de música sinfônica. Sem deixar de enaltecer a preocupação da banda em trazer a cada faixa tocada, um elemento diferente sja sonoro e principalmente estético ( visual). Isto, tanto no telão, quanto no rodapé do palco em cima do palco, onde estava o teclado e a bateria. Os jogos de luzes – Uma mega produção. Considero inesquecível. Houve o cuidado de minimalista em entregar uma magnifica apresentação.
Setlist EPICA:
1. Cross the Divide
2. Unleashed
3. Sensorium
4. Apparition
5. The Last Crusade
6. The Obsessive Devotion
7. Fight to Survive
8. Arcana
9. Unchain Utopia
10. Aspiral
11. Design Your Universe
Bis:
12. Cry For The Moon
13. Beyond The Matrix
14. Consign To Oblivion
Sobre o evento, só tenho a parabenizar a LIBERATION e TEDESCO MIDIA por este espetáculo surreal. SENSACIONAL! Parabéns TERRA SP por acolher um evento desta tão formidavel magnitude. Bandas e público foram imparáveis!!!!
Ambas as bandas fizeram de exaltar o público e o Brasil, agradecendo a presença de todos e se arriscand até em soltar algumas frases em português, demonstrando carinho com o público e respeito pelo público. Isto foi sentido e retribuído, pois o público retribuiu e apreciou/agitou em cada música, seja do FLESHGOD APOCALYPSE e/ou também do EPICA. Ambas as bandas colocaram mesmo a galera para cantar e pular junto.
As duas bandas ganharam ainda mais seus fãs e sobretudo novos fãs. Foi uma noite memorável, onde a sinfonia ecoou e os céus descarregaram. A tempestade veio furiosa. mas em seu fim.. parecia uma agradável noite de concerto, sublime e tranquila, embora implacável e inigualável.

Então foi este o meu breve relato sobre esta noite indubitavelmente histórica em São Paulo/SP, especificamente naqueel pedaço da Zona Sul. Voltei para casa ainda incredulo e ao mesmo tempo demasiadamente feliz.
Abaixo os clicks da talentosissima Sabrina Ribeiro, saboreiem as fotos.

