Em um fim de tarde e começo de noite de Domingo, o que se pode esperar? Ficar em casa esperando o dia acabar? Ficar deprimido pois talvez o seu único dia de aproveitar a vida está se findando?

Se você é fã de Metal, eu sei que não. O último Domingo foi intenso em São Paulo e região metropolitana. Eventos acontecendo no ABC e em São Paulo capital. Ao mesmo tempo que acontecia o Headbangers Night, o Mayhem tocava na Vip Station (Zona Sul) e o Kanonenfieber tocava no Carioca (Zona Oeste), duas potências do Metal extremo se apresentavam. Este foi um teste de fogo para um evento Underground, mas que logrou muito êxito em uma noite muito mais que especial e demonstrando que o Metal BR é resistência e resiliência.           Em um Domingo que começou bonito, o que foi mais sensacional de se ver é que o público compareceu e encheu o La Iglesia.

A nossa amada igreja, foi palco de uma noite de celebração ao Metal nacional e comemora dos 12 anos do Mundo Metal. Além disso, foi possível homenagear dois seres humanos ímpares: O jornalista Ricardo Batalha e o vocalista do poderoso Korzus, Marcelo Pompeu. Que foram inclusive muito homenageados pelas bandas e pelo público. E todas vezes que foram direcionados a eles palavras de afeto e saudações, de pronto o público os saudou e os celebrou, assim e como as bandas. Homenagens mais que merecidas e que deveriam ocorrer enquanto as grandes lendas e pessoas que contribuem com a cena estão conosco.

Tierramystica, Cova Rasa e Exkil tiveram a grande responsabilidade de ser os mestres de cerimônia da noite, é assim os fez.    Aliás o Headbangers Night é uma idealização das bandas em parceria com a Mundo Metal. A idéia é através deste festival dar espaço as bandas para que levem sua música e sua mensagem. Fortalecer as bandas e cena, sendo um canal entre público e bandas, além de apresentar uma opção que contemple o Metal BR. De forma geral, algo muito louvável e que só tende a ajudar a movimentar a cena mais e mais. E antes de começar a falar sobre as bandas só tenho a dizer que, já li relatos de quem não pode comparecer, que ao ver as primeiras imagens do evento, ficou com dor no coração por não ter ido, para estes só posso dizer que foi demais! Histórico e que isto não se repita, não perca os próximos e vindouros eventos, uma forma carinhosa de dizer: Perdeeeeeeu! (Risos do mal). Brincadeiras a parte, foi marcante e fora de série!

 

Sobre as bandas: Oriundos de Porto Alegre, os gaúchos do Tierramystica chegaram com força total. Um belíssimo side drop e um backdrop baseados na capa do disco “Trinity” ornamentavam o palco, causando um belíssimo impacto visual, que combinado com o impacto sonoro trouxeram um casamento perfeito. Mesmo sem a presença do baixista, o baile continuou e houve uma entrega sensacional.  A combinação dos elementos e musicalidade da cultura andina invadiu o La Iglesia, trazendo também um elemento especial dos instrumentos de sopro e de corda típicos contribuiram para um Folk/Power metal tocados com bastante primor. Ricardo “Chileno”, o maior responsável pelo direcionamento sonoro da banda, tocou, cantou e vibrou junto com a plateia. Gui (vocalista) entregou uma senhora performance, enquanto que Alexandre (Guitarra), entregou linhas de guitarra sensacionais e não menos importante, o bateria Diego que se apresentava pela primeira vez com a banda e fez com demasiada energia, a sua condução das levadas da bateria.

Com foco no seu terceiro e mais recente lançamento a banda apresentou também canções de discos anteriores, iniciando os trabalhos com a indispensável “Cosmovision”, e na sequência “Eldritch War”, primeiro single lançado pela banda marcando o retorno das atividades do grupo. “Raindancer” se fez presente e antecedeu a poderosa “Vision Of Condor”, faixa do primeiro álbum da banda (New Horizons) foi então apresentada.

Antes de “Bedtime Stories”, o vocalista Gui mencionou a história contida na canção e sobre como foi enfrentar o diagnóstico de câncer da mãe, que felizmente está curada e como foi crucial o apoio dos seus companheiros de banda. E para encerrar a faixa escolhida foi nada mais e nada menos que a avassaladora “Chasky Way” grande hino da banda e uma de suas canções mais promissoras, que finalizou está primeira apresentação com chave de ouro.

 

Argoth Rodrigues

 

E mantendo o nível lá em cima, foi a vez dos incríveis Cova Rasa, que entregaram uma apresentação impecável, trazendo as faixas do seu mais recente álbum, o “Another Time”, lançado em Abril deste ano (2025). Super entrosados e entregando uma apresentação singular, iniciaram com a abertura do disco e que culminou com a entrada do vocalista Ivan e “Borley Rectory” abrindo o set.”Heartbreaker’s Hunter” , “Reaper’s Rival” vieram em uma sequência estrondosa e empolgando a plateia que agitava e vibrava com os chamados do vocalista Ivan, enquanto Jayme Danko lançava os riffs e solos de forma extraordinária. Theo Machado com sua bateria dominava os pratos e fazia suas pegadas quebradas e contratempos, enquanto o bumbo pulsava violentamente tocado pelos pedais. Collins Freitas dava o tom da atmosfera com seu teclado, ditando junto com o baixo de Caio Caruso a cozinha da banda. Agitando e se divertindo, a banda demonstrou mais uma vez, o seu compromisso com o Metal tradicional e suas características levadas de Power/Prog Metal com imensa habilidade e maestria.

 

Durante a apresentação o vocalista Ivan Martins brincou com seus companheiros de banda e com o público. Antes de chamar a próxima canção, brincou que Collins havia se tornado um zumbi, e que a próxima faixa “King Of Ghouls” foi inspirada nele (risos). Alias, a temática da banda destoa do convencional e clichê, as letras falam sobre contos e lendas urbanas, além de trazer histórias de terror e personagens peculiares e obscuros. “Dr Death” e “Black Shadow” encerram esta monumental apresentação.

Argoth Rodrigues

 

Antes de iniciar a apresentação da última banda da noite, Ricardo Batalha e Marcello Pompeu que já haviam sido aplaudidos por todos da casa subiram ao palco para deixar palavras ao público e foram merecidamente celebrados no palco. Em dados momento as bandas estavam todas no palco e puderam  saborear os conselhos de dois grandes mestres, um do jornalismo musical metal e outro da música pesada. Cada qual contribuindo com a formação das bandas e da cena de forma direta e indiretamente. Batalha recordou da época do SP Metal II (1985) e Rock N Rio, como um período significativo e muito importante  para o Rock/Metal e citou Pompeu e seu trabalho, além de sua importância para a cena e seu primeiro trabalho e onde foi seu início na música pesada e Underground.

Argoth Rodrigues

Pompeu falou sobre limitações vindouras em cima do palco por conta da idade e já chamou a responsabilidade as novas bandas, que mantenham a luta, o legado e a bandeira do Metal firme em suas mãos. Citando inclusive as novas gerações como exemplo de que a cena terá continuidade através destes novos talentos. Agradeceu a todos a gentileza das palavras e antes que se emocionasse ainda mais encerrou sua participação por ali (no palco). Ivan Martins anunciou a Exkil.

 

Argoth Rodrigues

 

E para fechar com chave de ouro, foi a vez dos formidáveis ExKil, banda de Thrash Metal que se mostra uma grande revelação destes últimos tempos na cena Underground. Uma banda que entrega muita técnica e precisão, um som voraz e devastador. Seu som com influência de bandas da Bay Area e Thrash Metal Alemão, entregaram uma apresentação surpreendente, pelo menos para este que vos escreve, pois era a primeira vez que os via no palco. Pois no streaming já entregam uma baita qualidade, no ao vivo se superam ainda mais e entregam uma tempestade Thrash. Com seu som letal e intenso, cativou e fez bater cabeça até os mais contidos Com Daniel Ferrante (vocal /guitarra),  Evandro Tapia (baixo),  Evandro Kandalaft (bateria) e Gabriel Bunho na outra guitarra, a banda se posicionou e começou então a aniquilação. Devastador, seu som é poderoso e certeiro. A alternância entre base e solo, a voracidade do baixo, aliado a velocidade e quebradeira da bateria deram o tom. Destaco aqui, que todos possuem demasiada precisão técnica, mas os solos conduzidos por Gabriel são muito marcantes e um dos pontos altos desta apresentação. Daniel por sua vez, trouxe um domínio absurdo dos vocais sejam limpos, com drives ou guturais – O homem é um monstro!!!! O que dizer sobre Vandrex? O homem no baixo é pura energia e possui muita sintonia com a guitarra de Daniel. E Evandro Kandalaft entregou uma bateria sem igual, mais preciso de bisturi e faca de açougueiro, demonstrou absurda afinidade com o instrumento, máquina de guerra, foi fundamental na execução do Thrash Metal veloz. E a cada som a banda ia tocando cada vez mais rápido.

As faixas do “Violence Prevails” (2025) foram a escolha do set da banda, que aliás, disco visceral e essencial para todo e qualquer fã de Thrash Metal. Sem passagem “Drive You Nuts e Violence Prevails” abriram os trabalhos com força e potência. “Titans Risingnão podia ficar de fora de uma apresentação onde estava na platéia, uns dos responsáveis pelo som, Marcello Pompeu, que por uma coincidência absurda produziu trabalhos com as três bandas.

 

MistreatNothing Shall Remaintambém se fizeram presentes e a violência prevaleceu. Uma das minhas preferidas deste trabalho, “Rotten World do EP Between Death And Chaos” (2022) foi tocada.

Algo muito bacana e uma surpresa muito legal, foi a participação do Daniel (Mundo Metal), o qual tive a felicidade de cumprimentar também pelo seu aniversário. O aniversariante foi chamado ao palco para uma participação especial, cantou junto com a Exkil, “Enter Sandman” do Metallica e demonstrou o poderio de seu vocal gutural que combinou em muito com os vocais do seu chará Daniel Ferrante.

Argoth Rodrigues

Para finalizar foi a vez de “No Time”, que na minha singela opinião é uma das mais marcantes e tem seu charme especial e é primeiro lançamento da banda e foi lançado no formado de single e se não me engano, também esta no EP. Baita som!

 

Argoth Rodrigues

 

De forma geral, quero agradecer ao Jayme pelo convite. O homem foi um dos maiores responsabilidades para que o evento acontecesse e lhes digo que foi um sucesso. De forma independente e com apoio de amigos fez com que o evento pudesse acontecer e fazer deste um evento histórico e que desejo de coração, que seja o início de uma exitosa série de apresentações e um movimento a mais somando na cena. Não comparado aos responsáveis pela organização, nós sabemos o quão trabalhoso é organizar um evento e principalmente fazer o negócio acontecer. No final deu tudo certo, o público compareceu, curtiu, celebrou e voltou para casa com o sentimento de que valeu dedicar algumas horas do seu domingo, a prestigiar e comemorar o Metal nacional.

Parabéns Jayme, Mundo Metal, Cova Rasa, Exkil e Tierramystica pelas entregas. Saibam que foi histórico e um marco importante na cena Metal e que isto possa se expandir ainda mais e mais. Parabéns a todos(as) os (as) envolvidos(as). Público e colegas de imprensa foi sensacional!

Abraços ao Gui Formaggio( Pegadas do Rock ), Johnny Z (Metal Na Lata), Alê Metal Pesado (Canal Alê Metal Pesado), Selma Alves (SCJ Prod), Fernanda (Dark Rádio), Rodrigo Souza (Big Rock),  Mundo Metal . Se eu estiver esquecendo de citar alguém, me desculpe! Sinta-se também abraçado (a)!

Que venham as próximas edições!!!!