No início dos anos 90 houve um boom de casas de show de porte médio, vou explicar falando da capacidade das casas até umas 500 pessoas, tínhamos em SP várias casas dentro do circuito como Manifesto, Aero Anta, Dama Xoc, Black Jack, Led Slay, Dínamo e por aí vai, que se diferenciavam  por comportar shows de bandas inclusive “grandes” com muita propriedade e nessa época podíamos, assistir a shows históricos a um preço que conseguíamos pagar. O problema é que uma a uma, essas casas foram devoradas por grandes shows, perdendo espaço tendo que a grande maioria fechar suas portas e nos deixar sem opção de assistir esses shows, ou se pagava uma fortuna pra assistir esses shows em um lugar grande, ou a gente procurava shows em estúdios e casas com estruturas mínimas o qual não condizia com o evento. Não sei quem foi o iluminado que viu que hoje esse nicho pode ser sim bem vindo e estão surgindo casas muito boas, com equipamentos bem legais, som de alta qualidade, estrutura boa e trazendo bandas maravilhosas para tocar e o resultado não poderia ser outro, shows com um nível de profissionalismo excelentes como esse que vou falar aqui.

La Iglesia é uma dessas casas citadas que hoje oferece um lugar bem localizado, dentro de um estacionamento, e ao lado de uma hamburgueria, para ficar melhor, os eventos por lá sempre terminam antes da meia noite e aí você escolhe, se quiser continuar a balada no Rock está bem pertinho de várias baladas do Rock Paulistano, se quiser voltar para casa, está perto do metro e corredores de ônibus, melhor impossível.

A convite de um velho amigo, Mr. Shucky Miranda fomos parar no La Iglesia nessa sexta feira fria e cheio de eventos em São Paulo como o Festival Setembro Negro e vários shows que vão rolar esse fim de semana por aqui. Mas como a gente não tem nada a ver com isso, colamos aqui para além do grande Skin Culture assistirmos os Americanos do Contortion e a banda Argentina Nvlo e sim…vou te dizer que quem não foi perdeu sim um espetáculo de esquentar o coração nesses três shows maravilhosos.

O Skin Culture é uma banda de Groove Metal que está completando 21 anos de existência, seu vocalista e líder da banda Shucky Miranda é uma figuraça e no palco é um show a parte, com sua colossal estrutura física, domina o palco como poucos e estava visivelmente emocionado em tocar esse show. A banda também está redonda, Diego e Chris Oliveira formam uma cozinha infernal e com muita propriedade seguram o peso necessário para o guitarrista Fred Barros fazer vários riffs impressionantes com sua guitarra de 8 cordas, que dão um tempero especial aos berros de Shucky, que entre uma música e outra sempre agradecia quem esteve e quem está sempre correndo junto com a banda…humildade é o nome dele. Meu destaque para esse show foi a sensacional Set me Free (adoro essa música), a Supernatural Catastrophic e o Cover do Sepultura (Refuse/ Resist) dividindo o Palco com Brian Stone do Contortion.

Setlist:

Fall on Knees

Set me free

Devil 19

Refuse/ resist

Supernatural Catastrophic

Breathing Sulfur

Bring me back to life

Suicide love

O Contortion é uma banda Norte Americana de Thrash/ groove Metal muito bem executado. Quando você ver os caras entrando todos de roupas sociais, gravata e tênis Vans não imagina que seu som é uma patada no meio da cara. Uma sonzeira que nos remete a Pantera/ Machine Head das antigas. É um som bem direto, riffs desconcertantes e um show altamente interativo, o vocalista/ guitarrista Brian Stone já é uma figura conhecida no meio e a banda faz a Tour do disco “The Common Thread”, lançado em 2024, incomodando muitos vizinhos por aí.

O palco do La Iglesia não é tão grande a ponto da banda tocar e pular e fazer farra, mas Brian incitava muito a galera a faze-lo, ganhou alguns momentos de agitação, mas parece que a galera estava guardando um pouco de energia, porque a pedrada que veio depois foi sem precedentes.

Infelizmente não conseguimos o setlist do Contortion.

Agora que o destaque da noite ficou para os Hermanos do Nvlo, aí ficou. Os caras são gigantes no palco, ficou muito pequeno o espaço para o tamanho da massa sonora que esses Argentinos de Buenos Aires nos mostraram. O show dos caras é impressionante, uma chuva de riffs inimagináveis, o vocalista Leon é um demônio no palco, quem o via circular calmamente entre o publico durante os shows anteriores nunca iria imaginar o que ele faria no palco a seguir. Foram 16 bombas nucleares jogadas de cima do palco sobre quem, atônito, assistia não só um show, uma aula de violência e pancadaria de cima do palco, não é a toa que esses caras foram chamados para o Wacken Open Air no ano passado e no Knott Fest Argentino, os caras são hoje o principal nome do Metal da Argentina. E estão aí, desde 2018, mostrando a cara e agora conquistando o mundo com a faca nos dentes. Quem gosta de Metal pesado e extremo sugiro que ouça essa molecada da Argentina que eles estão voando!!!

Setlist:

De cara al vacío

El castigo de no escuchar

Templanza

La cura

Jronos

Ignición

¡Quémenlos!

Instinto

Tumbas sin salida

Sometidos

Bastardos en pena

Péndulo

Demonopatia

Desdén

Claridad

Los frutos de la antipatía