Punk, energia e humor japonês transformam o Boro Room num vulcão de som e atitude
No último 4 de novembro, Bogotá vibrou com um dos concertos mais intensos e memoráveis do ano. A poderosa banda de punk da prefeitura de Quioto, Otoboke Beaver, aterrissou no teatro Boro Room para oferecer um espetáculo carregado de velocidade, energia e um glorioso caos sonoro impossível de domar. O evento foi produzido pela promotora Breakfast Live, conhecida por apostar em propostas inovadoras que enriquecem a cena musical colombiana.
Fotografia por @janis_photography_col
Desde as 19h00, a entrada do Boro Room transformou-se numa passarela cultural onde conviveram estilos e personalidades opostas: desde trajes punk cheios de tachas, couro e atitude desafiadora até looks kawaii, coloridos e cheios de ternura. Um contraste que, sem dúvida, prenunciava o que estava por vir.
Às 21h00 em ponto, as quatro integrantes de Otoboke Beaver subiram ao palco e, desde o primeiro segundo, deixaram claro por que são consideradas uma das bandas mais ferozes do punk japonês. Com o impulso inicial de suas duas primeiras explosões — “Yakitori” e “Akimahenka” — o público entrou em erupção: pogo, gritos e coros incessantes dominaram a apresentação de uma hora e quinze minutos.
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A banda mostrou sua essência sem filtros: punk acelerado, estruturas musicais imprevisíveis, teatralidade, humor absurdo e uma presença de palco tão irreverente quanto magnética. A vocalista Accorinrin impôs uma presença intensa — quase antipática na sua atuação teatral — mas perfeitamente alinhada à proposta do grupo. Mesmo com a barreira do idioma, soube conectar-se com o público, usando repetidamente a expressão “cállate” para pedir silêncio antes do encore, gerando risadas e cumplicidade geral.
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Por sua vez, a baixista Yoyoyoshie foi quem mais interagiu com os fãs. Seu carisma, estilo único e atitude irreverente — tão encantadora quanto insana — fizeram dela uma das favoritas da noite. Sua energia descontrolada, quase “louca” no melhor sentido, adicionou uma camada extra de intensidade ao concerto.
Com vestidos florais, humor no estilo manzai e uma mistura entre agressividade e doçura kawaii, Otoboke Beaver dominou o palco com uma autenticidade avassaladora. O grupo conseguiu algo que poucos artistas internacionais alcançam: manter o público em um estado de adrenalina contínuo, entre coros, saltos e moshpits, sem deixar a energia cair por um segundo sequer.
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O clímax da noite chegou após o primeiro encore: um enorme castor inflável foi lançado sobre a multidão, e Yoyoyoshie montou nele para surfar sobre o público. A cena repetiu-se no final do show, encerrando com um coro coletivo ao som de “We Are the Champions” de Queen — um momento épico que ficará na memória de todos os presentes.
Sem dúvida, Otoboke Beaver entregou um espetáculo visceral, surpreendente e catártico: uma descarga de irreverência, loucura e punk japonês que deixou Bogotá querendo mais.
Setlist:
- Yakitori
- Akimahenka
- Don’t Light My Fire
- S’il Vous Plaît
- Love Is Short
- What Do You Mean You Have Talk to Me at This Late Date?
- Datsu . Hikage no Onna
- Dirty Old Fart Is Waiting for My Reaction
- Bakuro Book
- I Am Not Maternal
- Don’t Call Me Mojo
- I Don’t Want to Die Alone
- Na Na Na Arigato Ha?
Encore 1: PARDON? (com Yoyoyoshie montando o castor inflável sobre o público)
I Put My Love to You in a Song – JASRAC
Encore 2: (Desconhecida)
Anata Watashi Daita Ato Yome No Meshi
Mean
Encore 3: Faixa tocada de fita — We Are the Champions (Queen) (enquanto Yoyoyoshie surfava sobre o público)
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