Se tem um nome que não dá pra ignorar quando a gente fala de metal progressivo, esse nome é Geoff Tate. O cara é literalmente uma lenda viva, e não só por cantar absurdamente bem, mas por ter marcado uma geração inteira com a sua visão artística e ousadia. Ele não foi só “mais um vocalista de banda dos anos 80”, ele foi (e ainda é) o cérebro por trás de umas das bandas mais cabeça e influentes do metal: o Queensrÿche.
A história começa lá no comecinho dos anos 80, em Seattle, bem antes do grunge tomar conta da cidade. O Geoff era um moleque com voz de ópera e gosto por rock pesado. Ele entrou no Queensrÿche meio que por acaso, quando a banda — que ainda se chamava The Mob — o convidou pra gravar uma demo. A química foi tão absurda que ele acabou virando o frontman oficial. Daí em diante, foi só subida.
O primeiro EP, Queensrÿche (1983), já chamou atenção, mas foi com The Warning (1984) e, principalmente, Rage for Order (1986), que a banda começou a mostrar sua identidade: guitarras afiadas, arranjos inteligentes e letras que discutiam tecnologia, manipulação e alienação. Sim, eles já estavam discutindo fake news antes da internet bombar.
Mas o divisor de águas, o momento em que tudo explodiu, foi mesmo com Operation: Mindcrime (1988). Mano, esse disco é uma obra-prima. Não é só um álbum — é uma história completa, tipo um filme em forma de música. Tem personagens, narrativa, crítica social, tudo costurado com uma trilha sonora que varia entre o peso do metal e momentos quase teatrais. E a voz do Geoff? Insana. Um dos melhores vocais que o gênero já viu. Até hoje, “Eyes of a Stranger” e “I Don’t Believe in Love” são obrigatórias em qualquer setlist decente.
Dois anos depois, eles lançaram Empire (1990), que foi o disco que realmente estourou em tudo quanto é canto. “Silent Lucidity” virou hit mundial — uma balada orquestral linda, que fez até quem não curtia metal parar pra prestar atenção. A música concorreu a Grammy, teve clipe em alta rotação na MTV e foi trilha de muita história de amor por aí (vai, admite).
A formação clássica do Queensrÿche na época era o Geoff Tate nos vocais, Chris DeGarmo e Michael Wilton nas guitarras, Eddie Jackson no baixo e Scott Rockenfield na bateria e juntos criaram álbuns cheios bem detalhados que você vai descobrindo com o tempo. Depois de um tempo, a relação entre eles começou a azedar. O som foi mudando, as ideias começaram a divergir e, lá por 2012, rolou uma treta federal: o Geoff foi expulso da banda. O clima ficou tão tenso que teve até briga nos bastidores, processo judicial e disputa pelo nome “Queensrÿche”. Por um tempo, existiram duas bandas com o mesmo nome rodando o mundo. Tipo “versão 1” e “versão 2”. Uma bagunça.
Geoff não ficou chorando no canto. Ele montou sua própria versão da banda e lançou um álbum chamado Frequency Unknown (sim, a sigla era F.U. — sutil, né?). O disco teve recepção meio morna, mas serviu pra ele mostrar que ainda estava ali, disposto a continuar. Logo depois, ele lançou o projeto Operation: Mindcrime (sim, ele ama esse nome), com uma trilogia de álbuns: The Key (2015), Resurrection (2016) e The New Reality (2017). Os discos são cheios de conceito, com letras que tratam de tecnologia, identidade, sociedade… coisa de gente que pensa, mesmo que nem todo mundo tenha embarcado de cara.
E olha que curioso: antes disso tudo, o Geoff já tinha lançado um álbum solo lá em 2002, que surpreendeu geral. Em vez de seguir na linha do metal, ele misturou pop, eletrônico, balada, saxofone… um som bem diferente. Depois, em 2012, ele lançou Kings & Thieves, que já tinha mais cara de rock, com letras bem pessoais — claramente influenciadas pela fase tensa que ele vivia na época.
Fora do palco, o cara também é cheio de surpresas. Geoff é apaixonado por vinho, e não é só como consumidor, não. Ele tem uma vinícola na Alemanha e lançou seu próprio rótulo, chamado Insania. Ele e a esposa se jogaram nesse projeto e ele mesmo já contou que faz vinho desde adolescente (tipo, literalmente misturando dente-de-leão no quintal de casa). Rocker e enólogo, meu parceiro. Imagina só o papo desse cara num jantar.
Hoje em dia, Geoff continua na ativa, fazendo turnês pelo mundo e, principalmente, tocando os clássicos do Queensrÿche. Ele já tocou o Operation: Mindcrime na íntegra em vários países, e a galera continua colando em peso pra ver o cara ao vivo. A voz não é exatamente a mesma dos anos 80 (né, ninguém sai ileso do tempo), mas ele ainda segura muito bem as broncas — e o que falta em potência, sobra em presença.
Geoff Tate é aquele tipo de artista que nunca ficou parado. Pode até não estar mais no mainstream, mas segue sendo respeitado por músicos e fãs do mundo inteiro. Um cara que vive a arte intensamente, que cria, se reinventa, e que tem uma história de vida que daria fácil um documentário.
Se você gosta de som com conteúdo, com emoção, com cabeça e com coração, mergulha na discografia desse cara. Vai por mim: aproveite a ultima oportunidade. Ele vai tocar no Pyrenean Warrior Open Air em setembro e mais uma vez fará história.
Isso e muito mais veremos no Pyrenean Warrior Open Air em nada mais nada menos que 40 dias. Preparem-se para a força do verdadeiro heavy metal tradicional e muito speed!!!
Entradas disponiveis em: http://www.leshordesmetalliques.com/pwoa/ no valor de 55€.
Nos vemos na França!!! <3




