Sabe aquelas bandas que não vivem no hype, mas têm uma base de fãs fiel, uma história gigante e uma discografia que só melhora com o tempo? Então, esse é o caso do Jag Panzer. Uma banda que talvez você já tenha ouvido falar por cima, ou talvez nem conheça, mas que merece muito mais atenção do que costuma receber. E não é exagero, esses caras estão aí desde o comecinho dos anos 80, segurando a tocha do heavy metal tradicional com muito orgulho, técnica e coração de metal.
O Jag Panzer surgiu em 1981 em Colorado Springs, nos Estados Unidos. O mundo do metal estava em ebulição naquela época, com o New Wave of British Heavy Metal tomando conta (Iron Maiden, Saxon, Diamond Head…) E os caras beberam direto dessa fonte. No começo, eles se chamavam Tyrant, um nome bem direto, até que descobriram que já existia outra banda com esse nome. A solução? Se inspiraram num tanque de guerra alemão da Segunda Guerra chamado “Jagdpanzer” e simplificaram pra Jag Panzer porque era difícil falar “Jagdpanzer” de primeira.
A banda começou quase como uma brincadeira de colégio. Os membros originais, inclusive o vocalista Harry “The Tyrant” Conklin, ainda estavam no ensino médio quando lançaram o primeiro EP, Tyrants, em 1983. Os caras literalmente gravaram um disco enquanto ainda estavam aprendendo álgebra. E mesmo com equipamento simples e gravação crua, esse EP já mostrava o potencial absurdo que eles tinham. A galera do underground pirou.
Mas foi em 1984, com o lançamento de Ample Destruction, que o Jag Panzer fincou seu nome no mapa. Esse álbum é considerado até hoje um dos maiores clássicos do metal underground. Melódico, porém com  muito peso, as letras épicas quase místicas. O vocal do Harry é coisa de outro mundo, seus agudos insanos te faz perder a noção. A guitarra afiada do Mark Briody e o baixo sólido do John Tetley completam o time que se tornaria o núcleo eterno da banda.
Depois do hype inicial, o grupo entrou num limbo durante boa parte dos anos 80 e início dos 90. Trocas de membros, dificuldades com gravadora… A história típica de banda independente que não se vende. Mas em 1994, eles reaparecem com Dissident Alliance, um disco diferente, com um som mais moderno, tentando dialogar com a nova geração de headbangers.
O MAIS PURO E VERDADEIRO HEAVY METAL!
A verdadeira retomada, no entanto, veio em 1997 com The Fourth Judgement, quando Harry Conklin voltou aos vocais. Esse disco trouxe de volta aquele som clássico do Jag Panzer, só que mais técnico, mais maduro, mais lapidado. A partir daí, a banda engatou uma sequência de álbuns muito fortes, como Age of Mastery (1998) e Thane to the Throne (2000). Esse último é uma obra-conceito inspirada em Macbeth, do Shakespeare. Sim, os caras fizeram um álbum de metal narrando uma tragédia clássica da literatura inglesa. E ficou sensacional.
E tem mais: Mechanized Warfare (2001) mostrou um Jag Panzer ainda mais afiado, com arranjos bem trabalhados e letras mais sombrias. Casting the Stones (2004) e o lançamento oficial de Chain of Command (gravado nos anos 80, mas engavetado por décadas) consolidaram o legado da banda como um dos pilares do power metal americano. Porém, depois de um tempinho fora do radar, a banda retornou com força total em 2017, lançando The Deviant Chord, um disco maduro e poderoso, provando que, mesmo depois de tantos anos, os caras ainda tinham fogo nos olhos (e nas cordas vocais).
Além dos discos, vale destacar os personagens dessa história. Harry Conklin continua sendo uma lenda dos vocais, sempre enérgico, afinado e carismático. Mark Briody, o guitarrista e cérebro criativo por trás de muitas composições, nunca saiu da banda. E o baixista John Tetley é aquele pilar discreto, mas firme, desde o começo. O baterista Rikard Stjernquist também segurou as baquetas por décadas, e mais recentemente, o guitarrista Ken Rodarte entrou na formação e já mostrou que veio pra somar, sendo essencial na construção de The Hallowed.
O mais impressionante é que, mesmo com mais de 40 anos de estrada, o Jag Panzer continua soando fresco, intenso e apaixonado pelo que faz. Eles nunca se renderam às modinhas do metal, nunca tentaram ser outra coisa além deles mesmos. E é por isso que têm o respeito de quem realmente entende de música pesada. Não é só mais uma banda de metal. São uma jornada inteira, cheia de lutas, retornos, coragem e, acima de tudo, música feita com o coração.

Isso e muito mais veremos no Pyrenean Warrior Open Air em nada mais nada menos que 39 dias. Preparem-se para a força do verdadeiro heavy metal tradicional e muito speed!!!
Entradas disponiveis em: http://www.leshordesmetalliques.com/pwoa/ no valor de 55€.

Nos vemos na França!!! <3