O desgaste no final de cada dia do festival e a renovação constante do Rock Al Parque em Bogotá
O cansaço que se sente ao final de cada dia deste festival é um lembrete do tempo que passou para mim e para o Rock Al Parque. No entanto, percorrer as trilhas do parque Simón Bolívar e continuar vendo rostos tão jovens me faz perceber que talvez o tempo para o festival passe de forma diferente, pois à medida que avança, ele se renova sem perder sua essência.
Rock Al Parque, fotografia por @jonathanmohamedphoto
O primeiro dia, dedicado à cena metal, nos mostrou que ainda há muito a ser explorado neste gênero. Abrindo o palco Plaza, Herejía já colocou o nível muito alto, demonstrando sua trajetória e dominando seu espaço como local no festival.
Herejía, fotografia por Janis_phptography_col
Depois, veio Tenebrarum, banda de Medellín, que com um violino servindo como coluna vertebral da música, atravessava a alma a cada acorde. Como se isso não fosse suficiente, a personificação da morte surgiu durante o show para nos lembrar da efemeridade da vida, uma homenagem aos mortos que sustentam esta bandeira. Nas palavras da banda: “a música violenta nos ajuda a liberar o sangue que nos enfiaram pelos olhos.”
Tenebrarum, fotografia por Janis_phptography_col
O dia terminou com grandes nomes como Belphegor e Dismember, bandas que agitaram as massas, e mesmo vindo do outro lado do mundo, foram recebidas como em casa pelo público. Mas esse dia não foi só para o metal; a versatilidade do Rock Al Parque também trouxe grandes nomes do punk.
Belphegor, fotografia por Janis_phptography_col
O público punk, com moicanos ao vento, curtiu shows de bandas femininas como Sin Pudor e Polikarpa y Sus Viciosas, que abriram caminho para uma maior presença feminina no punk e em outros gêneros. Que importante é termos esses referentes!
Polikarpa y Sus Viciosas, fotografia por Janis_phptography_col
O segundo dia chegou com céu chuvoso, algo natural nesta amada e caótica Bogotá. Os visitantes alternavam entre bonés e protetor solar a barracas e guarda-chuvas, quase num bailado sincronizado. Mas isso não parou o festival.
No palco Plaza, Rabanes animaram o público com seu ska, que apesar da chuva e do frio intenso, dançaram todas as músicas mantendo a energia lá em cima.
Rock Al Parque, fotografia por @jonathanmohamedphoto
No palco Bio, destaque para a surpresa do dia: Hermana Furia, banda espanhola. Inicialmente, pensei ser mais um grupo de rock alternativo “suave” — um dos meus gêneros favoritos — mas estava totalmente enganado. A expressão que melhor define o show é: “Que puta loucura”. A energia da vocalista Nuria Furia domina o palco com uma presença que devora tudo ao redor. Definitivamente, um show imperdível.
Hermana Furia, fotografia por @jonathanmohamedphoto
Também se apresentou Allison, banda mexicana que marcou a adolescência de muitos que hoje já sentem as dores do tempo ou não aguentam mais festivais de três dias. Ver seus sucessos antigos e recentes no palco me lembrou que o tempo passa para todos, mas que essa fase nunca foi só uma etapa.
Allison, fotografia por Janis_phptography_col
No mesmo palco, o aguardado El Mató a Un Policía Motorizado encantou o público com a canção “La Noche Eterna”, que se tornou um hino cantado em coro por todos presentes. Um momento especial que cada um dedicou a alguém especial.
El Mató a Un Policía Motorizado, fotografia por @jonathanmohamedphoto
O encerramento ficou por conta do Los Cafres, que apesar da chuva aqueceram nossos corações com seu reggae, fazendo dançar punks, metaleiros, alternativos, curiosos e góticos, encerrando a segunda noite com muita vibe boa.
Los Cafres, fotografia por Janis_phptography_col
O terceiro e último dia foi gelado, com poucos intervalos de sol no Simón Bolívar. Mesmo assim, a movimentação de pessoas foi intensa, com um fluxo constante de barracas sendo transferidas de palco em palco.
O dia começou com k93 no palco Bio, fazendo o chão de Bogotá vibrar e mostrando por que têm tanta trajetória.
Na sequência, no palco Plaza, Don Tetto trouxe um show carregado de nostalgia, mariachis e músicas conhecidas até pelos mais antisistemas. Luzes, fumaça e um fogo intenso que se sentia metros além do palco mostraram por que eles são a banda que marcou a adolescência de muitos e continuam sendo reis.
Don Tetto, fotografia por @jonathanmohamedphoto
Encerramos com El Cuarteto de Nos, que surpreendeu com um setlist de rock que não deixou ninguém parado. Saltos, danças e lágrimas acompanharam letras icônicas e irônicas, com Roberto dando tudo no palco, assim como o público que lotou a praça. Um encerramento digno do maior festival de rock da América Latina.
El Cuarteto de Nos, fotografia por @jonathanmohamedphoto
Assim encerra o maior festival de rock da América Latina. Às 22h, uma procissão de pessoas ainda cantava “indo para a casa do Damián”, buscando transporte para voltar para casa ou estendendo a noite em pequenos parques próximos, ou chegando em casa para descansar, mas todos falando do festival, lembrando cada momento, cada música, cada pogo — tudo para manter viva a memória que às vezes nos é ingrata.
Rock Al Parque 2025, fotografia por @jonathanmohamedphoto
NÃO CORTAR, NÃO REEDITAR, NÃO APLICAR FILTROS, MENCIONAR/ETIQUETAR Janis_phptography_col E @CULTURAEMPESO

