Em 27 de dezembro de 2025, em pleno período de festas de fim de ano, a segunda parte das comemorações do 19º aniversário da Bam Bam Records aconteceu na Cidade do México, na icônica casa de shows Gato Calavera. Foi uma noite em que a cena punk se uniu para celebrar, resistir e vivenciar uma das últimas grandes catarses do ano. À frente de tudo estava o gênio por trás da gravadora, Israel “Bam Bam”, que orquestrou um evento que será lembrado por muitos anos.

Os primeiros participantes começaram a chegar ao local enquanto os preparativos finais ainda estavam em andamento. Às 19h em ponto, o evento teve início com uma programação que incluía mais de meia dúzia de bandas. Eskuadrón del Vizio abriu o show, preenchendo o Gato Calavera com distorção desde as primeiras notas. Com cervejas na mão, a multidão se acomodou enquanto luzes vermelhas, roxas e azuis criavam a atmosfera crua da noite.

A banda invadiu o local com músicas como “El planeta nos detesta”, “Nosotros somos la venganza”, “Estoy hasta la madre” e “Dios perfecto”, entre outras. Bam Bam pegou o microfone para saudar a multidão, prometendo brindes, cerveja e muita música boa. Mais tarde, ele se juntou à banda na bateria e nos vocais durante “Nunca cambiaré”, dando início a um show eletrizante.

Sem muita pausa, a próxima apresentação começou enquanto a multidão continuava a crescer. Coletes adornados com tachas e patches de bandas icônicas como Acidez (que se apresentou na primeira parte da celebração de aniversário), Non Servium (que encerrou o último festival Skatex) e os lendários Sex Pistols — pioneiros do movimento punk — começaram a preencher o local. Cabelos espetados, litros de gel e muita atitude estavam em evidência. Famílias inteiras também estavam presentes, deixando claro que este era um evento para todas as idades.

Foi assim que Bandera Roja subiu ao palco. Com sua longa barba tingida de vermelho, marca registrada da banda, o vocalista agradeceu ao público e aos organizadores enquanto a multidão os banhava com cerveja, gritos e os primeiros sinais de uma roda punk. Eles começaram com “Condenados”, do álbum Rebelión; mais tarde veio um dos momentos mais cantados com entusiasmo da noite com “Cerveza”, onde o coro de “cerveja, cerveja, vamos beber” incendiou completamente a atmosfera.
O show continuou com “Unidad y protesta”, do terceiro álbum da banda, a faixa-título “Bandera Roja”, do álbum Ideales de libertad, e “Mujeres a luchar”, dedicada a todas as mulheres presentes. Uma performance repleta de luta, ativismo de rua e resistência, fiel ao espírito punk.

Durante o intervalo, os presentes aproveitaram para tirar fotos, compartilhar histórias e recarregar as energias. A próxima banda a se apresentar foi uma das mais aguardadas da noite: La República HC, que agitou o local com seu som punk/skacore, fundindo dois mundos que coexistem na mesma luta.

Músicas como “Judas”, “Cero armas” e “Ratas/Metro” desencadearam uma torrente de energia. A roda punk explodiu imediatamente: punhos erguidos, empurrões fraternos e cervejas voando pelos ares. O saxofone teve seu papel, misturando ska com a agressividade do punk para criar uma sonoridade rápida e combativa. Antes de deixar o palco, a banda agradeceu a Bam Bam e encerrou o show com “La Casa de la Risa”, deixando o público pronto para o que estava por vir.

Um mezcal — a bebida dos deuses antigos — foi o acompanhamento perfeito antes da apresentação do Antisociales, que elevou a intensidade com uma performance repleta de mensagens e resistência. Canções como “Última guerra”, dedicada ao povo palestino e ao fim do conflito, uniram os punks em uma roda punk contínua que duraria o resto da noite.

Bandanas erguidas, tachas contrastando e coletes se encontrando em uma catarse coletiva marcaram a atmosfera fraterna. Após o poderoso show de encerramento, foi a vez do Catarsis Liberada, liderado por Ricardo “Riky” Romero e “El Chino” na guitarra, que também apresentaram seu novo vinil, “Resiliencia Punk”, produzido pela Bam Bam Records.
A banda fez o show mais longo da noite e protagonizou uma das rodas punk mais intensas. Com mais de três décadas de experiência desde sua formação em 1990, eles tocaram clássicos como “Fachos no”, “Es mi vida el punk”, “No puedo esperar”, “Mario el sectario”, “Ruido”, “Barrio pobre”, “Nos quieren someter” e “Solo para ti”, além de novas faixas como “Autodestrucción”. Uma apresentação sólida e marcante.


O festival chegou ao fim com Lagarto Metunk, o projeto paralelo de Miguel Ángel “Lagartado” Núñez. Apesar de breve, o show foi poderoso e fraterno, com participações especiais do Garrobos e uma palpável sensação de camaradagem. O momento mais intenso veio com “Sacude el cráneo” (Sacuda a Caveira), que desencadeou uma das rodas punk mais selvagens da noite.
Essa foi uma das apresentações mais emocionantes da noite, já que todos reconheceram o forte laço entre eles e Bam Bam, que trilharam o mesmo caminho por anos e construíram uma amizade singular. Foi uma das apresentações favoritas da noite, em que não conseguíamos parar de mexer o corpo ao ritmo daqueles riffs violentos e combativos.

A banda Herejía, fundada na década de 1980, se apresentou em seguida, mantendo um alto nível de performance com clássicos como “Regresa Quetzalcóatl” e “Secta Suicida”, mostrando uma formação que mescla experiência e novos talentos. A banda também era uma das mais aguardadas da noite, já que sua longa história a torna uma das representantes mais antigas do punk mexicano. Eles criaram uma atmosfera fantástica, com a roda punk frenética do começo ao fim.

Um verdadeiro clássico para os amantes do punk que também aspiram a abraçar a cultura mexicana, Herejía deu uma aula magistral de boa música na celebração, com um show sólido e uma performance impactante, não recomendada para os fracos de coração. Mestres da cena, ainda em plena atividade.

Com a aproximação do amanhecer, alguns participantes começaram a ir embora, com o coração cheio de alegria. No entanto, os mais dedicados permaneceram até o fim. Por volta da 1h da manhã, a banda Graffiti 3x subiu ao palco para encerrar a festa. Liderada por Roberto Wong “Monstruo” e acompanhada por Francisco Gatica, Jordy Bar e Ricardo Soto, a banda deu início à apresentação com “Barrio pobre”, do álbum Esto no es un juego.

Durante casi hora y media, Graffiti 3x recorrió su historia con temas como “Al filo de la cordura”, acompañados por amigos de Garrobos, recordando el tour conjunto “Garroffiti” realizado años atrás. Entre brindis, risas, sudor y fraternidad, el festejo llegó a su fin.
Por quase uma hora e meia, o Graffiti 3x revisitou sua história com músicas como “Al filo de la cordura”, acompanhados por amigos do Garrobos, relembrando a turnê conjunta “Garroffiti” de anos atrás. Entre brindes, risos, suor e camaradagem, a celebração chegou ao fim.

O 19º aniversário da Bam Bam Records nos lembrou que a música une, que nem tudo se resume a produções de grande orçamento e cifras milionárias, e que a camaradagem da cena underground é difícil de igualar. Obrigado à Bam Bam Records pelo apoio e pela energia compartilhada.
Até a próxima. Vida longa ao brutal volume.

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