
Cada vez mais, observamos que o tempo passou e está passando para algumas bandas. Ainda bem que este não é o caso dos gaúchos da Distraught, que no dia 13 de julho deste ano, lançaram o EP InVolution, de forma independente, e que contou com a mixagem de Benhur Lima e arte da capa feita por Marcelo Vasco.
Porém, este review em particular, a ideia é fazê-lo com outra abordagem: direcionado (também) àqueles que nunca ouviram falar da banda, ou apenas conhece por nome e não o som.
Por que ouvir e recomendar a banda?
Com 35 anos de estrada, 4 álbuns (sendo 1 ao vivo), 3 singles, InVolution é uma verdadeira “voadora” para aqueles que ainda insistem em dizer que “não existem mais bandas de metal no Brasil”.
Falar de algo novo da Distraught, sem remeter aos antigos trabalhos e toda a trajetória, é quase impossível. Então, a tentativa aqui é opinar como se tivesse ouvido pela primeira vez, e desprender de todo um pré-conceito, e não fazer com que “para entender este, tem que saber a história, data de nascimento” etc.
O EP é carregado de peso e de uma brasilidade rítmica viciantes, pra nenhum fã de thrash metal, (ousar!) botar defeito. E como toda música deste estilo, não faltou a crítica social (extremamente pertinente, diga-se de passagem) nas letras.

Aqui a banda prova que o tempo não a afetou: as faixas “Bloody Mines” e “Extermination of Mother Nature” já chegam rasgando com uma fúria instrumental que mostra que a Distraught não perdeu o fôlego. O que mais impressiona é a bateria brutal de Thiago Caurio, que comanda o caos com uma precisão cirúrgica e uma intensidade que é a espinha dorsal do EP. Ele não apenas dita o ritmo, ele molda a agressividade de cada música.
Junto a essa base sólida, a performance vocal é um espetáculo à parte: André Meyer navega entre o gutural e o rasgado com uma facilidade que eleva o peso das letras.
Em “Aether” e “Truth Denied”, o vocal soa ainda mais incisivo, entregando a crítica social com uma urgência que faz as palavras pesarem ainda mais. É uma combinação letal: uma máquina rítmica imparável e uma voz que grita contra as injustiças, como se o tempo não tivesse passado.
O EP culmina com a faixa “Setfire”, deixando a impressão de que a banda ainda tem muito a oferecer. InVolution não é apenas um EP de uma banda veterana. É a prova de que a experiência pode se traduzir em um som ainda mais pesado e afiado. Para quem está entrando agora no mundo do metal brasileiro ou para quem achava que a “época de ouro” já havia passado, o Distraught está aqui para provar o contrário. Eles não estão presos ao passado: estão usando-o para trilhar um futuro ainda mais promissor, e é isso que faz de InVolution um lançamento essencial.
Tracklist:
1.Bloody Mines
2.Extermination of Mother Nature
3.Aether
4.Truth Denied
5.Setfire
Nota: 10/10

