No passado domingo, 25 de janeiro, a Sala Tejo da MEO Arena foi invadida por um verdadeiro baile. Pelas mãos da Prime Artists, Lisboa recebeu um dos maiores nomes do metal moderno da atualidade: os Electric Callboy, que deram uma grande festa do início ao fim. A acompanhá-los no cartaz, duas aberturas de peso e atitude: WARGASM e Bury Tomorrow.
Os alemães encerraram oficialmente a sua Tanzneid World Tour com um concerto completamente esgotado, e a festa foi garantida: pirotecnia, confettis, múltiplos atos cénicos e uma energia absurda do início ao fim. Um detalhe que chamou muito a atenção foi a diversidade do público: muitas famílias, crianças pequenas acompanhadas por pais e mães, muita malta jovem, todos unidos numa celebração coletiva sem qualquer barreira geracional.
WARGASM

Pontualmente às 20:10, a dupla do electro-punk WARGASM invadiu o palco com energia máxima, dando o pontapé inicial nas festividades da noite. Milkie Way, na voz e baixo, e Sam Matlock, na voz e guitarra, foram recebidos com entusiasmo desde o primeiro segundo, cativando o público de imediato e colocando toda a sala a mexer.
A abertura com “Bad Seed” foi um soco. A Sala Tejo, já bastante cheia, entrou logo no espírito, com gente a bater cabeça e a dançar sem reservas. No ecrã surgia a frase “angry songs for sad people”, que resume perfeitamente o que se seguiu: um som raivoso, explosivo e, paradoxalmente, divertido.
O setlist girou maioritariamente em torno do Explicit: The Mixxxtape (2022), com temas como “Pyro Pyro”, “Fukstar” e “D.R.I.L.D.O”, além de singles lançados entre 2024 e 2025. A dupla mostrou-se extremamente comunicativa, puxando constantemente o público para mais perto, comandando a sala com naturalidade e carisma. Nos momentos de conversa, reafirmaram várias vezes a felicidade por estarem ali pela primeira vez e declararam o amor ao público.
Para fechar em grande, Sam atirou-se para o público num crowdsurfing enquanto continuava a cantar, arrancando uma reação imediata da sala. Foi uma abertura perfeita para aquecer motores, encerrando por volta das 20:40, com a sensação clara de missão cumprida.
BURY TOMORROW

Às 21:00, chegava um dos momentos mais aguardados da noite: o regresso a Lisboa dos britânicos Bury Tomorrow. E quando digo aguardado, era mesmo! A reação do público foi instantânea assim que a banda pisou no palco.
Abriram o set com “Choke”, e a sala, agora em peso, começou imediatamente a pular e cantar. Seguiram-se “DEATH (Ever Colder)” e a marcante “Cannibal”. Após esta última, houve uma pausa para conversa, onde o vocalista Daniel Winter-Bates falou da felicidade por regressarem a Lisboa e por encerrarem a tour ali, sentimento claramente partilhado pelo público.
Um dos momentos mais bonitos aconteceu quando Daniel avistou uma criança na grade e perguntou a sua idade. A resposta, 6 anos, arrancou aplausos e sorrisos, reforçando aquela ideia que tanto repetimos mas que ali fazia todo o sentido: o metal não tem idade. Num momento mais emocional, falou ainda sobre a importância das amizades e das pessoas queridas ao nosso lado, pedindo que todos se abraçassem, e assim foi.
O setlist foi uma viagem pelos 20 anos de carreira da banda, sem falhas nem pontos mortos. “Boltcutter” trouxe os primeiros crowdsurfers, “Let Go” veio acompanhada de palmas coordenadas, e “Villain Arc” começou com a pergunta clássica: “estão cansados?”. A resposta foi um não coletivo.
Em “What If I Burn”, as lanternas dos telemóveis iluminaram a sala, criando um momento mais íntimo. Mas um dos pontos mais altos veio com “Black Flame”, quando Daniel pediu que as pessoas subissem aos ombros umas das outras, e muitas obedeceram. Os crowdsurfings escalaram, e Daniel ainda desceu à grade, juntando-se à malta, elevando a emoção dos fãs.
Fecharam com “Abandon Us”, numa apresentação irrepreensível. A banda mostrou que sendo a mais antiga do cartaz, continua extremamente afiada, carismática e com um som impecável. Após 45 minutos de concerto, saíram ovacionados, ainda mais queridos, e com promessa de retorno.
ELECTRIC CALLBOY

A expectativa estava no ar. Às 22:13, as luzes apagaram-se, e exatamente às 22:15, os Electric Callboy tomaram conta da Sala Tejo. A partir dali, não houve quebras: apenas picos constantes de energia, com o público em completo transe, mergulhado num baile rave-metal.
Abriram em grande com “TANZNEID”, tema que dá nome à tour. Logo de cara, uma estrutura de palco gigantesca, pirotecnia, explosões, confettis e um enorme X suspenso com ecrãs LED dominaram o espaço. Ninguém ficou parado!
Sem tempo para respirar, chamaram atenção para Frank Zummo, membro mais recente da banda e também membro dos Sum 41, e lançaram uma cover de “Still Waiting”, ao estilo Electric Callboy. A primeira pausa veio logo depois, com a banda a dizer que se sentia tão feliz como se fosse a primeira vez. Seguindo o set, no ecrã surgia a locomotiva para “Tekkno Train”.
No final do primeiro ato, o Robô surgiu para anunciar “Hypa Hypa”. Após a música, repararam numa fã com um cartaz de aniversário e colocaram toda a sala a cantar “Parabéns” em português, num momento simples e muito bonito. Seguiram-se “MC Thunder” e “Neon”, com várias pessoas nos ombros umas das outras, curtindo a festa lá do alto.
Como parte do espetáculo, trocaram de figurino para trajes de ginásio estilo anos 80, com perucas mullet, e atacaram “Pump It”, transformando a pista numa aula coletiva de aeróbica metal.
Noutra mudança de ato, veio “Hurrikan”, descrita pela banda como inspirada na música tradicional alemã, antes de tudo se transformar numa rave com luzes intensas e batidas eletrónicas no DJ set Electric Bassboy. Aqui surgiram versões de clássicos como “All the Small Things” dos Blink‑182 e “Bodies” dos Drowning Pool, com toda a sala a cantar e dançar.
O Robô voltou ao ecrã e fomos apresentados a um lado mais pesado da banda com “Revery”, seguindo de “Hate/Love” e “Mindreader”, onde foi pedido um circle pit, e o público obedeceu. Mas não era um mosh de guerra: era um mosh feliz e colorido, cheio de sorrisos. Caos, sim, mas saudável!
O medley “Monsieur Moustache vs. Clitcat / Muffin Purper-Gurk / We Are the Mess / Crystals” desafiou os fãs mais antigos e colocou toda a gente sentada no chão. Um dos momentos mais marcantes veio com o drum solo, com o Robô ao fundo e Zummo a soltar uma intro de “Raining Blood” brevemente dos Slayer, antes de mostrar toda a sua técnica e potência.
Num momento mais íntimo, Nico Sallach e Kevin Ratajczak surgiram no meio do público, convidando todos a sentarem-se novamente. À capela, cantaram os refrões de “I Want It That Way” dos Backstreet Boys, com a sala inteira em coro. “Fuckboi” surgiu em versão acústica, seguida de “Everytime We Touch”, que começou no meio da multidão e terminou no palco. Já de volta ao posto original, vieram “MC Thunder II (Dancing Like a Ninja)” e “Elevator Operator”, deixando todos ainda mais loucos e animados.
Após uma breve saída, regressaram para o encore, mesmo já perto da meia-noite. O público, cansado mas insaciável, manteve-se firme. Voltaram com capacetes brilhantes como no clipe de “RATATATA”, com participação das BABYMETAL no ecrã. Seguiram com “Spaceman”, agora todos vestidos de astronautas, e encerraram com “We Got the Moves”, num gran finale com ainda mais pirotecnia, calor e confettis.
Às 23:55, o espetáculo terminou com agradecimentos emocionados e uma sala em êxtase. Mesmo na saída, fãs continuavam a cantar, sorrir e comentar cada momento. Mesmo para mim, que não sou fã do género, é impossível negar a devoção, a entrega e o quão divertido é fazer parte disto!
SETLIST:
- TANZNEID
- Still Waiting (Sum 41 cover)
- Tekkno Train
- Hypa Hypa
- MC Thunder
- Neon
- Pump It
- Hurrikan
- All the Small Things / Bodies (Electric Bassboy)
- Revery
- Hate/Love
- Mindreader
- Medley: Monsieur Moustache vs. Clitcat / Muffin Purper-Gurk / We Are the Mess / Crystals
- Drum Solo
- Fuckboi (Acoustic)
- Everytime We Touch (Maggie Reilly cover)
- MC Thunder II (Dancing Like a Ninja)
- Elevator Operator
ENCORE: - RATATATA
- Spaceman
- We Got the Moves

