No passado sabbath, dia 21 de março, o For Doom The Bell Tolls Fest contou com cinco bandas incríveis que mostraram toda a força do doom, stoner e metal, transformando o palco numa experiência intensa e envolvente.
The Chapter

Os The Chapter, de Lisboa, assentes num death doom melancólico e consistente, mostraram segurança ao longo de toda a atuação, mantendo um registo coeso e alinhado com a sua identidade sonora.
O concerto teve início com “Halocline”, funcionando como uma introdução eficaz ao restante alinhamento. A setlist centrou-se sobretudo em Delusion of Consciousness, com a banda a percorrer várias faixas do álbum de forma contínua. Houve também espaço para temas de Angels & Demons, o que trouxe alguma variedade dentro do mesmo registo e evidenciou diferentes fases do percurso do grupo.
A reta final com “Librarian” e “Shattered” encerrou a atuação de forma direta e sem desvios, mantendo o tom consistente até ao fim.
Santa Planta

Os Santa Planta, trio oriundo de Madrid, trouxeram ao palco uma abordagem direta ao stoner/doom, assente em riffs pesados e bem definidos.
Embora toda a banda tenha demonstrado boa energia em palco, a baterista destacou-se pela sua presença expressiva. Sempre sorridente e muito energética, transmitiu uma dinâmica contagiante. Para além disso, contribuiu também a nível vocal em alguns temas, acompanhando o guitarrista/vocalista e acrescentando maior profundidade ao som ao vivo.
Musicalmente, o trio conseguiu envolver o público com riffs marcantes e secções mais arrastadas típicas do género, criando momentos de impacto que prenderam a atenção da audiência. A interação entre os elementos foi evidente, resultando numa atuação equilibrada, com boa energia, entrega e capacidade de ligação ao público.
Meltem

Os Meltem, de Barcelona, pela primeira vez em Portugal, apresentaram uma proposta assente num psychedelic doom rock que combina elementos de doom, rock e psicadelismo com influências da música folk e tradicional da bacia do Mediterrâneo. Esta fusão resultou numa sonoridade distinta, que se destacou pela sua identidade própria dentro do alinhamento do festival.
A atuação centrou-se sobretudo em temas de Mare Nostrum, com a banda a explorar as várias camadas do álbum de forma consistente ao vivo. Houve também espaço para incluir algumas faixas da demo, o que acrescentou variedade ao concerto e permitiu perceber melhor a evolução do seu som.
Em palco, os Meltem mantiveram uma execução sólida, conseguindo transportar para o público a componente mais atmosférica e envolvente da sua música. No geral, foi uma atuação coesa, marcada pela consistência e por uma abordagem diferenciada dentro do género.
God’s Funeral

Os God’s Funeral, oriundos de Tarragona, Catalunha, também pela primeira vez em Portugal, apresentaram-se com uma proposta fiel ao doom/death metal, marcada por um som arrastado e denso, em linha com o próprio nome da banda. A sua abordagem destacou-se pela consistência e por uma sonoridade pesada, construída sobre ritmos lentos e atmosferas carregadas.
A banda cantou integralmente na sua língua, o que reforçou a identidade do grupo e trouxe uma autenticidade particular à atuação, sem nunca comprometer a clareza ou impacto das músicas.
Ao longo do concerto, a banda conseguiu estabelecer uma ambiência próxima de uma “missa fúnebre”, com o público a ser envolvido pelo peso e cadência dos temas. O resultado foi uma atuação coesa e sólida, que manteve um registo consistente do início ao fim.
Music In Low Frequencies

Os Music In Low Frequencies, conhecidos como M.I.L.F, são um trio português que explora uma fusão de doom, sludge e black metal, com um som carregado de melodias sombrias, riffs pesados e passagens típicas do doom. A banda mostrou-se coesa, mantendo uma entrega firme ao longo de todo o concerto.
O alinhamento centrou-se no álbum Catharsis, incluindo faixas como “Web of Questions”, “Unborn Pride”, “This Corpse” e “Steel”. Para encerrar, tocaram “Unconsciousness” e “Starving the Weak”, acompanhadas pela projeção dos videoclipes de cada tema atrás do palco, o que acrescentou uma dimensão visual que reforçou a atmosfera pesada e imersiva da sua música.
Em palco, o trio conseguiu criar uma experiência intensa e envolvente, equilibrando peso e melodia de forma eficaz. A combinação entre som e imagem proporcionou ao público uma performance marcante, sólida e alinhada com a identidade do grupo.
Uma noite com uma atmosfera única e inesquecível na DRAC, reforçando o papel do festival e do espaço na promoção do underground nacional e internacional. 🤘
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