“LAMENT” EM SAN LUIS POTOSÍ

Um dia de incerteza…
A tarde de 14 de junho de 2025 estava nublada quando chegamos à cidade de San Luis Potosí. Tudo parecia em ordem à medida que o dia avançava, mas mal sabíamos o peso que os participantes teriam no futuro. Por volta das 18h, chegamos ao local originalmente programado: El Centro de Las Artes. Já havia algumas barracas de produtos e vários fãs em fila, animados e ansiosos. O horário de entrada previsto era 19h.
No entanto, aproximadamente dez minutos antes desse horário, a produtora anunciou que o evento não ocorreria conforme o planejado. Para surpresa e perplexidade dos participantes que continuaram a chegar, foi anunciado que o show foi remarcado para o dia seguinte em um novo local na cidade, devido às condições climáticas. Ao mesmo tempo, foi anunciado que a data programada em Zacatecas foi oficialmente cancelada, embora o transporte fosse providenciado para os fãs que desejassem comparecer em San Luis Potosí.

Rostos tristes, tristes e raivosos podiam ser vistos — e com razão — enquanto os fãs deixavam o local, tentando reorganizar seus planos. Alguns conseguiram se adaptar ao novo itinerário; outros não tiveram a mesma sorte. Sem mais nada para fazer, nos juntamos a outros fãs para passar um tempo passeando pela cidade.
A Redenção.
Ao anoitecer de 15 de junho, o novo espaço começava a ficar movimentado. A Cineteca Alameda, uma joia arquitetônica no centro histórico, foi o local escolhido para finalmente receber o Lacrimosa. Os presentes chegaram pontualmente, ansiosos para ver a banda alemã apresentar seu último lançamento, Lament.

Em meio a trajes góticos, maquiagem pesada, correntes, coroas, delineador ousado e camisas xadrez pretas e brancas, o clima era de festa. Lá dentro, um estande oficial de produtos oferecia álbuns, camisetas, copos comemorativos, cordões e outros itens. Os preços variavam de US$ 11 a US$ 50, dependendo do produto.

O local era bastante acolhedor: paredes de teatro decoradas, camarotes perto do palco e bastante espaço para circular e aproveitar. Fãs — tanto de San Luis Potosí quanto de Zacatecas — tomaram seus lugares enquanto a animação tomava conta do ar. A atmosfera era familiar, acolhedora e vibrante. Às 21h, com a pontualidade suíça (típica dos alemães), as luzes se apagaram e o show começou.
O show começou com uma introdução acompanhada por um telão exibindo todas as cidades programadas para a Lament World Tour 2025, com um apêndice especial: “A Turnê Mexicana”, em reconhecimento ao grande número de datas programadas no país. Jan Peter, Yenz e Julien foram os primeiros a aparecer, recebendo aplausos estrondosos. Anne Nurmi e Tilo Wolff os seguiram, recebendo uma ovação efusiva.
A abertura foi impactante com “Avalon”, onde Tilo surpreendeu a todos ao tocar o trompete com admirável precisão. “Der Morgen Danach” seguiu, elevando a adrenalina da plateia com sua atmosfera dramática. Tilo se moveu, dançou e tocou com as mãos, enquanto Anne harmonizava com maestria. A catedral do metal gótico se ergueu majestosamente.
Com “Liebe über Leben”, Tilo controlou a energia da plateia. “Not Every Pain Hurts” e “Celebrate the Darkness” seguiram, levando o público a uma jornada que abrangeu toda a discografia da banda. Foi um show de duas horas e meia com um repertório profundo, variado e perfeitamente executado.

Em “Alleine zu zweit”, Tilo subiu em um dos camarotes dramaticamente iluminados, criando uma cena sinistra e poética. O público começou a deixar seus assentos para se aproximar do palco, especialmente quando “Lichtgestalt” foi cantado o tempo todo, marcando um dos pontos altos da noite.

Então veio o momento mais teatral e melancólico. Anne assumiu o centro do palco em faixas como “Ich verlasse heut’ dein Herz”, seguida por “Schakal”, que fez todo mundo pegar o celular para gravar. Um dos destaques foi “Dark Is This Night”, uma das favoritas do novo álbum. A performance de Anne foi impecável: seu timbre, entonação e presença de palco deixaram a plateia sem fôlego.
A apresentação de novos materiais continuou com “Ein langer Weg”, onde Yenz abriu com um solo brilhante. Embora tenha havido uma pequena falha sonora, ela foi rapidamente resolvida. Yenz continuou seu papel principal em “Kelch der Liebe”. Mais tarde, “Du bist alles was ich will” gerou uma forte conexão emocional. Um simi gótico e um arlequim também apareceram durante o concerto, ambos calorosamente recebidos por Tilo.

O momento íntimo veio com “Lament”, a peça central do novo álbum. A apresentação foi introspectiva e reflexiva. Tilo falou da ferida, dos lamentos que só podem ser curados olhando para nós mesmos com honestidade. Então, “Rote Sinfonie” assumiu o controle com seu piano solene e voz ressonante, dando lugar a “Daughter of Coldness”, cantada por Anne com intensidade etérea. Finalmente, “Durch Nacht und Flut” e “Memoria” concluíram esta parte emocionante do recital.

Após uma breve pausa, a banda deixou o palco. O público continuou a aplaudir e a pedir mais. Lacrimosa retornou, e Tilo ofereceu sinceras palavras de agradecimento e desculpas. Ele reconheceu os esforços do público de San Luis e Zacatecas e expressou sua profunda gratidão. Sem mais delongas, ele deu início à estreia ao vivo de “Metamorphobia”, uma música intensa e energética com notas de piano e bateria pulsante.
A banda não diminuiu o ritmo. “Punk & Pomerol”, a faixa mais rápida do novo álbum, foi executada com uma precisão impressionante que muitos músicos desse calibre desejariam para um disco como esse. Tilo e Anne dominaram o palco; a plateia não parou de se mexer. Por fim, “Ich bin der brennende Komet”, do álbum Echos de 1999, encerrou o show com um estrondo, liberando a explosão final de energia na casa de shows.

Um concerto intenso, catártico e memorável. Embora o público possa ter sido reservado em alguns momentos, houve comprometimento e conexão. Lacrimosa continua a demonstrar que sua relevância, teatralidade e poder de palco estão mais fortes do que nunca. Obrigado, Lacrimosa. Obrigado, Cantodea. Até a próxima.
Vida longa a Tilo Wolff, Anne Nurmi, Yenz Leonhardt e Julien Schmidt.

