No sábado passado, o Route 206 voltou a abrir portas ao underground com o RouteFest206. Foram quatro bandas a subir ao palco, num ambiente marcado pela intensidade do início ao fim.
NOTHISERA

Os NOTHISERA deram início à noite no RouteFest206 com uma descarga de death/groove metal que não deixou margem para aquecimento. Entraram fortes com “Unbalanced Liberty”, rapidamente seguidos por temas como “Vacuum”, “Vessel of Evil” e “Save Me”, sempre com uma presença intensa e sem pausas. Entre temas, ainda houve espaço para humor – prometeram uma “balada”… que acabou por ser tudo menos isso, com “Gold Disease” a fechar o set de forma brutal.
Desde os primeiros minutos, o público respondeu à altura. Os primeiros headbangs não demoraram a surgir e rapidamente o ambiente evoluiu para circle pits e uma energia constante em frente ao palco. A ligação entre banda e público foi imediata, criando o tom certo para o resto da noite.
O caos foi tal que até o próprio Tozé, dono do Route 206, entrou na brincadeira – acabando por ter de “controlar” o circle pit com um sinal de perigo lá no meio. Um início de noite intenso, descontraído e carregado de energia, exatamente como se quer num evento dedicado ao underground.
VILEDÖG

Os VILEDÖG, apesar de serem a banda mais jovem do cartaz, mostraram uma consistência e energia que não passaram despercebidas. Com uma atitude confiante e direta, subiram ao palco prontos para provar o seu lugar no underground.
A apresentar o seu mais recente trabalho, “Appetites” (lançado a 30 de janeiro de 2026), abriram com “Vile Hounds”, seguindo-se “Appetites” e “Mirror” – este último fora do alinhamento do EP. O set continuou com “Remains” e terminou com “Plastic Saints”, sempre com uma execução sólida e cheia de presença. Pelo meio, houve ainda espaço para momentos de destaque individual, com solos de guitarra e de baixo a darem ainda mais dinâmica à atuação.
A energia manteve-se constante tanto em palco como no público. Não faltaram headbangs de ambos os lados, numa troca direta de intensidade que manteve o ambiente vivo do início ao fim. Uma atuação segura e cheia de atitude, que confirmou o potencial da banda ao vivo.
ATAVICO

De seguida, subiram ao palco os ATAVICO, trazendo uma abordagem mais atmosférica e imersiva à noite. Apesar de serem um projeto recente no underground, impressionaram pelo percurso rápido: em apenas dois meses criaram seis temas e chegaram ao palco após apenas nove ensaios, demonstrando uma intensidade e foco pouco comuns.
Os temas ainda não se encontram publicados, o que tornou a experiência ainda mais crua e exclusiva para quem estava presente. No entanto, foi possível aceder à setlist completa, fornecida pela própria banda, composta por “Meskhetiu”, “Undeserving Dirt”, “Bearer of Blades”, “Cantiga de Lume e Têebra”, “Primordial Dirge” e “From the Grain of Sand to the Nebula”. Uma sequência coesa que reforçou o lado conceptual e atmosférico da banda.
Um detalhe que não passou despercebido foi o facto de todos os elementos estarem descalços em palco, contribuindo para uma presença mais ritualista e ligada à identidade sonora que apresentam. O concerto destacou-se pela intensidade e pela atmosfera densa, criando um momento distinto dentro da noite – mais introspectivo, mas igualmente poderoso.
Haunted Minds

Como já se percebeu, a noite esteve tudo menos calma – e os HAUNTED MINDS não foram exceção. O baixista acabou por não subir a palco devido a uma lesão no braço, depois de se ter “divertido” demasiado nos concertos anteriores. Notou-se a ausência? Sim. Mas, ainda assim, a banda conseguiu entregar um concerto sólido, cheio de energia e atitude, sem nunca deixar o ritmo cair.
Iniciaram o set sem máscaras com “Mind Illness”, seguindo-se uma breve pausa para entrarem na sua estética completa em palco. A partir daí, o concerto ganhou outra dimensão com temas como “Insane Maze”, “Shattered Bloodline”, “I’m the Real God” e “Exorcist”, mantendo sempre uma presença intensa e envolvente.
A meio do concerto, o caos instalou-se – alguém no público a cuspir fogo, circle pits constantes e o já habitual “controlo” improvisado do Tozé com o sinal de perigo. Um cenário que parecia descontrolado, mas que se manteve sempre dentro dos limites. Para fechar a noite, chamaram a Telma ao palco para uma cover de “Territory” dos Sepultura, com o vocalista a descer para o meio do público e a terminar o concerto em pleno headbang coletivo. Um final caótico, energético e memorável.

Num cenário onde nem sempre é fácil para bandas encontrarem espaço para tocar, iniciativas como o RouteFest206 mostram a importância de manter viva esta cultura, dando palco a projetos emergentes e criando momentos reais de partilha.
Apesar de a adesão ter rondado apenas as 50 a 70 pessoas – compreensível tendo em conta outros eventos a decorrer no mesmo dia – isso não diminuiu em nada a intensidade da noite. Pelo contrário, criou-se um ambiente mais próximo, onde banda e público estiveram verdadeiramente ligados.
Uma coisa ficou garantida: humor, energia e espírito de comunidade. Foi uma noite memorável, daquelas que provam que o underground não se mede em números, mas sim na entrega de quem lá está.
Durante a noite, tivemos ainda a oportunidade de entrevistar todas as bandas presentes. Os vídeos dessas conversas vão ser publicados nos próximos dias no Instagram, dando a conhecer um pouco mais de cada projeto para quem não pôde estar presente.
Fiquem atentos!🤘
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