Vocês devem se perguntar: “O que de tão glorioso passou nesse festival?” Mas os comento que a música é gloriosa, heavy metal é a própria glória e a beleza dos Pirineus… incrível e majestosa.

Como já é o habitual, chegamos um dia antes para presenciar a passagem de som das bandas e obviamente a pré-party, onde tiveram DJs discotecando os temaços mais incríveis que a gente adora. Caras conhecidas, novas caras… toda a gente junta e misturada.
SHINEEE SHINE ONN INTO THE DARKNESS…
Logo no sábado, 13 de setembro, o tão esperado dia, começou tudo muuito cedo. Caras amassadas (principalmente os do camping) e cafézinho na mão antes da batalha começar. A primeira banda a tocar é o Blind Wisdom. Daquele jeitinho né! Espadas medievais para lutar contra um dragão no meu mais profundo pensamento esquizo. Eles se lançaram ali no palco com tanto ânimo e força que incrivelmente cativou os que estavam ali com praticamente uma jornada épica. Eles fazem aquele power metal um pouco heavy, sempre com um climão grandioso. As músicas têm riffs melódicos, vocais fortes e momentos bem trabalhados e nada atropelado. Ao vivo, eles seguram muito bem a onda, sabendo equilibrar partes mais rápidas com trechos mais atmosféricos, o que deixa o show dinâmico.
Star Rider, para os que não conhecem, é uma banda francesa que chegou com tudo na chuva chata que caia, mas isso não nos desanimou. O que mais notamos foi a energia! Eles mandam ver naquele heavy/speed metal raiz, com riffs e vocais alternados que variam entre gritos e partes mais cantadas, e uma bateria que não dá descanso. O visual do palco é simples, sem muita firula, mas o som compensa tudo — é direto e na cara. A galera vibra bastante, canta junto, e dá para sentir que eles tocam com paixão de verdade. Não é aquele show todo produzido e teatral, mas é sincero, intenso e para quem curte som de verdade.
Solicitor chegou quebrando tudo com o seu speed metal brutal, as cabeças a bater, gritos e suor. Uma energia inexplicável e toda a gente se divertindo e bebendo. Tiveram um pequeno problema técnico, mas isso não abalou a apresentação deles. A Amy Lee Carlson é uma vocalista absurda com carisma de sobra, voz poderosa, presença de palco de deixar qualquer um hipnotizado desgraçando nos vocais do começo ao fim. Eles não vêm para agradar, vêm para destruir mesmo, no melhor sentido. A banda como um todo é super afiada, os riffs são cortantes, a bateria é uma máquina, e tudo soa pesado, rápido, certeiro. O mais legal é que eles mantêm a energia lá no alto o tempo todo, mas sem perder a técnica. Quem assiste não fica parado e dá para sentir aquela pegada do metal old school com uma força moderna.
Wings Of Steel entra no palco com sua presença magnética e suas guitarras afiadas. Atraíram olhares e interesse da galera que não os conhecia e puderam agradar a toda gente que ansiava por vê-los. Tocaram temas fortes e conhecidos que agitavam todo o público. Em resumo: mandam muito bem ao vivo. Aquela banda que soa quase igual (ou até melhor) do que no estúdio. O som foi limpo, bem equilibrado e marcante com aquele impacto forte. Eles já tocaram em vários festivais importantes, o que se nota pela presença de palco que eles têm. O show é intenso, mas muito bem controlado: nada soa embolado, cada instrumento tem seu espaço. Dá para curtir tanto a energia quanto os detalhes. É o tipo de banda que convence ao vivo e te faz querer sair procurando o disco depois.
Triumpher, como dizem uns,” o Manowar da Grécia”. Pensa nuns caras gente boa, simpáticos, com cara de malvados no mesmo pique do Rotting Christ, mas afinal cantam o verdadeiro heavy metal como gostamos. Entre chuviscos e câmeras com as lentes condensadas, thriumper deu um showzaço misturando peso com atmosfera. Eles apostam num heavy metal bem épico, com umas pegadas mais sombrias aqui e ali, o que deixa tudo ainda mais interessante. O vocal tem bastante presença, interage com o público e segura a vibe com atitude. Quando estão no palco, dá para ver que rola uma construção de clima: tem hora que é puro ataque, e depois vem aquela calmaria tensa que só aumenta a expectativa e do nada ataca outra vez.
Q5
O Q5 é daquela pegada direta e verdadeira, sem inventar moda. ” O VERDADEIRO HEAVY METAL”. Quando eles entram em cena, o metal fala alto, daquela forma crua, com um som dançante na medida certa, que remete aos tempos antigos, mas com frescor atual. Dá para notar que eles não tocaram só por obrigação, mas porque realmente amam o que fazem, isso se traduz na energia que passam ao público. A performance com “Steel the Light” mostrou que, apesar dos anos, continuam com a força e o coração na música. O resultado? Um show que te deixa com aquela sensação boa, sincera, de quem viu algo genuíno.
Riot City
Se o Riot City fosse um impacto, seria aquele soco no meio da cara que você aceita de boa e ainda quer repetir. A banda não brinca em serviço: velocidade, peso e uma intensidade brutal, que mantém os fãs em constante movimento. O vocal rasga com uma força heavy verdadeira, fazendo a multidão pular e cantar junto, enquanto as guitarras não dão um segundo de trégua. Dá para sentir que eles estavam se divertindo de verdade, e isso contagiava todo mundo ao redor. Saí de lá com a garganta quase acabada, mas com aquela adrenalina boa que só um show assim pode deixar. Foi pura bagunça gostosa, muito agito e os meninos ali super simpáticos e abertos a tudo.
Jag Panzer
Jag Panzer chega firme e técnica, mas sem aquela pegada engessada de quem vive de glórias antigas. A banda toca com precisão e atitude, e o Harry Conklin mantém sua voz poderosa como sempre, dominando o palco com autoridade. O repertório foi uma mistura equilibrada entre os hits que a gente conhece e músicas mais recentes, que encaixaram naturalmente, mantendo a energia alta do começo ao fim. Eles respeitam o passado, mas sabem bem que ainda têm muita coisa para mostrar. Foi um showzaço do início ao fim, onde todos ficaram maravilhados com a potência real que transmite o Jag Panzer, e nos lembra bandas que temos associadas com Harry Tyrant e Jag Panzer, como: Cloven Hoof, Heir Apparent, Riot, Tyrant e Satan’s Host.
Geoff Tate
No palco, Geoff Tate entrega algo mais profundo, menos barulho e mais sentimento para finalizar a noite. Não precisava de exageros para prender a atenção, a voz dele e a interpretação já seguram qualquer um. Quando ele começou a cantar, era possível já perceber que cada frase tinha um peso especial, e o público se conecta de um jeito quase hipnótico. As músicas clássicas do Queensrÿche ganham uma nova dimensão, e o show inclui momentos mais tranquilos que dão um respiro e fazem tudo fluir com naturalidade. É um tipo de apresentação que fica marcada na memória.
Eu poderia dizer muitas outras coisas descrevendo este festival, mas com muita satisfação os digo que, no meu conceito, faz, sim, parte das divindades dos festivais heavy tradicionais. Nos traz muita história, amizade e união. Centenas de pessoas que se deslocaram de outros países para prestigiá-lo saíram mais que contentes.
Nós da Cultura em Peso (e eu, Melissa) gostaríamos mais que nada de agradecer muitíssimo à equipe do Pyrenean Warrior Open Air. Foi a segunda edição que fizemos cobertura e posso dizer com todas as letras que foi incrível tanto o festival, como o tratamento dos trabalhadores do evento, o carinho que teve a produção para com a imprensa. Festivais assim, sim, que merecem a pena, elevam o nome do verdadeiro heavy metal o mais alto possível.

