Uma noite nostálgica se aproximava na sexta-feira, 20 de fevereiro. Do lado de fora do Foro Velódromo, a fila para entrar no show já era considerável: cerca de 300 pessoas estavam na fila, prontas para uma noite emocionante. A geração millennial era a principal assistente — com trinta anos ou mais —, embora também houvesse novas gerações que compareceram acompanhando seus pais.

As roupas falavam por si mesmas: meias listradas, cortes de cabelo clássicos da época emo, suspensórios, vestidos com babados, delineadores marcantes e camisetas pretas. Um público fácil de reconhecer, com um ambiente que parecia completamente amigável e cheio de expectativa.

photo by. @photohorus (Ubaldo G.)

Aproximadamente às 16h45 começou a entrada. Dentro do recinto, os primeiros participantes ocuparam seus lugares, enquanto outros saíam de um meet and greet que acontecia ao lado do Foro Velódromo. Pôsteres autografados, autógrafos na pele prontos para serem tatuados, discos e ingressos dedicados, o público saía feliz com seus grandes tesouros, além de fotos e cumprimentos com a banda americana.

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Por volta das 20h, a banda convidada começou a tocar. Uma introdução carregada de desesperança diante do abandono de um ser superior marcou o início, e depois disso San Venus, originária de Guadalajara, apareceu no palco. A banda mistura punk rock, rock alternativo e emo do meio-oeste, criando músicas com sons alegres, rápidos e consistentes, acompanhados por uma voz clara e letras focadas no superação pessoal.

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A banda foi muito bem recebida: o público aplaudiu, pulou e gritou junto com eles. Os primeiros mosh pits começaram a se formar sob a orientação do vocalista. Para alguns, foi uma proposta nova; para os mais experientes do gênero, a oportunidade de testemunhar o talento nacional representando esse estilo musical.

Os mexicanos mostraram-se confiantes no palco: moviam-se com desenvoltura, dominavam o microfone e, em geral, pareciam estar a desfrutar ao máximo. O seu set durou aproximadamente quarenta minutos, despedindo-se não sem antes agradecer a recepção e deixar os motores ligados enquanto o recinto continuava a encher-se.

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Às 21h em ponto, as luzes se apagaram novamente. A banda principal, Alesana, subiu ao palco entre gritos e euforia. A barreira estava completamente lotada; não havia espaço para mais ninguém nas primeiras filas. O grupo apresentou um show especial comemorando os 16 anos de The Emptiness, considerado um dos álbuns emblemáticos do gênero e peça-chave para a geração emo.

Curse of the Virgin Canvas” foi a primeira música a tocar e, a partir desse momento, o entusiasmo não parou até o final do show. A performance foi incrível, criando uma verdadeira conexão entre a banda e o público. Shawn Milke, com sua voz limpa, trazia um tom melódico e envolvente, enquanto Dennis Lee liberava a parte mais crua e visceral, provocando euforia coletiva. Eles continuaram com “The Artist”, “A Lunatic’s Lament” e “The Murderer”.

Na área do público, todos cantavam cada música; não havia momento em que alguém permanecesse em silêncio. O setlist continuou com “Hymn for the Shameless” e “The Thespian”. Do início ao fim, o álbum conceitual soou magnífico: guitarras técnicas, bateria veloz e uma noite carregada de nostalgia que nos transportou vinte anos atrás. Uma viagem direta àqueles tempos em que muitos buscavam pertencer e encontrar sua identidade.

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Então chegaram algumas das favoritas: “The Lover” e “To Be Scared by an Owl”, onde o mosh se intensificou. Também tocaram como faixa de fundo “Interlude 3” e “Interlude 4”, gerando tensão antes de cada música seguinte.

A última música do álbum apareceu e é uma das mais queridas: “Annabel”, a faixa mais longa do disco. Durante quase sete minutos, os celulares foram levantados — e também alguns isqueiros — evocando aquela época em que não existiam luzes LED, mas sim chamas reais acesas por amantes da música.

Após onze músicas interpretadas como se tivessem acabado de ser lançadas, ficou claro que o passar do tempo não enfraqueceu a banda; pelo contrário, consolidou seu caráter e precisão musical. Eles continuam em ótima forma, arrancando suspiros das fãs e demonstrando uma maturidade cênica evidente.

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Chegou o encore: uma breve pausa para se prepararem para o encerramento. Para o final, escolheram três temas-chave. Primeiro, “This Is Usually the Part Where People Scream”, do álbum Where Myth Fades to Legend. Depois, “Beyond the Sacred Glass”, de A Place Where the Sun Is Silent, canções que fizeram com que mais de um derramasse lágrimas.

A banda agradeceu ao México, descrevendo-o como um país fantástico, cheio de energia, e confessando que cada vez que voltam se sentem felizes e revitalizados. Essas palavras de incentivo deram lugar ao encerramento definitivo: “Apology”, uma das músicas mais cantadas desde suas primeiras visitas. Os últimos vídeos foram gravados e o clímax terminou com um final bestial.

Este show nos lembrou como superamos obstáculos quando tudo parecia complicado. Hoje, com mais experiência, entendemos que nunca estivemos sozinhos. Sempre houve um motivo: os amigos, a música; aquela música que nos ajudou a lutar contra nossos próprios demônios. Alesana deixa um ótimo sabor na boca na capital. O público volta para casa depois da foto comemorativa e de receber lembranças como canetas e baquetas lançadas no final. Nós também vamos embora satisfeitos.

Agradecemos o profissionalismo da Zepeda Bros, que continua apostando em shows de alto nível.

Vida longa ao volume brutal! Álbum de fotos em nosso Facebook.