Na última sexta-feira, pelas mãos da Prime Artists, a Sala 1 do LAV – Lisboa Ao Vivo foi palco do tão aguardado regresso dos Gaerea à capital. A última passagem por Lisboa havia sido no Evil Live Festival, quando anunciaram este concerto e o do Porto, realizado na noite anterior.

Após dois meses em tour pela Europa, uma das bandas de black metal mais respeitadas e aclamadas de Portugal encerrou o ciclo em Lisboa, em um regresso triunfal e simbólico, daqueles que ficam na memória. Abrindo a noite, os Apotheus trouxeram o seu poderoso prog-melódico, aquecendo a sala para o ritual que estava por vir.
O concerto foi um verdadeiro encontro de gerações, unindo veteranos e malta bastante jovem, um sinal claro da força crescente da cena nacional e do apoio genuíno que o público português tem dado às bandas da casa.
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APOTHEUS

Pontualmente às 20h45, os Apotheus subiram ao palco para dar início à celebração, entregando uma performance sólida e envolvente de metal progressivo e melódico com nuances modernas.
O setlist foi uma viagem pelos seus dois álbuns de estúdio, abrindo com “Caves Of Steel”, do The Far Star (2019). O público já se mostrava presente em peso à frente do palco, recebendo-os com entusiasmo crescente.
Seguiram com “Firewall” e “Shape and Geometry”, ambas do mais recente Ergo Atlas (2023), e à medida que as faixas se sucediam, o LAV enchia cada vez mais. Palavras de ordem, aplausos e energia contagiante tomavam conta da sala.
De volta às raízes, o vocalista Miguel Andrade anunciou “The Pull Of Plexeus”, dizendo que iriam regressar às origens, e o público respondeu aos gritos. Em seguida, apresentaram “The Unification Project”, e então veio a grande surpresa da noite: “Boundaries of Perception”, uma faixa inédita tocada apenas pela segunda vez ao vivo (a primeira foi no Porto, na noite anterior). O tema conta com a participação de Björn Strid, vocalista dos Soilwork, que surgiu no ecrã fazendo as segundas vozes.
Fecharam a performance com “A New Beginning”, sob uma chuva de aplausos. Às 21h25, encerraram sua atuação com a sensação de dever cumprido e o carinho evidente entre banda e público. Simplesmente encantadores!
SETLIST:
1. Caves Of Steel | 2. Firewall | 3. Shape and Geometry | 4. The Pull Of Plexeus | 5. The Unification Project | 6. Boundaries of Perception (inédita – tocada pela segunda vez ao vivo) | 7. A New Beginning
GAEREA

A espera era grande, e o público agora em alta e ocupando cada canto do LAV, vibrava de antecipação. Após alguns minutos, pontualmente às 22h, a intro ecoou pela sala e a malta explodiu em gritos. Os Gaerea entraram no palco um a um, e a cada cumprimento, a resposta era uma onda de euforia.
“Estão prontos, Lisboa?!”, ouvimos, antes do impacto absoluto de “Hellbound”, que surgiu monumental sob tons quentes e vibrantes, colocando imediatamente os crowd surfers em ação, passando por cima da multidão enlouquecida. Logo percebemos algo diferente: as máscaras. Em vez das habituais pretas, agora eram douradas, reluzentes, adicionando um toque de majestade à sua tradicional obscuridade.
Na sequência, “Submerged”, desta vez envolta em luzes frias, fez-nos mergulhar do inferno às profundezas do oceano, em uma viagem emocional e visual impecável. Ambas as faixas, lançadas em outubro e que integrarão o álbum LOSS (a ser lançado em março de 2026), mostram uma nova fase musical: vocais mais sumptuosos, sonoridade mais moderna e expansiva, mas sempre preservando a identidade densa, ritualística e inconfundível da banda. A prova do impacto? Todos cantavam as novas músicas de cor, alto e em bom som.
O palco estava belíssimo, adornado com toda a simbologia habitual da banda, agora reforçada pela capa do novo álbum ao fundo. Eu já havia visto um concerto poderoso no Evil Live, mas vê-los numa sala escura, elevou tudo a outro patamar.
Após algumas faixas, o frontman cumprimentou: “Boa noite, Lisboa!”, visivelmente emocionado, e esse carinho foi devolvido pela malta em forma de aplausos e gritos. O concerto equilibrava perfeitamente as novidades e uma forte revisitação aos últimos dois álbuns: Coma (2024), sendo o mais presente no set, e Mirage (2022).
E então veio “Hope Shatters” como um soco! Foi o primeiro grande ponto “ainda mais alto” do concerto: os crowd surfs duplicaram, os circle pits abriram com mais força, e dali em diante já não havia travões: só energia crescente, headbangs compulsivos e uma explosão coletiva.
Após outra breve conversa, o vocalista celebrou: “Que belíssimo regresso a casa!”,se referindo ao retorno ao seu país de origem. “Ontem no Porto foi incrível! Será o pessoal de Lisboa mais fervoroso?”, e assim a malta devolveu aos gritos, animados e emocionados. Assim, abriu espaço para “World Ablaze”, pedindo que todos saltassem – pedido mais do que prontamente atendido!
A explosão continuou com “Salve”, seguida da hipnótica “The Poet’s Ballet”, e depois a sombria “Mirage”, cada uma aprofundando ainda mais a atmosfera de culto que se instalava. Muita malta jovem se destacava no público, provando que a nova geração está a abraçar com força o metal, e isso foi lindo de se ver.
As intensas “Unknown” e “Laude” deram os últimos suspiros antes da saída da banda, por volta das 23h. O palco escureceu… mas ninguém arredou pé. Gritos de “Gaerea! Gaerea!” ecoaram, exigindo mais, e foram atendidos.
O vocalista regressou e pediu: “Quero as luzes de Lisboa lá no alto!”. Num instante, o LAV transformou-se num mar de lanternas brilhantes. E então veio “Wilted Flower”, imponente, emocionante, e carregada de entrega. O vocal exibia uma performance intensa, quase dolorosa, como característica, com a voz embargada enquanto se movia.
Por volta das 23h15, a banda se despediu devagar, absorvendo cada rosto à sua frente. Mandaram baquetas, palhetas, e num gesto inesperado, o vocalista desceu até à grade e abraçou o público. Um momento de puro amor e gratidão, difícil até de descrever.
Foi um reencontro lindo, triunfal e simbólico, deixando absolutamente claro o peso e a grandeza do nome que carregam.
Um agradecimento especial à Prime Artists, pela organização sempre impecável e pela dedicação em proporcionar uma experiência tão intensa e memorável. Agora, nos resta contar os dias até março de 2026, quando seremos novamente arrebatados pelo lançamento do novo álbum LOSS. Estamos ansiosos!
SETLIST: 1. Hellbound | 2. Submerged | 3. Hope Shatters | 4. World Ablaze | 5. Salve | 6. The Poet’s Ballet | 7. Mirage | 8. Unknown | 9. Laude | 10. Encore: Wilted Flower

