Na última quinta-feira, pelas mãos da Prime Artists, o Sagres Campo Pequeno transformou-se numa verdadeira arena de celebração do Power Metal. Debaixo de uma noite gelada e chuvosa, absolutamente nada poderia parar os fãs. Afinal, depois de sete anos, os lendários Helloween voltavam a Lisboa para entregar um espetáculo grandioso em todos os sentidos possíveis.
Comemorando os 40 anos de carreira, trouxeram uma produção impecável, carisma irresistível e as forças vocais que moldaram a história do género. A formação “Pumpkins United” com Michael Kiske, Andi Deris e o fundador Kai Hansen prova que o peso da idade não toca nos gigantes. Vocais absurdamente potentes, técnica impecável e uma presença de palco emocional, divertida e nostálgica.
Antes deles, os Beast In Black incendiaram o recinto com um espetáculo vibrante e explosivo. Continue lendo e confere tudo sobre essa noite absolutamente perfeita!
BEAST IN BLACK

Pontualmente às 20h, com o recinto já bem cheio, os Beast In Black subiram ao palco com uma energia intensa, contagiando a sala inteira logo na abertura. Misturando heavy metal, power metal, pedaços generosos de synth, pop e eletrónica, criam uma sonoridade divertida, dançante e impossível de ficar parado.
Abriram o set com o single “Power of the Beast”, e dali para frente foi um verdadeiro desfile de fãs, tanto os que já estavam ali também por eles, quanto os que rapidamente se converteram. Seguiram com “Hardcore” e “From Hell With Love”. Após esta, o vocalista Yannis Papadopoulos conversou com a malta e revelou um detalhe especial: naquela noite, os Beast In Black celebravam 10 anos desde o seu primeiro show.
Aproveitando o momento, regressaram ao passado com “Blood of a Lion”, recebida com entusiasmo. E aqui cabe uma observação importante: esta escolha como banda de abertura foi bem interessante. É como se o seu som fosse a ponte perfeita entre o futuro e o passado, com sua herança clara do power/heavy metal tradicional, mas com ousadia moderna. É um bom encontro de gerações, entre eles, e os Helloween.
Seguiram com “Sweet True Lies”, “Enter the Behelit” e, após nova pausa, anunciaram que o 4º álbum chega em 2026, arrancando gritos de alegria.
Os hits continuaram: “Cry Out for a Hero”, “Beast in Black”, “One Night in Tokyo”, até encerrarem com “No Surrender”. Ao final despediram-se e saíram do palco ovacionados, deixando claro que ganharam ali, facilmente, o dobro de fãs de quando chegaram.
HELLOWEEN

Desde o momento em que a cortina desceu exibindo o logo dos Helloween, a expectativa tomou conta do ar. Às 21h28, ouviu-se “Let Me Entertain You”, de Robbie Williams, como trilha mecânica que preparava o terreno para o espetáculo que estava por vir. Exatamente às 21h30, iniciou-se uma breve viagem visual por 18 capas de discos, sendo 1 do EP de estreia de 1985 e outras 17 dos álbuns de estúdio da banda, e depois, com a aparição da mítica pumpkin, o Campo Pequeno explodiu em aplausos e gritos enquanto a banda entrava em palco.
A abertura foi gigantesca: “March of Time”, do icónico Keeper Of The Seven Keys – Part II (1988). E o recinto se transformou num coro absoluto.
O som, como já esperado, estava impecável e estrondoso. E as vozes de Michael Kiske e Andi Deris? De invejar! Manter aqueles agudos ferozes, cristalinos e praticamente inalterados ao longo de tantas décadas não é para qualquer um. Os duetos são perfeitos, as vozes complementam-se como se fossem uma única entidade, e a química entre eles é transcendental. Ver a dupla lado a lado com Kai Hansen, fundador e lenda viva, é de emocionar qualquer fã. Além disso, há sempre aquele tom cômico e simpático dos três, que faz com que todos se sintam parte do momento.
Em 2019, tive a honra de vê-los ao vivo pela primeira vez, lá no Brasil, e posso garantir que esta noite foi ainda melhor. Na verdade, senti como se fosse a primeira vez de novo. Como sempre digo, é uma honra presenciar de perto os “dinossauros” que moldaram o meu estilo e o de milhares de pessoas, dos mais velhos aos mais novos. É de encher o coração!
A seguir, veio a primeira aparição de Keeper, conduzindo-nos por uma introdução sobre o passado e também por pistas do que iria acontecer ao longo do show. Esse momento abriu caminho para a épica “The King for a 1000 Years”, da fase mais moderna, retirada do álbum Keeper of the Seven Keys – The Legacy (2005). Hansen dominou completamente o palco, provando mais uma vez porque é um nome tão influente.
Depois disso, Deris e Kiske interagiram com a malta, exibindo todo o carisma que os faz serem tão queridos, e chamaram Hansen para a festa. Assim, juntos, trouxeram três coros que introduziram a clássica “Future World”, cantada de forma fervorosa por toda a sala.
A cada faixa, o palco se transformava, criando novas atmosferas com cenários magníficos no ecrã. E que palco maravilhoso aquele! Um universo visual que te transportava para dentro de cada música, como se fizéssemos parte delas. Em “This Is Tokyo”, o ecrã mostrava uma chuva torrencial tão marcante e tão realista que parecia cair fisicamente dentro do Campo Pequeno. Essa foi a primeira amostra do novo álbum Giants & Monsters, lançado em agosto deste ano.
Na sequência veio “We Burn”, destacando a fase Deris com protagonismo absoluto, pirotecnia nos refrões e o vocalista empunhando um lança-chamas enquanto todos cantavam e “pegavam fogo”. “Twilight Of The Gods” devolveu o spotlight a Kiske. Em seguida, uma nova aparição breve do Keeper antecedeu a pancada de “Ride the Sky”, onde Hansen novamente mostrou que os seus agudos permanecem tão afiadas quanto sempre foram.
Com os vocais intercalados entre Kiske e Deris, “Into the Sun” explodiu no recinto. Logo depois vieram “Hey Lord!”, “Universe (Gravity for Hearts)” (que Deris revelou ser uma das suas preferidas do novo álbum) e “Hell Was Made in Heaven”. Após esse trio, um poderoso drum solo de Daniel Löble assumiu o protagonismo, mostrando toda a força e precisão do baterista.
E então chegou ela: “I Want Out”! Sem dúvida, a mais aguardada pela maioria. Antes do concerto, entrevistamos parte do público e cerca de 90% mencionou essa música como a mais esperada. E não falhou, com coros gigantescos, malta aos pulos. Um hino eterno!
Depois desse êxtase, veio um momento de respiro: Deris e Kiske caminharam até a ponta da passarela para um mini-set acústico e intimista. Kiske, sempre brincalhão e carismático, pegou no violão e soltou um pedacinho de “Suspicious Minds”, do Rei Elvis Presley, antes de cantarolar outras canções. Em seguida, abriu espaço para Deris interpretar “In the Middle of a Heartbeat”, enchendo o recinto de emoção.
Após uma breve pausa, Kiske regressou, continuou as suas brincadeiras e cantou “Pink Bubbles Go Ape”. Passou o violão para Deris, e juntos deram vida ao dueto lindíssimo de “A Tale That Wasn’t Right”, um dos momentos mais emocionantes da noite, com o público inteiro a cantar junto. No final desta última, toda a banda entra, nos tirando de uma escuridão que se fazia presente no palco principal.
“A Little Is a Little Too Much” quebrou o clima intimista e trouxe de volta toda a euforia elétrica, com a malta a vibrar sem parar, e confesso que esta é a minha favorita do novo álbum. Logo depois veio “Heavy Metal (Is the Law)”, clássico que chamou Hansen para brilhar não só na guitarra, mas também nos vocais, com o público a cantar como nunca. E após mais uma aparição rápida do Keeper, foi a vez do hit “Halloween”, com o lendário refrão partilhado por Kiske e Deris em perfeita harmonia.
A banda saiu brevemente, e ficámos ali, todos parados, mas ansiosos por mais. Já tinham passado mais de 1h30 de concerto, mas ninguém estava pronto para ir embora. Na escuridão, o ecrã exibiu a pumpkin formando o logo comemorativo dos 40 anos da banda, abrindo espaço para a introdução clássica de “Invitation”, seguida pelo hino absoluto “Eagle Fly Free”.
E o encerramento ainda trouxe mais três clássicos: “Power”, “Dr. Stein” e, como chave de diamante, o coro monumental dos refrões de “Keeper of the Seven Keys”.
Por volta das 23h45, encerrava-se a celebração dos 40 anos desta banda tão importante e absoluta, que moldou gerações e continua a criar legados para os novos fãs. Celebrar este momento é um orgulho imenso.
Foi lindo.
Foi épico.
Foi glorioso.
IT’S HELLOWEEN!

