Após 20 anos, a última segunda-feira de setembro marcou o tão esperado regresso dos Killswitch Engage a Lisboa, num concerto absolutamente demolidor que sacudiu o LAV – Lisboa Ao Vivo e fez os fãs do metalcore perderem a cabeça. A sala completamente esgotada há várias semanas vibrou do início ao fim, e ninguém pareceu lembrar que no dia seguinte ainda seria uma terça-feira de trabalho.
A acompanhá-los, três nomes de peso completaram o cartaz: os brutais Fit For An Autopsy, os técnicos e devastadores Decapitated, e os explosivos Employed To Serve, que abriram a noite com fúria.
Foi uma segunda-feira histórica para os amantes do som pesado, e mais uma vez a Prime Artists mostrou saber como deixar a malta feliz. Continue a leitura e reviva cada momento dessa noite insana, brutal e memorável!
EMPLOYED TO SERVE

Os britânicos Employed To Serve foram os responsáveis por dar a largada nas hostilidades da noite, e chegaram com tudo! Pontualmente às 19h, abriram o espetáculo com uma energia absurda, enquanto o público, ainda se reunindo à frente do palco, já demonstrava curiosidade e expectativa. Bastaram poucos segundos para que todos estivessem batendo cabeça, abrindo circle pits e fazendo crowdsurfings.
O setlist começou destrutivo com “Treachery”, seguida de “Atonement” e “Force Fed”. Cada riff, cada breakdown fazia o LAV tremer. A sala ainda não estava totalmente cheia (acredito que por muita gente que ainda saíam do trabalho), mas que pena para quem perdeu, porque a banda foi uma surpresa brutal, deixando os presentes em pura euforia.
A energia do grupo é intensa, e não apenas pelo som. É visível o quão técnicos são, além de dedicados e carismáticos, aproximando o público a cada segundo. Justine Jones é uma frontwoman de respeito: entrega total, vocais poderosos e uma simpatia magnética. Ao lado de Sammy Urwin, seus vocais se entrelaçam perfeitamente, criando uma parede demolidora. E claro, o restante da banda sustenta tudo com uma precisão impressionante.
Encerraram o set com “Whose Side Are You On?”, levando a sala ao delírio com um circle pit furioso e aplausos calorosos e animados. Às 19h25, o público já estava completamente rendido, a sala mais cheia e o ambiente aquecido para o que viria a seguir.
DECAPITATED

Com a expectativa e a ansiedade no auge, a noite seguiu com os polacos Decapitated, que voltaram a pisar no LAV – Lisboa Ao Vivo, após o concerto de março do ano passado. Desta vez, regressaram com nova formação, e ainda mais poderosos. A grande novidade é Eemeli Bodde nos vocais, que assumiu o posto no final de 2024, substituindo Rafał “Rasta” Piotrowski, e trouxe uma nova energia à banda.
O setlist começou de forma brutal com “Cancer Culture” e “Just a Cigarette”, apenas interrompidas por Bodde perguntando, sempre sorridente, “How are you doing?”. A técnica, precisão e brutalidade características do Technical Death Metal da banda surgiram desde o primeiro acorde, e o público reagiu à altura: circle pits, crowdsurfings e headbangings incessantes dominaram a sala.
Quando veio “Spheres of Madness”, o público mergulhou numa viagem nostálgica às raízes da banda, com gritos, aplausos e insanidade coletiva. A conexão entre público e banda era uma coisa bonita de se ver. Bodde mostrou-se não apenas um vocalista brutal, mas também um showman carismático e simpático, criando uma atmosfera leve entre as faixas pesadas. Entre risadas e agradecimentos, fez questão de elogiar o público português, comentando sobre a beleza do país e o carinho que sempre recebem aqui.
Encerraram o set com “Iconoclast”, e, atendendo ao último pedido de Bodde, o público entregou-se à loucura total, dobrando o ritmo dos circle pits e dos crowdsurfings. Às 20h25, os Decapitated deixaram o palco de forma triunfal, gravando mais uma vez seu nome na história do metal em Lisboa, e provando por que continuam a ser uma das grandes referências do death metal mundial.
FIT FOR AN AUTOPSY

Às 20h45, pela primeira vez em solo português, foi a vez dos Fit For An Autopsy mostrarem a Lisboa por que são tão aclamados pela crítica, e tão aguardados pelos fãs. A expectativa era enorme, e a sala já estava completamente lotada, tomada por uma energia vibrante e ansiosa. Eu própria estava entre os que mal podiam esperar pelo início desta apresentação.
Assim que subiram ao palco, foram ovacionados, e abriram o set com “Lower Purpose” como um soco na cara. Em segundos, o público já se movia num caos de circle pits e crowdsurfings, numa intensidade que só cresceria dali em diante. Ao final da faixa, o vocalista Joe Badolato, com seu carisma contagiante, perguntou à multidão como estavam se sentindo, e foi respondido por gritos de forma positiva.
A técnica e brutalidade do grupo são simplesmente impressionantes, mas é o carisma de cada membro que torna tudo ainda maior. Badolato liderava o público com maestria, sempre comunicativo e provocando novas rodadas de mosh e crowdsurfings. Com incentivos como “Circle piiiiiit!” e “Feets in the air!”, a sala se transformava num mar de corpos voando e energia de queimar os ossos.
O setlist seguiu com a potente “It Comes for You”, lançada no início de setembro, que já era cantada por boa parte da plateia. Vieram ainda “Red Horizon”, “Hostage”, “Pandora”, “The Sea of Tragic Beasts”, e “Savior of None / Ashes of All”, que elevou ainda mais o caos.
O encerramento ficou por conta de “Far From Heaven”, num coro emocionado entre banda e público, o tipo de momento que arrepia. Às 21h23, a banda se despediu com uma salva de palmas e sorrisos satisfeitos, fazendo uma estreia arrasadora em Portugal. A banda com certeza deixou uma marca profunda no público lisboeta!
KILLSWITCH ENGAGE

Às 21h50, as luzes do LAV – Lisboa Ao Vivo ficaram vermelhas e o público, já em êxtase, mergulhou em completa ansiedade. Depois de mais de 20 anos desde a última passagem dos Killswitch Engage por Portugal, em novembro de 2002, finalmente chegava o momento tão esperado: o reencontro com uma das bandas mais influentes do metalcore mundial. Para os fãs mais antigos, foi uma viagem no tempo. Para os mais jovens, uma estreia inesquecível.
A banda subiu ao palco para apresentar o seu novo álbum, This Consequence, num espetáculo de pura energia, comunhão e emoção em uma sala completamente esgotada. De forma esperta, escolheram abrir com a poderosa “Strength of the Mind”, incendiando a plateia e fazendo todos saltarem sem parar. Logo em seguida, o hino “Rose of Sharyn” elevou o clima ainda mais, com o público cantando em coro, e a emoção tomando conta.
Com “Reckoning”, o vocalista Jesse Leach, em sua primeira vez em Portugal, rendeu-se completamente ao público, descendo do palco e indo diretamente para os braços da malta junto à grade. O guitarrista Adam Dutkiewicz aproveitou o momento para comentar que, na última passagem por Lisboa, Jesse havia acabado de deixar a banda e que, na época, vieram com outro vocalista. Entre risos, brincou: “Quem sabe não teremos um novo vocalista na próxima vez?!”. A multidão reagiu com gargalhadas, e Adam aproveitou para pedir desculpas pelos longos anos de ausência, enquanto Jesse, visivelmente emocionado, agradecia pela recepção calorosa e dizia estar feliz por finalmente estar aqui.
Após a pausa, a banda apresentou “Aftermath”, primeira faixa do novo álbum a aparecer no setlist. Depois, Jesse anunciou: “Let’s go back to the old school!”. O público vibrou e foi arrebatado por uma sequência esmagadora de clássicos: “Numbered Days”, “This Is Absolution” e “No End in Sight”, com a sala inteira em ebulição, com coros, headbangings e saltos pesados, que transformaram o recinto em um terremoto.
Jesse fez uma nova pausa para conversar com os fãs, comentando o quão feliz estava com a estadia em Portugal, e prometendo que a banda não demoraria tanto para voltar. Na sequência, veio uma verdadeira montanha-russa entre o novo e o antigo, misturando sons recentes e faixas icónicas dos anos 2000: “Broken Glass”, “Hate by Design”, “Forever Aligned”, “The Signal Fire”, “I Believe” e “The Arms of Sorrow” — cada uma recebida com entusiasmo crescente.
E, como se não bastasse, a reta final trouxe uma tríade lendária: “In Due Time”, “This Fire” e “My Curse”, com os fãs completamente imersos no tempo.
Quando parecia impossível subir mais o nível, veio o encerramento triunfal: “The End of Heartache” preparou o terreno para a explosão final de “My Last Serenade”, encerrando o concerto sem encore, mas com intensidade máxima. E mais uma vez, Jesse se jogou ao público, passando pelos fãs na grade.
Sem dúvidas, foi um show emocionante e histórico. A banda saiu do palco tão comovida quanto os fãs, trocando sorrisos e aplausos que pareciam não ter fim.
Arrisco dizer que, depois de uma receção tão calorosa e vibrante, os Killswitch Engage não se atreverão a esperar mais duas décadas para voltar a Portugal. A dívida foi paga, e com juros altos. Graças à Prime Artists, Lisboa viveu uma segunda-feira absolutamente inesquecível, que fez toda a semana começar com o espírito lá no alto!
SETLIST: 1. Strength of the Mind | 2. Rose of Sharyn | 3. Reckoning | 4. Aftermath | 5. Numbered Days | 6. This Is Absolution | 7. No End in Sight | 8. Broken Glass | 9. Hate by Design | 10. Forever Aligned | 11. The Signal Fire | 12. I Believe | 13. The Arms of Sorrow | 14. In Due Time | 15. This Fire | 16. My Curse | 17. The End of Heartache | 18. My Last Serenade

