O segundo dia do festival Wacken Open Air, foi um prato cheio para os amantes dos anos 80, assim como a redatora que vos escreve. Além do Def Leppard como headliner em sua primeira vez no festival, ainda tivemos muita emoção com Savatage e Europe nos palcos principais.
Quanto ao sol, esse ainda continuava a queimar nossas cabeças sem descanso. Porém, tivemos os louros de uma chuvinha no final da tarde, mas nada que nos atrapalhasse ou desanimasse, ou que trouxesse a temida lama que por anos assombra o festival.
E sim, houve choro não apenas desta redatora como também de vários fãs durante o dia!
SKYLINE – Faster Stage
Nosso dia começou por volta das 14h na abertura do Infield, com a primeira apresentação do Faster Stage, com a banda raiz e alma do Wacken, Skyline! O grupo de Heavy/Hard Rock conta em sua formação original com ninguém menos que Thomas Jensen no baixo, o cofundador e organizador do festival.
Há décadas a banda possui o privilégio fixo de inaugurar os palcos principais do festival na quinta-feira, como grandes anfitriões da “Terra Santa“. São conhecidos por tocar covers de clássicos do metal, mas a banda passou a investir em material autoral também, o que se consolidou com o elogiado disco Uncovered (2019) e o mais recente Human Monster (2024). Já o repertório equilibrou músicas do último lançamento, dois novos singles e alguns covers, além de participações especiais.
Naquele momento, já havia várias pessoas no gramado, e outras mais ao longe para se proteger do sol, que castigava mais que no dia anterior àquela hora. E assim se deu a abertura do setlist com a autoral “Hold On“, com o vocalista Dan Hougesen dando boas-vindas ao público, muito animado. Na sequência, mais autorais, com “Running Back to You“ e “Under the Radar“.
Com a chegada dos covers, a galera se animou ainda mais e foi se aglomerando, curiosa. Em sequência vieram “Last Resort“, do Papa Roach, com coro do público, e “The Emptiness Machine“, do Linkin Park, trazendo a primeira convidada especial, Jennifer Haben (Beyond the Black), dividindo os vocais de forma brilhante com Dan.
“Back to Venus“ foi testada pela primeira vez no festival. Na sequência, o cover de um grande clássico oitentista, “Separate Ways (Worlds Apart)“, do Journey. “Black Star“ foi a única aparição do álbum Uncovered (2019). Mas foi o cover de “Heroes“, de David Bowie, que trouxe um ponto ainda mais alto na apresentação, com a presença ilustre de Alissa White-Gluz rasgando os vocais e o próprio Thomas Jensen comandando o momento.
Seguiram então com “Superhero“ como outra novidade, depois a pesada “Human Monster“, outro cover de Linkin Park com “In the End“, finalizando com a autoral “Fireball“. O encerramento ficou por conta de uma reprise de “Hold On“, fechando o show assim como iniciaram. A apresentação foi muito bonita e simbólica, dando o start oficial para o dia que se seguiria!
Setlist: 1. Hold On | 2. Running Back to You | 3. Under the Radar | 4. Last Resort (Papa Roach cover) | 5. The Emptiness Machine (Linkin Park cover) (with Jennifer Haben) | 6. Back to Venus | 7. Separate Ways (Worlds Apart) (Journey cover) | 8. Black Star | 9. Heroes (David Bowie cover) (with Alissa White-Gluz & Thomas Jensen) | 10. Superhero | 11. Human Monster | 12. In the End (Linkin Park cover) | 13. Fireball | 14. Hold On (Reprise)
CRAFT – W.E.T. Stage

Fomos a Bullhead City, mais especificamente ao W.E.T. Stage, para assistir aos suecos Craft, mudando um pouco a energia anterior para algo mais extremo, com um True Black Metal.
Diferente de bandas que apostam em arranjos sinfônicos ou fantasias, o Craft pratica um Black Metal realmente mais cru, com a rispidez tradicional do gênero. O palco funcionava como um altar de culto, coberto por uma fumaça densa e luzes monocromáticas frias, dando aquele choque de contraste entre o dia quente em seu auge e aquela estética obscura.
Com o gramado à frente bem robusto, várias cabeças rolando e moshpits se formando, a banda destilou faixas como “I Want to Commit Murder“, “Again“ e “Fuck The Universe“, trazendo toda aquela fúria e comandando o caos.
A precisão com que a banda despejou seus riffs não dava tempo para o público respirar, sem espaço para muitas interações, exatamente como manda a cartilha do gênero, deixando a música falar por si só. Foi uma apresentação bem interessante e competente, deixando todos já cansados e suados àquela altura!
EUROPE – Harder Stage

Por volta das 19h, com o céu já anunciando um pouco de chuva e trégua daquele sol escaldante, fomos ao Harder Stage pela primeira vez neste dia para prestigiar nada menos que o grande sucesso sueco dos anos 80, Europe, uma das maiores lendas vivas do Hard Rock e Glam Metal mundial, em um dos momentos mais esperados e celebrados do segundo dia, visto o mar de gente que estava ali durante toda a apresentação.
O quinteto mantém viva sua formação mais icônica e reverenciada, com o ilustre, enérgico e simpático Joey Tempest nos vocais, o grande John Norum na guitarra, John Levén no baixo, Mic Michaeli nos teclados e Ian Haugland na bateria. E embora o público de massa os associe imediatamente aos hinos oitentistas, a banda vem construindo uma carreira moderna desde o seu retorno em 2004, apostando em um som mais maduro e pesado, e uma amostra disso é a turnê atual, que antecede o lançamento do álbum Come This Madness, previsto para setembro de 2026.
A performance entregou muito carisma, domínio de palco e precisão técnica, como já era esperado vindo da banda. Já os vi no Brasil em 2019, e posso dizer que a energia é a mesma: Tempest continua aquele meninão no palco, se movendo de um lado para o outro, com boa execução vocal, além de uma produção de palco tão bonita quanto a apresentação em si.
Com o palco envolto em muita emoção e ansiedade, a intro começa e vemos, pelo telão, a figura de um homem enrolado em faixas com frases escritas (músicas do novo álbum), assim como representado na capa do disco que vem por aí. Depois dessa caminhada pelo backstage, vemos a banda entrar, um a um, e cumprimentar a todos com a faixa lado B “On Broken Wings“, do The Final Countdown (1986). O público, e essa fã de carteirinha que vos escreve, foram à loucura!
O setlist foi muito bem balanceado para cobrir várias fases da banda, trazendo o peso contemporâneo e sucessos da era de ouro. Seguiram então com o hit “Rock The Night“, depois mais ao futuro com a faixa-título “Walk The Earth“, do disco de 2017. Em sequência, 3 clássicos: “Scream of Anger“, do Wings of Tomorrow (1984), “Sign of the Times“ e o primeiro novo single “One on One”. O público respondeu a tudo com muito entusiasmo.
“The Cult of Ignorance“, também uma novidade da apresentação, exibindo guitarras mais pesadas e uma linha lírica mais atual, fugindo daquelas melodias oitentistas, e eu particularmente já tinha adorado a faixa e o clipe, e aparentemente ela já estava na ponta da língua de todos ali. Mas, claro, a música que não podia faltar era “Carrie“, trazendo aquele clima romântico atemporal.
“War of Kings“, faixa-título do álbum de 2015, veio trazendo um céu ainda mais denso, embalando com o riff arrastado, e a sequência com o clássico “Stormwind“ pareceu algo combinado com o tempo: a chuva caiu! Me lembro disso e me arrepio.
“Last Look at Eden“, faixa-título do álbum de 2009, foi a última vez que passaram por sonoridades mais modernas, deixando o fechamento para um quarteto impecável de hits clássicos e nostálgicos: “Ready or Not“, “Superstitious“, “Cherokee“ e, ela, indispensável, “The Final Countdown“, um dos hinos máximos do rock mundial, com todo o Wacken pulando e cantando em coro. Sinceramente, o show mais bonito até aquele momento, arrancando lágrimas minhas, e de alguns (vários!) a minha volta.
Setlist: 1. On Broken Wings | 2. Rock The Night | 3. Walk The Earth | 4. Scream of Anger | 5. Sign of the Times | 6. One on One | 7. The Cult of Ignorance | 8. Carrie | 9. War of Kings | 10. Stormwind | 11. Last Look at Eden | 12. Ready or Not | 13. Superstitious | 14. Cherokee | 15. The Final Countdown
MISERY INDEX – W.E.T. Stage

Voltamos ao W.E.T. Stage para assistir a um pouco da apresentação dos norte-americanos Misery Index, uma das forças mais respeitadas e implacáveis do Death Metal e Grindcore mundial. Há bons anos espero ver um show desses caras, e por isso eu não poderia deixar passar essa oportunidade, mesmo que breve, já que o segundo dia do festival estava carregado de bandas que mereciam (e deveriam) ser vistas! Ignorá-las não era uma opção! Então, desafio lançado, oportunidade agarrada e corrida (literalmente) como uma verdadeira atleta!
Antes mesmo do início, a Bullhead City já estava cheia, e a chuva havia cessado. Prontos para o caos que, obviamente, estava por vir, a banda entrou sem muitas delongas, já destilando brutalidade em um palco simples, mas poderoso, com luzes verdes e azuis. A banda não precisava de muitos aparatos e conversas, pois o som falava por si só.
Faixas brutais como “We Never Come in Peace“, “Theocracy“, “The Carrion Call“, “The Calling“ e “Conjuring the Cull“ não deram tempo para respiro e descanso: foi uma atrás da outra, com circle pits cada vez mais intensos e pessoas passando por nossas cabeças em crowdsurfings para o pit.
A banda demonstrou uma performance crua, porém eficaz, além de uma técnica absurda. Vendo mesmo que metade dessa apresentação, nos sentimos felizes. Valeu muito a pena a corrida!
SAVATAGE – Faster Stage
Como dito anteriormente, era um dia carregado de clássicos, e por isso precisávamos mesmo correr (cardio em dia!). Foi então que finalmente estava no Faster Stage, em um pôr do sol atrás do Infield de cair o queixo, contrastando lindamente com os ilustres Savatage, uma das bandas mais influentes, inovadoras e reverenciadas da história do Heavy/Power Metal e Progressivo desde os anos 80. E já dominavam uma área lotada de fãs emocionados.
Após mais de uma década de silêncio absoluto desde sua última aparição, que ocorreu no mesmo festival em 2015, voltaram aos palcos no último ano, e esse show em específico marcou um retorno triunfal e definitivo da banda, celebrando a Ópera Metal e o legado imortal dos irmãos Jon Oliva (vocal/teclado) e Criss Oliva, guitarrista genial que morreu de forma trágica em 1993.
O show trouxe um line-up contando com o retorno do vocalista Zak Stevens, além de Chris Caffery e Al Pitrelli comandando as guitarras gêmeas, Johnny Lee Middleton no baixo, Paulo Cuevas e Shawn McNair teclados e orquestração, e, Jeff Plate na bateria. A performance do Savatage foi uma das maiores operações de produção visual e sonora montadas no Infield, com o palco decorado com enormes vitrais góticos virtuais nos telões de LED e uma imensa parede de lasers. O sentimento era mesmo de algo espiritual e arrebatador, prestando várias homenagens aos Oliva durante a apresentação. Não poderia dar em outra coisa, senão muita emoção e lágrimas!
O show de 90 minutos foi uma aula musical, ignorando canções menos conhecidas para construir um desfile das maiores obras-primas da banda. O setlist passeou cronologicamente pelas eras de Zak Stevens e Jon Oliva com precisão milimétrica.
Abriu com a sombria gravação da intro “Morphine Child“, do Poets and Madmen (2001), último álbum de estúdio da banda, seguida da épica “Dead Winter Dead“, faixa-título do álbum de 1995, com toda a banda já em palco em completa ovação do público. “Jesus Saves“, uma das faixas com riffs mais pesados e memoráveis do Streets: A Rock Opera (1991), veio seguida de “Lights Out“, do Edge of Thorns (1993), último trabalho de estúdio gravado por Criss Oliva antes de sua morte.
Os clássicos iam aparecendo, a emoção ia tomando conta de todo o recinto, e cada música ia sendo um novo ponto alto, com todos cantando e celebrando aquele momento, alguns passando por nossas cabeças, outros com punhos ao alto, e outros em puro transe acompanhando o movimento a cada nota.
Zak Stevens é aquele misto de maestro imponente que parece sério, mas estava visivelmente confortável e interagindo em dados momentos com o público, enquanto toda a banda não ficava para trás. Voz e instrumentais nada menos que impecáveis.
“Handful of Rain“ e “Chance“ (na íntegra!), vieram em uma sequência perfeita do álbum Handful of Rain (1994).“Miles Away“, “Tonight He Grins Again“ e “Sirens“ carregaram muita energia nessa aula que estávamos presenciando naquele momento. Sim, uma aula, pois aquilo foi um daqueles shows que a gente não esquece, e que poucos farão parecido.
Mais hinos clássicos foram entregues com “Strange Wings“, “Taunting Cobras“ e “The Wake of Magellan“, preparando o terreno para o ápice do show!
O performance ganha um tom intimista quando as luzes se apagam e Jon Oliva surge sozinho no telão, posicionado ao piano, cantando os versos iniciais da balada dramática “Believe“. Não havia um fã que não estivesse completamente em transe, em uma emoção profunda diante da linda homenagem aos Oliva. O restante dos músicos assume os instrumentos no palco logo após o primeiro refrão, unindo o som ao vivo à projeção. Durante o solo da música, o telão exibe fotos de arquivo e recordações de Criss Oliva. Esse tipo de dinâmica já vem marcando as apresentações recentes da banda desde o retorno no último ano, permitindo que Jon participe ativamente dos shows mesmo não estando fisicamente no palco por questões de saúde. Era mesmo feito pra chorar, até para os corações mais duros!
Depois do transe, era o momento de acordar para “Gutter Ballet“, faixa-título do álbum de 1990, que explodiu em um coro lindo.
E para a reta final, 3 clássicos para nos deixar ainda mais felizes, se é que isso era possível: “Edge of Thorns“, “Power of the Night“ e o hino definitivo da banda, “Hall of the Mountain King“, com o palco em chamas, fechando a noite sob uma ovação intensa de um público que presenciou nada menos que a história acontecendo! FOI PERFEITO!
Setlist: 1. Intro: Morphine Child | 2. Dead Winter Dead | 3. Jesus Saves | 4. Lights Out | 5. Handful of Rain | 6. Chance | 7. Miles Away | 8. Tonight He Grins Again | 9. Sirens | 10. Strange Wings | 11. Taunting Cobras | 12. The Wake of Magellan | 13. Believe (Intro by Jon Oliva via video) | 14. Gutter Ballet | 15. Edge of Thorns | 16. Power of the Night | 17. Hall of the Mountain King
ANAAL NATHRAKH – Headbangers Stage

Após o choro, um contraste completamente oposto no caótico Headbangers Stage, com a apresentação dos britânicos do Anaal Nathrakh. O gramado era puro caos, debaixo de uma leve chuva que voltou a cair na noite.
A banda é famosa por fundir de forma genial e violenta o Industrial Black Metal, Grindcore e Death Metal, criando uma parede de som que simula o caos, e por isso não havia ninguém parado. Ali naquele espaço se viam pessoas em circle pits concentrados, muito headbanging e pés dos crowdsurfers passando sob nossas cabeças. A energia era de devastação total.
O repertório foi estruturado focando massivamente no álbum In the Constellation of the Black Widow (2009) e no Endarkenment (2020), cobrindo com precisão as músicas mais brutais da carreira.
Passaram por faixas como “More of Fire Than Blood“, “Idol“, “Forward!“, “Between Shit and Piss We Are Born“ e “Endarkenment“, finalizando com o hit “Submission Is for the Weak“, com o público eufórico ainda depois da destruição completa que ali aconteceu. Um show realmente brutal!
Setlist: 1. In the Constellation of the Black Widow | 2. More of Fire Than Blood | 3. Idol | 4. Forward! | 5. Hold Your Children Close and Pray for Oblivion | 6. The One Thing Needful | 7. The Road to… | 8. Obscene as Cancer | 9. Bellum Omnium Contra Omnes | 10. Between Shit and Piss We Are Born | 11. Endarkenment | 12. Do Not Speak | 13. Submission Is for the Weak
DEF LEPPARD – Harder Stage

Debaixo de uma chuva mais forte, fomos ao Harder Stage finalizar a nossa noite em grande estilo, à espera de outra lenda oitentista: os ingleses Def Leppard, um dos pilares da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) que evoluiu para se tornar a banda de Hard Rock/Pop Rock mais bem-sucedida comercialmente dos anos 80.
Mais uma vez, esta redatora é completamente suspeita para falar, confesso. Fã desde que me entendo por gente, e completamente apaixonada pela história da banda que é sinônimo de resiliência. Quem não conhece a superação do baterista Rick Allen e como a banda, desde o primeiro momento e até hoje, o apoia? E quem não conhece o icônico Joe Elliott, líder e vocalista da banda, e as guitarras gêmeas de Phil Collen e Vivian Campbell, e o groove de Rick Savage no baixo?! Quem não conhece o grande hit “Pour Some Sugar On Me“ e a balada que envelheceu como vinho, “Love Bites“? É isso, meus amigos: Def “fuck*ng” Leppard, pela primeira vez no Wacken, estava prestes a fazer história na nossa frente!
O repertório de 19 músicas alternou entre grandes hits de rádio, covers e recortes bem encaixados, singles recentes e hinos do início da carreira guardados para os fãs de longa data. Um setlist para não se botar defeito!
Iniciaram com o novo single lançado em janeiro deste ano, “Rejoice“, mostrando um hard rock elegante e moderno, arrancando gritos animados do público. Eles apareceram ilustres, em um palco perfeito, com tudo que se há direito: telão de LED ao fundo com animações, luzes de laser, tudo impecável para um espetáculo.
Pronto, começou o choro (meu e de outras pessoas) com o primeiro grande hit, “Animal“, do aclamado Hysteria (1987), uma das melodias mais marcantes da banda, puxando o público para dançar e cantar o refrão. E, debaixo de chuva, nada abalava o público.
“Let’s Get Rocked“, do Adrenalize (1992), veio na sequência com aquele clima de festa, divertida e icônica. “Personal Jesus“, versão cover de Depeche Mode gravada em 2018, surgiu em dose eletrônica com pegada de groove.
À medida que o show avançava, o telão ao fundo exibia animações retrô, subindo mais o clima e nos colocando ainda mais dentro do espetáculo. Joe Elliott ia comandando com aquele jeito dele mais contido, mas também performático, sem palavras em demasia, mas sempre pontual e necessário. Um cavalheiro.
Agora, um salto maior no tempo: mais ao passado, indo para o icônico High ‘n’ Dry (1981), com as faixas “Bringin’ On the Heartbreak“, um clássico em forma de balada com aquele refrão marcante em coro, e “Switch 625“, a peça instrumental emendada com a anterior, que serviu para coroar a bateria de Allen. E, por falar nele, vê-lo sorrindo enquanto toca é sempre uma beleza que não se explica… se sente mesmo, não tem jeito!
“Just Like ’73”, lançada originalmente em 2024 com a participação de Tom Morello, trouxe uma forte vibe de glam, com aquele refrão chiclete que amamos. Depois, de novo no passado, “Rocket“, com aquela introdução tribal de bateria e guitarras cheias de efeitos que preencheram todo o espaço, e muitas palmas junto. Seguiu-se “Rock On“, cover de David Essex gravado para o disco Yeah! (2006), trazendo uma quebra no set, sendo a última faixa dos anos 2000. A partir dali, seria chuva de clássicos.
Então voltamos à fase noventista com “White Lightning“, escrita originalmente em homenagem ao falecido guitarrista Steve Clark, seguida de “Slang“, faixa-título do álbum de 1996, que ganhou trechos de James Brown (“Get Up Offa That Thing”) e David Bowie (“Fame”) e, por último, antes de voltarmos aos anos 80, “Promises“, única passagem pelo Euphoria (1999).
Tudo era um ponto alto. As pessoas cantavam, dançavam e se divertiam. Àquela altura, já não havia mais chuva, dando lugar a um clima ameno depois de um período longo de calor. Os refrescos!
Então voltamos aos anos dourados oitentistas com “Armageddon It“, um grande clássico, preparando o terreno para nada menos que a balada suprema da música mundial, “Love Bites“. Estranhamente, nesse momento os crowdsurfers tomaram fôlego e começaram a passar por nossas cabeças. Não somente nessa, mas em outras baladas. Estamos acostumados a ver isso em músicas mais pesadas, ou brutais, mas não em uma balada, pensei: “realmente não há tempo ruim que abale os ânimos em um show como esse. hahaha“
Depois desse momento, fomos para a energia de um grande álbum, o Pyromania (1983), com os hits de rádio “Rock of Ages“ e “Photograph“, fechando assim o primeiro bloco antes do encore, se despedindo brevemente.
Abrindo o bloco final, uma rápida passagem pelo Vault (1995) com “When Love and Hate Collide“, uma balada intimista, mas grandiosa, que aliás, é uma das minhas favoritas. Mas, para finalizar, dois clássicos que não poderiam jamais ficar de fora: “Hysteria“, lenta e maravilhosa, e nada menos que “Pour Some Sugar on Me“, o hino do hard rock da era glam, cantado em coro.
O show da banda foi uma megaprodução, uma aula de profissionalismo, engenharia de som e muito carisma. Eu também já tive a honra de vê-los no Brasil anteriormente, e nada ali foi mais do mesmo, posso garantir. Matei a saudade, e ainda pude absorver uma nova experiência com muita emoção. Espero, de coração, que todos tenham sentido isso tanto quanto eu. Foi mágico!
Setlist: 1. Rejoice | 2. Animal | 3. Let’s Get Rocked | 4. Personal Jesus (Depeche Mode cover) | 5. Bringin’ On the Heartbreak | 6. Switch 625 | 7. Just Like ’73 | 8. Rocket | 9. Rock On (David Essex cover) | 10. White Lightning | 11. Slang (with interlude of “Get Up Offa That Thing” by James Brown & “Fame” by David Bowie) | 12. Promises | 13. Armageddon It | 14. Love Bites | 15. Rock of Ages | 16. Photograph | Encore – 17. When Love and Hate Collide | 18. Hysteria | 19. Pour Some Sugar on Me


