Domingão, calorão e cerveja na mão…. E assim começou a tarde de domingo.
Um domingo muito especial, afinal era o último show do ano. E o line up foi cuidadosamente escolhido para fechar da melhor maneira possível, o calendário de datas da Dark Dimensions.
No começo deste 2025, tive a felicidade de estar presente no primeiro evento do ano da Dark Dimensions, onde o headline foi a banda Nervosa eagora, a poucos dias, a produtora encerrou o ano com um evento avassalador, que trouxe a fúria e a potência de grandes nomes do Metal nacional e teve como headline, o poderoso Torture Squad.

Que veio acompanhada dos veteranos do Genocidio e Siegrid Ingrid, além dos monstruosos Throw Me To The Wolves que a poucos dias (23/12/25), anunciaram sua primeira tour internacional que deve começar a partir de Janeiro com a banda regressando ao Brasil apenas em Fevereiro. Aliás, aproveito este espaço para parabenizar a banda por esta conquista e fico feliz demais por eles. Aliás, a acompanho algum tempo o trabalho da banda e eles só tem progredido e evoluído, resultado de um trabalho comprometido e íntegro.

Antes de começar a falar sobre o show, já deixo de forma antecipada os parabéns a Dark Dimensions e JZ Press pela qualidade dos eventos realizados ao decorrer do ano e parabenizar principalmente por acreditarem na prata da casa, no metal nacional.
Encerrando principalmente, o seu último evento do ano com chave de ouro e muita atitude.

Sobre o shows:
Pontualmente às 15:00, a devastação iniciou, com energia e poderio para tal, os monstruosos Siegrid Ingrid já chegaram com os dois pés na porta. Entregando uma apresentação feroz e com energia, M. Punk e companheiros sempre impressionam por seu vigor, interação e energia. Som agressivo que passa pelo Crossover/Thrash, Death e Grindcore. Uma avalanche sonora pra agitar até os mais quietos.

Para começar com os dois pés no peito: “Murder” do álbum “Corpses Fall” e na sequência “Nojo”, do seu último álbum de estúdio “Back From Hell”(2024) não poderiam ficar de fora e foram um tiro certeiro. “Forces” do álbum “Pissed Of” (1995), veio impiedosa. A paulada “Never Again”, sempre avassaladora, trouxe a veia mais Thrash Metal. Esta é uma música marcante pois foi o primeiro single a ser lançado no retorno da banda às atividades, extraído do poderoso” Back From Hell”.

 

@argothrodrigues

“The Falsity Is True”, também do “Corpses Fall”, na sequência “Templo Dos Vermes” veio matadora e me trouxe o pensamento de que estava vendo o “Napalm Death brasileiro”! Que sonzeira!

“Drásticas Consequências” “Demência” vieram com implacável força. Já na reta final, a banda trouxe um dos sons que galera havia pedido ao decorrer da apresentação, “Enéas” fechou esta memorável apresentação.
M. Punk (vocal) , Edilson (Bateria), Gubber ( Guitarra), Luiz (baixo), trouxeram uma apresentação visceral, vigorosa e com energia.Punk pulou, agitou, fez careta, se divertiu aliás, sempre demonstrando o frontman que tem como marca registrada um grande carisma. Ele e toda banda se divertiram e entregaram um show de alto patamar.

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Por sua vez, os lobos da Throw Me To The Wolves chegaram sem cerimônia, “Chaos” iniciou os trabalhos, certeira e voraz trouxe o punch, e como em um jogo trouxe o “start” necessário. “Tartarus” indispensável ao set, preparou o terreno para “Days Of Retribution“, faixa que dá o nome ao seu álbum lançado neste 2025.
Na sequência foi a vez de “Fragments“, som que recentemente teve vídeo oficial lançado e que recomendo muito que assistam. Esta em específico é uma mais brutais do setlist e que a galera agitou, mas que ficou devendo um mosh (risos). Este sim é um massacre sonoro.

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Awaking My Demons“, “Gates Of Oblivion” vieram na sequência e antecederam a também poderosa “An Hour Of Wolves“, canção que foi inspirada no “Senhor Dos Anéis“, conforme enaltecido pelo vocalista Diogo. Antes de chamar a última canção do set, Diogo (vocal) apresentou seus colegas de banda: Maycon Avelino (Bateria ), Fabrício Fernandes (Guitarra), Fábio Fulini (Baixo). Brincou que um dos guitarristas da banda estava diferente.
O guitarrista Gui Calegari foi substituído neste show pelo guitarrista Rafael Lourenço (New Democracy), nesta apresentação por motivos de férias, não pode se apresentar com a banda nesta data. Aliás, Rafael é bastante técnico e tirou de letra todos os sons. Aliás, a New Democracy, se você ainda não ouviu – vá atrás de ouvir,  Death Metal Melódico de excelente qualidade também. Vocês vão ouvir muito falar também desta banda.

Ajustes nos pedais foram necessários, mas nada que desabonasse uma apresentação impecável, aliás! Por fim, Diogo se apresentou, agradeceu aos colegas por terem aceito os tamanhos desafios que ocorreram neste último semestre, as aberturas para grandes nomes do Metal nacional e internacional e agradeceu a Dark Dimensions pela oportunidade e por fim, chamou a icônica “Gaia“.

De forma geral, a Throw Me To The Wolves sempre entrega um show muito técnico, guitarras que dê alternam entre base e solo, de forma muito dinâmica, com feeling e paixão. Um baixo que funciona como uma cola que liga a bateria tocada com força, precisão e energia, não deixando ilesa nenhuma peça do kit, amassando nos pedais duplos e entregando uma performance impar. Maycon é monstro!!!! Aliás, toda banda é! Entregam um Death Melódico de alto nível e que tenho certeza de que vão agradar muito também lá na gringa.

Obs: Tive a sensação de um set mais curto, mas acredito que seja por conta do cronograma das apresentações.

 

@argothrodrigues

 

Em um festival de extremo bom gosto e com bandas de extrema qualidade, foi a vez dos lendários Genocidio, bastante aguardada, aliás.
40 anos não são 40 dias. A lendária banda subiu ao palco com “Fort Conviction” abriu o set, aliás, está é também a faixa título do álbum homônimo lançado em 2024. A banda que já passou pelo Doom/ Death Metal iniciou a apresentação com a pedrada Thrash. Ao som da trilha que antecede a PEDRADA, subiram ao palco e já começaram com gás total. “Aside” que também pertence ao álbum “Fort Conviction“, deu a sequência e continuidade a pancadaria, desta vez já na veia do Death Metal, sanguinário e destruidor. Voltando 35 anos no tempo, foi a vez “Synthetic Screams” do álbum “Depression” (1990), álbum de estreia da banda e que agradou em muito antigos fãs da banda, que vibraram. Dando sequência aos clássicos foi a vez de “Pilgrim” do álbum “Posthumous” de 1996, foi tocada primorosamente e foi também celebrada pelo público.

 

@argothrodrigues

The Sole Kingdom Of My Own” também do “Fort Conviction “trouxe aquela essência do Death/Doom e ao que tudo indica, agradou.

Em um momento de tributo, a banda Genocidio entregou uma versão ainda mais soturna da canção “Never Tear Us Apart“, do INXS, pesada, sombria e densa. Foi tocada e entregou intensidade e profundidade tomando toda a Burning House com a vibe mórbida. Se a versão original já é bem mórbida, o tributo foi ainda mais lúgubre.
Rebellion” do álbum de mesmo nome, lançado em 2016, trouxe de volta o tom visceral e brutal, seguido com a mesma brutalidade por “Kill Brazil“.
Outro clássico então foi invocado, “Uproar“, do poderoso “Hoctaedrom” (1993) trouxe o espírito Oldschool ao set. “The Grave” e “The Clan” trouxeram o prenúncio e a condessa de sangue se fez presente, “Countess Bathory“, encerrou a participação da banda no festival, trazendo este clássico do Bathory com a assinatura da banda Genocidio. Escolha muito assertiva pois não houve quem não cantasse esta relíquia do Metal mundial.
Murilo (vocal e guitarra), Well (Guitarra), Wanderley Perna (Baixo) e Hebert Loureiro (Bateria) entregaram uma apresentação que empolgou e que deixou aquele gosto de quero mais. Quando foi anunciado que estavam em sua última música, o público sentiu e deu aquela sensação de que um “bis” cairia muito bem. Demonstrando que a apresentação cativou e ganhou antigos e novos fãs.

@argothrodrigues

Antes de iniciar os comentários sobre a próxima banda, visualizem a capa do “Devilish” bem grandona, um backdrop lindão, vermelhão. E em cada lado do palco, um side-drop em cada um dos lados. Um teclado e um violão compartilhavam o palco com uma imponente bateria vermelhona. As quatro bandas compartilharam esta bateria, mas que ficou ainda mais imponente.
Por sua vez, os anfitriões da noite subiram ao palco, Torture Squad era também muito aguardado. Antes da apresentação, pude cumprimentar brevemente o baixista Castor, sempre muito gentil. Então, por fim, foi dado começo a destruição. De forma bem sugestiva, “Hell Is Coming” abriu os trabalhos com sua força maligna e energia. Esta canção do álbum Devilish (2023). Os primeiros acordes e atitude de May (vocal) no palco já deram o tom e a pancadaria teve continuidade com a brutal “Flukeman“, com a absurda sonoridade Death/Black Metal e May Puertas tocando teclado.
Em “Buried Alive“, destaque para o baixo de Castor que brilhou lindamente e o solo de guitarra por Renê Simionato com precisão absurda. Aliás, os backing vocals de Castor também foram um destaque com convergência com os vocais assombrosos da May Puertas, que inclusive na intro tocou violão. “Hellbound“, faixa que dá nome ao mesmo álbum lançado em 2008, executada de forma impecável. A essa hora o mosh já estava sendo agitado pelo público que queria curtir o som extremo de forma extrema. “Return Of Evil“, impiedosa e indispensável ao set, veio esmagadora.
May citou que aquele era o último show da tour do Devilish, comentou que estava feliz e realizada pelo ano intenso que vivenciaram, relembrando inclusive a passagem pelo Wacken neste ano, quarta passagem aliás. E que estar ali e dividindo o palco as bandas do evento, era sim sem dúvidas, uma grande honra e agradeceu as bandas, a Dark Dimensions e a Burning House pela realização do festival.

Murder Of A God” veio na sequência, ligando a máquina do tempo, resgatando este clássico do “Asylum Of Shadows” (1999).
Na sequência Amilcar trouxe um solo de bateria que agitou e incendiou o público, sem piedade – o homem desceu o braço (risos). Boatos que entre uma música e outra, o baterista as vezes dava uma olhadinha no jogo do Corinthians, que para alegria de uns e para a tristeza de outros, levou a copa do Brasil em cima do Vasco. O homem é pé quente (risos).
Brincadeiras à parte, durante o show haviam mais pessoas gritando o clássico “Vai Corinthians!!!!”.
Raise Your Horns“, um grande hino do Metal BR foi tocada e colocou a casa abaixo, com o público bradando este poderoso refrão com uma energia imensurável vindo do público e do palco, em troca diria simultânea.

Pandemonium” grande clássico do Torture não poderia ficar de fora, foi tocada e o público cantou a plenos pulmões. Por sua vez a hipnotizante e ritualística “Blood Sacrifice“, nos trouxe May Puertas cantando de costas para o publico com sua voz limpa a introdução a deusa Khali, a intro da canção. Voltando ao público e trazendo esta genuína PEDRADA, criando ali uma devastadora atmosfera.
Seguindo o massacre, “Horror And Torture” veio para não deixar nada no lugar, mosh formado – taca-lhe pau! Homens e mulheres em êxtase, se divertindo no mosh, valendo se das últimas energias. “Pull The Trigger ” abriu o caminho para o final. “Unholly Spell” finalizou o set é uma apresentação MEMORÁVEL! Minutos após o final da apresentação, a banda já tá estava na pista para acolher o público para as fotos e autógrafos, carismáticos e muitos gentis. Mesmo cansados foram recepcionar com muita gentileza o público ali presente para receber os cumprimentos dos fãs.

 

@argothrodrigues

Domingão e nesta final,  o timaço escalado pela Dark Dimensions deu show no palco.
Uma escalação dessas não é tão fácil de se repetir. Então quem teve a felicidade de estar presente, pode prestigiar um evento histórico envolvendo quatro bandas com trabalho único, mas que tem em comum, a paixão e amor pelo o que realizam. E de forma singular, cada qual com sua personalidade e integridade – comprometimento com o Metal nacional.

 

Parabéns Dark Dimensions, Jz Press, Burning House, público, colegas da imprensa e todos(as), envolvidos(as)! Foi MEMORÁVEL! Formidável! Melhor forma de encerrar 2025, IMPOSSÍVEL!!!!