A noite de sexta-feira (12/09/2025) no Ahoy, em Blumenau, reuniu irreverência, energia e um público fiel que lotou a casa para assistir a Rogério Skylab, mas quem abriu o espetáculo com estilo próprio foi a banda Apicultores Clandestinos da cidade de Rio do Sul.

A performance do grupo já começou com humor afiado: em referência à clássica cena nos shows de Skylab, quando o público joga cigarros no palco durante “Tem um cigarro aí?”, os Apicultores brincaram dizendo que fariam uma música pedindo “Tem dois reais aí?”, para ver se a plateia se animaria a jogar dinheiro. Ao longo da apresentação, distribuíram sachezinhos de mel e cachaça de mel, que eles mesmos produzem, reforçando a identidade da banda e conquistando o público pela proximidade.

O setlist incluiu uma homenagem ao River Rock, festival onde tocaram em 2009, arrancando aplausos nostálgicos. Em outro momento, um dos integrantes se jogou na galera, aumentando ainda mais a conexão com quem estava na linha de frente. A analogia usada para agradecer ao Ahoy pela recepção — “sendo tratados no bico como um filhote de sabiá” — mostrou a veia poética e bem humorada do grupo. O figurino, com trajes de apicultor, somado à execução de uma faixa com Theremin — o instrumento que foi a sensação da noite —, coroou uma apresentação marcada pela irreverência e pela criatividade.

Quando Skylab subiu ao palco, o clima foi de catarse coletiva. A casa lotada vibrou do início ao fim, e o artista não deixou por menos: disse que “nesse clima, poderia seguir até às 6h da manhã”, arrancando gritos entusiasmados da plateia. O repertório misturou músicas mais atuais com os clássicos, e o auge veio com “Tem um cigarro aí?”, em que o cantor recebeu a tradicional chuva de cigarros.

Outro momento memorável foi em “O Corvo”, quando Skylab surgiu com uma cenoura na boca, mastigando pedaços e cuspindo no público — um gesto performático que traduz a mistura de estranheza, humor e provocação que sempre marcou sua carreira.

Ao final, o show se encerrou com a emblemática pergunta que é quase uma autoironia de Skylab: “Você vai continuar fazendo música?”. A resposta estava ali, evidente, no vigor da apresentação e na reação apaixonada de uma plateia que parecia querer esticar a noite indefinidamente. Porque sua arte não é só música — é resistência cultural.