Sanctuary fez sua estreia histórica no Brasil e transforma a Burning House em um templo do Heavy Metal.
O santuário do Underground e Metal BR, recebeu o Sanctuary para apresentação única no Brasil, que ocorreu na capital paulista.
Com realização e produção da Dark Dimensions e assessoria de Jz Press, no último domingo, 30 de agosto.
Com casa lotada e público apaixonado cantando junto cada canção e celebrando cada acorde.
Um show nunca antes visto no Brasil e uma banda com quatro décadas de história e um legado inegável fez então sua estreia em terras brasileiras.

Uma banda que passou tanto tempo sendo aguardada pelos fãs brasileiros, a resposta não poderia ter sido mais certeira: Pontualmente às 20:00 e sem banda de abertura foi dado início aos trabalhos. Com o palco totalmente entregue ao Sanctuary, a noite foi praticamente uma aula de Metal.
Desde antes do primeiro. A expectativa e a ansiedade eram altas, inclusive deste que vos escreve.
Não era simplesmente uma plateia esperando uma banda tocar seus clássicos. Era gente que conhecia aquelas músicas, que esperou anos por aquele momento e que estava disposta a cantar cada verso, levantar o punho, fazer “horns” e muito barulho. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando o Sanctuary entrou no palco, a sensação foi de que a espera tinha finalmente acabado.
“Arise and Purify” abriu a apresentação colocando a casa imediatamente em movimento, seguida por “Frozen”, já mostrando que o repertório não seria apenas uma viagem nostálgica pelos primeiros anos da banda.
O Sanctuary estava ali para apresentar sua história inteira. Mas bastou “Die for My Sins” para que a sensação de euforia ficasse ainda mais evidente. Um dos grandes clássicos de Refuge Denied veio acompanhado de um daqueles momentos em que público e banda cantam de forma uníssona.



E se alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o tamanho da conexão entre o Sanctuary e seus fãs brasileiros, ela desapareceu ali. “Seasons of Destruction” manteve o peso lá em cima, enquanto “Veil of Disguise” trouxe novamente aquela atmosfera característica do primeiro Sanctuary, com guitarras pesadas, precisão e toda a dramaticidade que sempre fez a banda se destacar dentro do Heavy/Power Metal norte-americano. E aí veio uma sequência simplesmente absurda para qualquer fã da banda: “Future Tense”, “Taste Revenge” e “Long Since Dark”.
Punhos para o alto, vozes acompanhando Joseph Michael e uma Burning House cada vez mais barulhenta.
Aliás, falar de Joseph Michael é inevitável. Assumir os vocais de uma banda marcada de maneira tão profunda pela voz e pela personalidade de Warrel Dane nunca seria uma tarefa simples. Mas Joseph não tentou transformar o show em uma imitação, um tributo ou arriscar transformar a apresentação da Sanctuary em um cover de si mesmo.
Ele assumiu o palco, interagiu o tempo inteiro com o público e mostrou segurança para conduzir músicas que fazem parte da história do Metal, com simpatia, presença de palco, folêgo inesgotavel e uma voz gigante preenchendo todos os espaços.
E o mais importante: parecia genuinamente feliz por estar ali. E o público devolveu tudo. Entre uma música e outra, a interação era constante. A banda cumprimentava, acenava, provocava a galera, gritava, agitava e cantava junto.



Do outro lado, a resposta vinha em coro. Não havia aquela sensação de distância entre palco e pista, seja pela escolha da casa que permite o acesso aos artistas, seja pelo show sem barreiras e “não me toques”. Banda totalmente acessível e muito gentil com o público. Era uma troca o tempo inteiro. Quando “Epitaph” começou, o clima ficou ainda mais intenso.
E então chegou “The Mirror Black”, outro daqueles clássicos que justificariam sozinhos uma visita ao show.
A música mostrou por que Into the Mirror Black permanece tão reverenciado depois de tantos anos: peso, melodia, atmosfera e uma identidade que continua funcionando ao vivo com uma força impressionante.
Um dos momentos mais legais ( na minha singela opinião), foi quando o Sanctuary ainda reservou espaço para duas versões que ajudaram a quebrar a sequência de clássicos próprios. Primeiro, “Breathe”, do Pink Floyd, trazendo uma mudança de clima bastante interessante, que foi facilmente recebida e também cantada pela platéia.
Depois, “White Rabbit”, do Jefferson Airplane, que ganhou a cara do Sanctuary e foi recebida pelo público como mais um daqueles momentos especiais da noite.
Mas a viagem pela história não parou aí, “Battle Angels” recolocou o pé no acelerador e trouxe novamente aquele Sanctuary que tantos fãs aprenderam a amar e reverenciar. E, quando chegou a hora de “Not of the Living”, ficou claro que a banda não estava ali apenas para olhar para trás, mas também de olhar para a frente sem negar sua história, mas lembrando que a jornada/caminhada, pede novas canções e novo “ar”..
A nova música, lançada em 2026 e primeiro material inédito do Sanctuary em mais de uma década, representa justamente essa nova etapa da banda. E foi muito bacana perceber que o público também abraçou o novo material, mostrando que a relação com o Sanctuary não precisa ficar presa apenas à memória dos anos 80 e 90. “The Year the Sun Died” veio na sequência, representando outra fase da banda e preparando o terreno para os minutos finais de uma apresentação que já tinha entregado praticamente tudo o que os fãs poderiam querer. Só que ainda faltava uma coisa. O público não queria deixar a banda ir embora. Depois de toda aquela sequência de clássicos, o Sanctuary deixou o palco.
Mas ninguém parecia disposto a aceitar que tinha acabado. Vieram os pedidos por mais uma música, os gritos, a insistência e aquela velha tradição que nunca falha quando o show realmente bate forte: o público chama, chama, chama…
E enquanto as luzes permanecem acesas e não “fecham as cortinas, exisrte esperança! E com muita satisfação, a banda voltou e era nítido o seu contentamento. Se não chamam a banda é porquê o show não foi bom e/ou não estava do agrado de todos.
Por fim, Para fechar a noite, “Soldiers of Steel” veio como o golpe final. E que maneira de terminar!!!!!
A música foi recebida como uma verdadeira celebração, com a Burning House cantando e agitando até o último segundo.
Como não poderia faltar, Warrel Dane foi lembrado e homenageado, tanto por sua presença histórica na banda quanto no seu próprio legado e como isto agregou a jornada do Sanctuary.

E não foi apenas o som que marcou o encerramento. Durante todo o show, a banda demonstrou uma disposição enorme para estar próxima dos fãs. No final, vieram os cumprimentos, os acenos e aquela troca de energia que deixa claro quando artista e público estão na mesma sintonia. E ainda teve o tradicional “presente” de show de Heavy Metal: palhetas e baquetas voando para a galera, deixando a noite ainda mais especial para quem conseguiu levar uma lembrança física daquele momento. A banda ainda posou para fotos com os fãs e como bons anfitriões receberam todos para aquela boa cerveja gelada.
No fim das contas, o Sanctuary foi completo em sua apresentação e fez história em São Paulo.
Precisou apenas de suas músicas, energia e atitude que sempre demonstrou durante toda a sua trajetória.
De Refuge Denied a Into the Mirror Black, passando por The Year the Sun Died e chegando ao novo capítulo representado por “Not of the Living”, o repertório percorreu diferentes momentos da carreira sem perder o foco naquilo que o público realmente queria: ouvir Sanctuary. E o público respondeu à altura. Cantou do começo ao fim. Levantou os punhos. Gritou pelos próximos sons. Reagiu a cada clássico. Pediu bis. E, principalmente, mostrou que quatro décadas depois de sua formação, o Sanctuary continua tendo uma legião de fãs disposta a fazer barulho quando a banda sobe ao palco.
A primeira passagem do Sanctuary pelo Brasil demorou 40 anos para acontecer. Mas, pelo que aconteceu na Burning House, dá para dizer sem medo: valeu a espera. O Sanctuary finalmente veio ao Brasil. E São Paulo fez questão de mostrar que estava esperando por eles.
Sanctuary vive!
Warrel Dane descanse no poder!
Parabéns Dark Dimensions, JZ Press, Burning House e todos(as) presentes e envolvidos(as), nesta noite absurdamente memorável.
E aproveirtando para vender o meu peixe! ( risos):
Para sentir a vibe da noite, assista o vídeo da apresentação no canal Rock Doido do Argoth!
Aumente o volume e aprecie sem moderação!
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