Behemoth em Bogotá, Colômbia
A noite começou às 18h30 com Nidhögg, responsáveis por abrir as portas do submundo musical com um espetáculo carregado de força e misticismo. Desde os primeiros acordes, o ambiente foi tomado por sombras; sua performance sombria e envolvente marcou o início perfeito para uma noite que prometia ser devastadora. O som pesado e a energia visceral da banda mergulharam o público em uma atmosfera densa, preparando o terreno para o que viria a seguir.

Em seguida, foi a vez de Deicide incendiar o palco com uma descarga brutal de death metal que elevou o fervor da plateia. As guitarras rugiam com aquele estilo imponente característico, enquanto a bateria soava como uma tempestade infernal. A voz de Glen Benton, com sua habitual ferocidade, despertou uma onda de adrenalina entre os presentes. Cada faixa executada foi uma exibição de técnica e poder que preparou magistralmente o público para o ato principal da noite.

Por volta das 21h30, as luzes se apagaram e o rugido ensurdecedor do público anunciou a chegada dos mestres da escuridão: Behemoth. A banda polonesa surgiu com “The Shadow Elite”, e desde o primeiro acorde ficou claro que o que se presenciava não era apenas um concerto, mas um autêntico ritual. Envolto em fumaça e luzes vermelhas, Nergal dominou o palco como um sumo sacerdote do caos.
O poder de temas como “Ora Pro Nobis Lucifer”, “Demigod” e “Conquer All” ecoou por todo o recinto, enquanto o público, completamente entregue, acompanhava os versos com devoção. O espetáculo visual foi parte essencial: fumaça, símbolos e constantes trocas de figurino intensificaram o enigma e a teatralidade da apresentação. Cada transformação acrescentava uma nova camada à narrativa obscura da banda, convertendo o palco em uma verdadeira liturgia viva.

A intensidade prosseguiu com hinos como “Blow Your Trumpets Gabriel”, “Ov Fire and the Void” e a hipnótica “Bartzabel”, que mergulhou a plateia em uma atmosfera quase cerimonial. Nergal, em um gesto provocador e visceral, cuspiu sangue em direção ao público, reforçando a natureza crua e simbólica do ritual.
A proximidade entre banda e público tornou o show ainda mais íntimo. Ver os músicos tão próximos fez com que os fãs sentissem a autenticidade do momento — uma conexão onde a música se transformou em um elo espiritual que uniu todos os presentes.

O trecho final do concerto foi uma verdadeira apoteose de escuridão com “Christians to the Lions”, “Chant for Eschaton 2000” e o encerramento monumental com “O Father O Satan O Sun!”. Nesta última, todos os integrantes surgiram cobertos com capuzes negros e máscaras de caveira, enquanto Nergal emergia ao centro com uma imensa capa vermelha, cor de sangue — uma imagem tão poderosa quanto perturbadora. Foi o clímax visual e sonoro de uma noite em que arte, blasfêmia e devoção se fundiram em um só ato.

Com um som impecável e uma encenação quase teatral, Behemoth reafirmou por que é uma das bandas mais influentes do metal extremo contemporâneo. Bogotá foi palco de uma missa negra onde a escuridão não apenas se ouviu — ela foi vivida, sentida e respirada.
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Serviço:
Evento: Behemoth + Deicide
Local: Bogotá, Colômbia
Data: 17 de outubro de 2025
Fotografias: @jonathanmohamedphoto
Cobertura: Cultura em Peso
Mais informações: Facebook Oficial

