A noite do dia 6 de julho no Teatro da AMRIGS, em Porto Alegre, foi um verdadeiro tratado sobre as várias facetas do metal brasileiro. Três bandas, três propostas distintas, mas um objetivo em comum: entregar ao público uma experiência intensa, emotiva e inesquecível.

A jornada começou com a Auro Control, revelação do power/prog nacional, que apresentou um show vibrante e carregado de identidade. Na sequência, a Noturnall transformou o palco em uma usina sonora de precisão e fúria, mostrando por que é referência no metal moderno brasileiro. Encerrando com chave de ouro, Edu Falaschi reviveu seu clássico Temple of Shadows com orquestrações grandiosas e momentos de pura catarse

Auro Control aquece o palco com identidade e potência em Porto Alegre

Na noite de 6 de julho, o Teatro da AMRIGS foi palco de uma jornada épica do metal brasileiro — e coube à Auro Control a missão de abrir os caminhos para os shows do Noturnall e de Edu Falaschi. E se havia alguma dúvida sobre a força da nova geração do power/prog metal nacional, a banda tratou de dissipá-la nos primeiros acordes.

Liderada pelo vocalista Lucas de Ouro, que carrega o próprio nome como uma metáfora de entrega e brilho, a Auro Control trouxe um show coeso, técnico e carregado de emoção. Com uma performance segura e presença de palco marcante, Lucas conduziu o público por um setlist que alternou intensidade e melodia com habilidade impressionante.

Logo na abertura com “Not Alone”, a banda estabeleceu sua assinatura sonora: riffs poderosos, linhas vocais melódicas e uma atmosfera vibrante. Em “Feel the Fire”, o groove do baixista Thiago Baumgarten brilhou, sustentando uma base firme que conversava perfeitamente com os riffs de Lucas Barnery, cuja guitarra transita entre a agressividade e a sensibilidade progressiva. Já em “The Harp”, o momento mais etéreo e emocional do set, a banda mostrou maturidade ao criar uma ambiência que arrebatou a plateia.

Mas foi em “Rise of the Phoenix” e “Runner” que a Auro Control alcançou o ápice: o baterista Thiago Drum’on ditou o ritmo com precisão cirúrgica e pegada marcante, levando o público a acompanhar com punhos erguidos e olhos vidrados no palco. O encerramento deixou a sensação de que estávamos diante de uma banda pronta para voos maiores.

Auro Control não apenas abriu a noite — eles deixaram sua marca. Com personalidade, técnica e paixão, mostraram que o metal brasileiro tem um presente forte e um futuro ainda mais promissor.

Noturnall explode no AMRIGS com técnica, fúria e personalidade

Na sequência da noite de 6 de julho, após a surpreendente abertura da Auro Control, foi a vez da Noturnall incendiar o palco do Teatro da AMRIGS com uma apresentação avassaladora. Com uma fusão precisa entre o metal progressivo, o peso moderno e a teatralidade, a banda entregou um show enérgico e tecnicamente irrepreensível, reafirmando por que é um dos nomes mais relevantes da cena nacional.

Abrindo com “Try Harder”, o grupo já mostrou a que veio: riffs cortantes, vocais insanos e uma pegada que não dá trégua. “No Turn at All” e “Reset the Game” vieram na sequência, reafirmando o DNA técnico e agressivo da banda, com destaque para os vocais poderosos de Thiago Bianchi, que dominou o palco com carisma e presença imbatíveis.

A performance teve momentos de pura catarse com “Sugar Pill” e “Shadows (Walking Through)”, faixas que mostram o lado mais atmosférico e sombrio da banda, sem perder a densidade rítmica. A dupla de guitarras e o groove sólido da cozinha — que conta com músicos renomados e experientes — deram uma aula de precisão e musicalidade.

Um dos grandes momentos da noite foi a releitura intensa de “O Tempo Não Para”, clássico de Cazuza transformado em uma versão pesada e emocional, que arrepiou o público e demonstrou a versatilidade do grupo em dialogar com a música brasileira sem perder sua identidade metal.

O encerramento com “Scream! For!! Me!!!” foi o ápice do caos controlado que a Noturnall sabe tão bem entregar. Luzes estroboscópicas, palco dominado, interação intensa com o público e uma energia que parecia inesgotável.

O show foi mais que uma performance — foi uma afirmação. A Noturnall não é apenas uma banda virtuosa: é uma máquina de palco, com um discurso contundente e uma entrega que transcende o técnico. Em Porto Alegre, deixaram claro que seguem firmes na missão de elevar o metal brasileiro a patamares cada vez mais altos.

Edu Falaschi emociona Porto Alegre com a grandiosidade de

Temple of Shadows in Concert

 

No dia 6 de julho, o Teatro da AMRIGS foi palco de uma noite épica. Edu Falaschi, um dos maiores nomes do heavy metal brasileiro, trouxe à capital gaúcha a turnê Temple of Shadows in Concert, proporcionando ao público uma experiência imersiva e inesquecível.

Acompanhado de uma banda formada por músicos de altíssimo nível — Victor Franco e Diogo Mafra (guitarras), Raphael Dafras (baixo), Jean Gardinalli (bateria) e Fábio Laguna (teclado) —, Edu revisitou na íntegra o clássico álbum Temple of Shadows, lançado originalmente em 2004 com o Angra, elevando cada faixa a um novo patamar com arranjos sinfônicos e produção visual cinematográfica.

 

A sequência de hinos como “Spread Your Fire”, “Angels and Demons”, “The Temple of Hate” e “Late Redemption”mostrou não apenas o peso das composições, mas também a relevância atemporal dessa obra-prima conceitual do metal nacional.

Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram as participações especiais que deram um brilho ainda mais intenso ao espetáculo. Ozyrys Sheratan, vocalista da Temple of Hate, incendiou o palco ao lado de Edu na explosiva “The Temple of Hate”, em um dueto poderoso que arrancou gritos da plateia. Já a emocionante “No Pain for the Dead”ganhou vida com a performance visceral de Luana Cruz, que trouxe emoção e intensidade ao dueto originalmente interpretado por Sabine Edelsbacher.

Outra grande surpresa foi Henriqui Martins, que assumiu os vocais em “Winds of Destination”, trazendo um toque único e impactante à faixa mais épica do disco — um verdadeiro turbilhão de melodias, variações e emoção.

Para além do Temple of Shadows, o setlist também presenteou os fãs com músicas como “Bleeding Heart”, “Rebirth”, “Nova Era”, e a inesperada “Pegasus Fantasy”, que uniu o amor pelo metal e pela cultura pop em um momento divertido e nostálgico.

Foi uma noite em que o metal falou alto — em várias línguas, timbres e emoções — e mostrou por que continua tão vivo, pulsante e necessário.