
O fechamento da noite no Burning House coube ao Vltimas. Em sua primeira e muito aguardada passagem por São Paulo, o supergrupo confirmou o peso de seu line-up e entregou um show que foi uma verdadeira aula de metal extremo contemporâneo. Longe de ser apenas a soma de partes, a banda demonstrou uma coletividade impressionante.
O calibre do Vltimas é inegável, reunindo titãs da cena: David Vincent (ex-Morbid Angel) no vocal, Rune “Blasphemer” Eriksen (ex-Mayhem) na guitarra, acompanhados por um time de elite com Paweł “Pavulon” Jaroszewicz (Blindead 23, Shadohm e Redemptor) na bateria, João Duarte (Corpus Christii) na guitarra e Ype Tvs no baixo.

A imponência e a presença de palco de David Vincent foram surpreendentes. Sua voz potente e a força de sua persona centralizaram o show. Contudo, o grande triunfo do Vltimas foi que os outros músicos não atuaram como meros coadjuvantes. Todos eles foram impressionantes.
A sinergia do grupo era palpável: o “punch” dos riffs de guitarra de Blasphemer e João Duarte, as linhas de baixo pesadas de Ype Tvs e a precisão e vitalidade absurda da bateria de Pavulon garantiram que o instrumental fosse devastador.
Cada músico trouxe sua experiência lendária, resultando em um som ao vivo que superou a barreira das expectativas. A casa foi à loucura com a explosão sonora e técnica.
O setlist navegou com maestria pelo material da banda, com destaque para a ausência de “bis”, o que só aumentou a intensidade da performance, deixando a sensação de que o show foi uma peça única de destruição.

A banda abriu com “Epic“, “Praevalidus” e “Invictus“, estabelecendo imediatamente a grandiosidade e a força melódica.
O groove sinistro de “Mephisto Manifesto” e a brutalidade de “Exercitus Irae” mostraram a versatilidade do som, com os riffs pesados das guitarras apresentando um timbre denso e cortante.
A técnica instrumental atingiu seu pico nas faixas centrais. Em “Nature’s Fangs“, a banda explorou com maestria os tempos quebrados característicos do gênero, com as viradas de Pavulon na bateria servindo como a âncora complexa da canção.
A densidade seguiu com a atmosférica “Monolilith” e a profunda “Miserere“. O timbre das guitarras, ora cristalino, ora sujo, criou a textura ideal para essas composições.

O público vibrou com a agressividade de “Last Ones Alive Win Nothing” e a precisão cortante de “Scorcher“. O encerramento foi apoteótico. Em “Diabolus Est Sanguis“, o ritmo foi implacável. E na épica “Something Wicked Marches In“, a banda demonstrou toda sua complexidade estrutural.
Além da excelência técnica, a performance de David Vincent foi marcada por uma interação com o público que foi impecável e carismática.
O vocalista soube conduzir o ritual, comunicando-se de forma direta e mantendo a plateia conectada, provando que, mesmo em um supergrupo de metal extremo, a presença humana e o feedback com os fãs são cruciais para transformar um bom show em um momento épico. A noite, então, foi encerrada com a força de “Everlasting“, que deixou a plateia em êxtase.
O Vltimas provou que seu status de supergrupo é justificado pela coesão e pela vitalidade no palco. Foi um momento lindo e um final de noite inesquecível para o metal extremo em São Paulo.
Setlist:
1.EPIC
2.Praevalidus
3.Invictus
4.Mephisto Manifesto
5.Exercitus Irae
6.Last Ones Alive Win Nothing
7.Scorcher
8.Nature’s Fangs
9.Total Destroy!
10.Monolilith
11.Miserere
12.Diabolus Est Sanguis
13.Something Wicked Marches In
14.Everlasting

