Diferente dos demais dias da semana, este foi um sábado especial.
Não estava frio e com isto, já porvolta das 17:30h, a galera ia chegando á BURNING HOUSE.
Vestidos à caráter e com seus moicanos levantados, punks de diferentes idades e gerações já circulavam na calçada de frente ao local do evento.

Enquanto rolava som ao lado no Gaz Burning, dentro da casa já rolava o som mecânico e as primeiras latas de cerveja iam se abrindo. Público e bandas interagindo e relembrando histórias de outros rolês.

Refente ao line up, houve a saída da banda AGRAVO  (por motivos familiares) e o acrescimo da banda GALO DE BRIGA. Que inclusive pude trocar ideia pessoalmente, pela primeira vez e muito corteses. Da primeira vez que conversei com eles de forma online, foi justamente em uma entrevista ao meu canal no Youtube. Muito gentis e já estavam ansiosos para subir ao palco.


Pontualmente, ás 18:30h, a banda GALO DE BRIGA, iniciou os trabalhos e entregando para o público que chegava , um som divertido e com letras que narram situações do cotidiano. Com integrantes das cidades de São Paulo e Guarulhos, trouxeram sua experiência em cima dos palcos e entregaram um som de primeira.
Embora, em sua sonoridade tenha uma pegada também do Hardcore, trouxeram um set mais puxado ao Punk Rock. E agradou demais ao público, por conta do teor dstas letras serem algo que ia entre uma mensagem clara de protesto, quanto uma situação de farra e curtição. Se permtindo não levar tudo a ferro e fogo, mas sem deixar virar arruaça.
Deixando tudo mais descontraído e ao mesmo tempo gerando também reflexão.
Som rápido e com pegada, vocal potente e firme, assim como sua mensagem. Instrumental intenso e com velocidade. Como tem que ser, na linha do Punk – direto e sem curvas.
Entre as faixas do setlist estavam músicas do álbum “Ruas“, como por exemplo a icônica e divertidissima “Bebados Bebendo” e “Cercado de Idiotas”, que inclusive foi a faixa que encerrou a apresentação, não podendo deixar de citar a própria ‘Galo de Briga“, “Paz“, as incríveis ” Ressaca“, “Beer“, e “Farsa“, não é do álbum “Ruas“, mas foi tocada também “Temporada de Eleições“.  Sem rodeios foi uma apresentação crucial para o começo do evebto, elevando a temperatura e iniciando com os dois pés no peito, as vindouras apresentações que aconteceriam a seguir. Evento começando em alto nível.
GALO DE BRIGA é:
Marcos Maccione – Vocal, Chris Antimídia – Guitarra, Ander – Bateria e Gepão – Baixo


Pouco após às 19:10, a foi a vez da segunda banda daquele fim de tarde e começo de noite. A banda REBELDIA INCONTIDA, representando o ABC subiu ao palco para entregar palavras de ordem e relembrar casos de descasos do governo anterior e também, descaso e violência contra a mulher. Relembrando o caso do homem que agrediu sua companheira, com mais de 60 socos e outras situações de negligência. Foi citado o que aconteceu com a Helen Vitai, mencionando sobre a covardia q qual ela foi ass4ssin4da.
Seu som enaltece que a Cultura Punk não admite esse tipo de comportamente.
Relembrando que é uma cultura de Rua, de reivindicação, de luta – onde covardia não tem espaço. Iniciando a  presença feminina no evento com a vocalista Nara e a baixista Helo.
Uma apresentação com muita energia e sempre intercalando entre suas canções, um papo reto e consciente. Seu som tem a pegada, som rápido e consistente, além de contundente.
No set estavam as faixas: “Fora‘, “Anti Burguês“, “Pandemonia“, “Insubordinada“, “América Naz1st4“, “Bandeira Negra” e encerrando com “Covarde“. A gelera cantou junto e agitou do começo ao fim.
REBELDIA INCONTIDA é:
Nara – Vocal, Helo – Baixo, Junior – Guitarra e Lucas (bateria).


Poucos após às 20h, foi a vez da banda INTERVENÇÃO, banda que em sua formação há duas integrantes femininas na banda. Fortalecendo e trazendo o protagonismo das mulheres ao evento. A banda possui integrantes de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Formada em 2015 no Mato Grosso do Sul, a banda trouxe uma sonoridade cadenciada, com punkabilly/Punk dos anos 70. Um som empolgante, que colocou a galera para agitar e ao mesmo tempo que foi possível se divertir, também se conscientizar. Som Punk da velha escola, com riffs de guitarra mais elaborados, um baixo marcante e uma bateria da escola “Ramones”.
Os pogos foram ficando maiores e galera cantando música por música.
Ao mesmo tempo eram citadas situações recentes, reforçando o que havia sido dito pela banda REBELDIA INCONTIDA, sobre posturas no meio da cena Punk e relembrando a violência contra Helen Vitai. No setlist estavam as canções do álbum “Ela É De Luta” e de outros trabalhos.
Álbum este lançado em 2020 e que foi muito bem recebido pelo público, tanto que das faixas tocadas, foi possível ouvir a galera cantando e de forma unissona.
Foram apresentadas: “Intervenção”, “Como Entender”, “Eutanásia”, “Ela É De Luta’, Vitória do Capitalismo”, “Sonhos Roubados”, “O Problema”, “E Se Eu Fosse Você”.
Na faixa “Pequeno Poder”, foi feita uma fala contundente sobre individuos que quando, com o acesso ao poder se tornam crápulas e geram este pequeno poder, que inclusive estão presentes em questões do dia-a-dia. Onde quem recebe uma fração de “autoridade” e já e sente no direito de subjulgar e inferiorizar. Onde tudo leva a opressão e injustiça.
Em seguida foram tocadas “Pagar Para Viver”, “Tempo E Dinheiro”, “Eu Falo”, “Crenças Humanas ” e “Preguiçosos”. Uma apresentação incrível, sem deixar de citar o compartilhamento dos vocais em todas as faixas. Permitindo que inclusive, apenas as mulheres da banda cantassem. Foi muito show.
INTERVENÇÃO é:
Binha/Gabi – baixo/vocal, Nessa Barreto – Bateria e Lipe Koma (Vocal/Guitara)


Próximo às 21:30h, subiram ao palco para os ultimos ajustes antes de começar para valer. Foi então a vez da banda REFUGIADAS, banda oriunda de São Paulo e que conta com integrantes de outras bandas do cenário Punk e em sua formação Sendo suas quatro mulheres: Angelita (vocal), Tati (guitarra), Kéu (baixo) e Débora (bateria)
Sua sonoridade é um punk da velha escola, com guitarra suja, baixo destacados, uma bateria esmagadora, vocaisroucos e uma performance ímpar.
Durante a apresentação palavras de luta foram encorajados, para lembrar sobre o acontecido com Helen e tambpem, esclarecer que as coisas  não podem ser resolvidas da forma que aconteceram. Os gritos de “Êra Punk” eram difundidos a cada fala, demonstrando que banda e público estavam em sintonia e a mensagem estava sendo recebida e que estavam de acordo. Valorizando a cultura Punk e sobretudo, a luta feminina. Enfatizando o respeito e encorajamento as mulheres.
Durante a apresentação das REFUGIADAS foi mencionado futuros trabalhos que estão  sendo  elaborados e que em breve devem sair do forno. Um trabalho em parceria com RED STAR STUDIOS e PORÃO PUNK”, estúdio de um dos grandes anfitriões da noite, ARIEL INVASOR.

Eu já tinha visto uma apreentação da banda RATAS RABIOSAS, que tem integrantes da REFUGIADAS em sua formação. Não havia visto REFUGUADAS em ação e devo-lhe dizer que gostei muito, entregaram um show com muita energia e principalmente aitude, o que há em comum entre as duas bandas.
No setlist estavam: “Césio 137“, relembrando o desastre ocorrido em Goiás, “Padrões De Beleza”, “Pai Ausente”, “Plano De Morte”, “Refugiadas”, “Sistema De Fome”, “Juventude Desiludida”, Mão de Obra” e encerrando com “O Alucinado“.  Apresentação impecável”

Sobre esta última banda, que é nada mais e nada menos, que a lendária banda RESTOS DE NADA. Quero pedir desculpas por não conseguir trazer a experiência completa.
Se fosse ficar até o final – eu teria dificuldades em voltar para a casa, pois como é sabido de alguns resido na Zona Leste de SP e por mais que a casa esteja do lado da estação da CPTM, ficaria mais dificil o meu retorno para casa. Porém, quero compartilhar com vocês parte desta experiência de ver a primeira banda Punk de São Paulo, em ação.
Após apresentações singulares de cada uma das bandas, que conduziram este evento, a expectativa era gigantesca. Afinal, todos também estavam ali para assisrir a banda principal do evento.  Com um pouco mais de uma hora de atraso subiram ao palco, Ariel (Vocal), Clemente (baixo),  Luiz (Gutarra) e Nonô (Bateria).
Através do vocalista Ariel, veio o pedido de desculpas da banda pelo atraso. Mas que aquela seria uma noite memorável, afinal não é todos os dias que vemos uma banda, que foi formada em 1978 em ação.
Obs: Conforme alguns comentários do público, o atraso para a apresentação foi ocasionado a uma outra agenda. Onde a banda INOCENTES, havia se apresentado no Sesc Belenzinho e as agendas acabaram conflitando. E então, chega de explicações e bora para falar sobre a apresentação e o que pude contemplar. Ás 23:32, a banda toda estava no palco e deu-se inicio as atividades. Começando com a faixa “Restos De Nada“, sendo tocada vigorosamente. O baixo de Clemente estava tinindo e era ouvido com clareza. a bateria de Nonô era um massacre, a guitarra de Luiz trouxe energia e os vocais de Ariel, dispensa comentários, sua voz rouca é marcante e estava afiadíssima.
Com a experiência que lhes compete, foi entregue uma apresentação devastadora.  Com, todo o público agitabdo e se divertindo. Dançando e cantando. Sobretudo, esta foi uma noite de celebração do Punk e da vida. Sobre a jornada de todo um movimento e sua sobrevivência ao decorrer das décadas. Os altos e baixos, o topo e o lixo – Em uma roda gigante de acontecimentos, mas que demonstram resistência e resiliência das bandas e do público. No set estavam presentes pelos menos 20 faixas. Então vou citar algumas:
“Restos de Nada”, “Ninguém É Meu Igual”, “Rebeldia Incontida”, “Deixem Me Viver”, “Classe Dominante”, “Estrutura de Bronze”,”Escravos De Um Balde De Lixo”. Que foram algumas que consegui ouvir antes do meu regresso a Zona Leste.

De forma geral, foi uma experiência ímpar, RESTOS DE NADA trouxe uma apresentação que estava sendo conduzida com maestria. Algo surreal e com muita energia, vigor, intensidade e principalmente enaltecimento ao movimento de contracultura e musicalidade Punk.  Trazendo essência e verdade. além de um reabrir  de olhos para a realidade.

Citando inclusive uma das faladas do vocalista da INTERVENÇÃO, que nós temos um jeito peculiar de se divertir, dançamos ao som das tragédias que vivenciamos, mas que isto é importante. Não só de desgraças que vivemos, mas sobre estas que vivemos é sempre importante ressaltar e entregar através da música, formas que isto não se repita e que possamos então viver com dignidade, respeito e condições dignas para todos(as), nós.
Em um sistema que não nos permite viver em plenitude, que sejamos nós os mensageiros de uma boa nova de revolução e que o mundo possa ser um lugar mais pacífico, juso e sobretudo que tenha igualdade e equidade . Que não nos falte perseverança e atitude.
Que mesmo que tudo isso seja uma utopia, que seja a nossa utopia e que lutemos por ela. Uma vez que ainda que o poder dominante tente silenciar – que façamos nós esta revolução.  Que nem se aplica a pegar em armas, mas que a mensagem seja entregue e repasada para que engrossando estas fileiras, sejamos capazes de ser parte de algo melhor para todos(as). Mesmo que com pequenas revoluções diárias.
Que não sejamos algozes dos seus. Sem traições e/ou atos premeditados que impliquem em absurda maldade, vide o que aconteceu com a Helen.

De forma geral, este foi uma gig incrível! Sem coisas graves que podriam tirar o brilhantismo da idéia de organizar este baita rolê histórico.
Parabéns a organização da BURNING HOUSE. Uma espaço acolhedor sobretudo do Underground.  Onde se tem a preocupação de trazer grandes experiências  para seu público. Uma estrutura planejada e preparada para grandes espetáculos e permitindo conforto a quem lhe visita e que vai para tocar. Desde a pequenas bandas a gigantes do Mainstream, a casa é preparada e acolhe bem.


Tenho a certeza de que bandas e públicos se sentiram satisfeito, desde o cuidado em manter as mesas limpas, a busca em proporcionar um som cristalino e de qualidade ímpar.
Foi um baita espetáculo! Recomendo a quem ainda não conhece a casa, a comparecer aos eventos. Uma casa Underground, bem pertinho da estação Água Branca ( CPTM).
Foi sensacional!!!!