Fotos: Jéssica Kuhne

As bandas que fizeram parte do MTV Bandas Gaúchas, em 2005, gravado em São Paulo, com transmissão pela MTV Brasil e lançado em CD e DVD para todo o Brasil em maio daquele ano, comemoraram este feito histórico que mudou tanto a vida da Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Ultramen e Wander Wildner, fazendo com que muitos desses expoentes do chamado rock gaúcho alçassem a tão sonhada projeção nacional até os dias de hoje. O evento ocorreu sábado (20/09) e domingo (21/09), como lotação esgotada nos dois dias no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, o que levou o produtor Lelê Bortholacci a anunciar a data de 29 de janeiro para um repeteco da bem-sucedida iniciativa. Ingressos já estão à venda aqui. O show foi transmitido pela ATL TV e pode ser vista aqui.
De fato, devido à lotação, estava difícil transitar pelo local durante as cerca de 5 horas de festival que tomaram conta do Araújo nesses dois dias. Nada que estragasse o humor do pessoal que estava muito, mas muito mesmo feliz com o fenômeno que estava acontecendo ali. Sim, para muita gente que não viu as bandas gaúchas brilharem em 2005, seja na própria MTV, ou em CD ou DVD, não deixava de ser uma oportunidade única. Mas engana-se quem esperava uma cópia ao menos “semi-fiel” do que ocorreu naquele ano de 2005, afinal a ideia era celebrar aquela história que mexeu tanto com o imaginário de quem curtia a música feita aqui em meados dos anos 2000.
“Só o amor nos liberta”
Às 19h31min, quando o produtor e comunicador Lelê Bortolacci subiu ao palco para contar um pouco a historia do Acústico 20 anos e, e anunciando a primeira entrada da noite, o músico Wander Wilder, referenciado por ele como “o nosso Iggy Pop”. Importante lembrar que no show original cada banda tinha direito a tocar 5 músicas, mas nesta ocasição cada artista teria direito a 1 hora de show, ou seja, das participações especiais, ao cenário, muita coisa estava diferente), mas o mais importante estava ali.

“Buenas noches. Tudo bem? Que legal que vocês estão aqui esta noite, uma noite muito especial, um projeto muito especial. Músicas que marcaram época, um DVD que continua rodando por aí”, disse, emocionado, do início ao fim, um Wander alegre, vibrante e tocando feliz novas versões de músicas que marcaram gerações. Após abrir com “Rodando el Mundo”, Wander engatou a nova versão de “Bebendo Vinho”, que agora é cantanda assim: “(…) eu me entorpecia bebendo vinho (…)”, com uma voz super afinada e uma vibe muito, muito pra cima, largando frases como “Que energia maravilhosa” ou “Esse show só existe porque vocês existem”. Destaque também para versão em português de The Killing Moon (Echo & The Bunnymen), “Redemption Song” (Bob Marley), “Sangue Latino” (Secos e Molhados) e Um Índio (Caetano Veloso). Wander, aos 66 anos comemorados justamente naquele mesmo 20 de setembro, dedicou o show à memória do músico João Vicenti (Nenhum de Nós), morto ano passado. Também não faltaram as clássicas “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo” e “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”.




Quase 21h, sobe ao palco parte da banda que deu origem à Bidê ou Balde, com o crooner mais famoso e engraçado do Rio Grande do Sul: Carlinhos Carneiro. Acompanhado do também de outro remanscente da banda, o guitarrista Rodrigo Pilla (a Bidê não existe mais), o grupo também levou ao palco o vocalista da banda Acústicos & Valvulados, Rafael Malenotti, que não participou do Acústico MTV, mas é uma figura importante no cenário. Ou seja, Carlinhos fez um show extramente “familia”, com direito a pegar a filha Hanna no colo e pedir a mão da companheira Jade em casamento durante a música “Cores Bonitas”. “Essa é a Jade, mulher da minha vida. Quero saber se tu aceita se casar comigo?”. E a resposta foi sim, muito comemorada por Carlinhos. Por fim, o público curtiu a presença do vocalista em meio ao público cantando “Mesmo que mude”, como costuma fazer, realizando uma espécie de celebração ao amor. Uma marca registrada da Bidê ou Balde.






Às 10h30min, invadiu o palco a Ultramen, uma das bandas mais aguardadas da noite e mais queridas do público. O vocalista Tonho Crocco elogiou a lotaçao do Araújo enquanto abria os trabalhos com “Ultramanos”, passando por “Máquina do Tempo” e “Preserve”. “Dívida” foi um show à parte. Assim como os outros artistas, a banda, conhecida pelas experimentações sonoras, mostrou evidentedemente que muita coisa mudou nesses 20 anos desde que o Acústico foi gravado. Mas muitas coisas positivas foram mantidas, como a permanência desses grupos (com exmceção da ‘Bidê’) e mudar é saudável.
“Se vocês estão aqui é porque essas músicas e essas bandas marcaram a vida de vocês”, disse Tonho.
“Peleia”, com introdução de Amigo Punk (Graforreia Xilarmônica) encerrou a participação do grupo.





A Cachorro Grande encerrou a noite entrando com tudo com sua “Sexperienced”. Também fugindo do formato acústico, a banda trouxe uma pianista (Mari Kerber) no lugar de Pedro Pelotas. Marcelo Gross assumiu os vocais de “Um Dia Perfeito” e o momento foi catártico. Em “Sinceramente”, sucesso que todo mundo adora, o público iluminou o Araújo com as lanterna dos seus celulares, criando uma atmosfera muito bonita. Logo depois, Você Não Sabe o Que Perdeu incendiou o espaço — Beto, já impaciente com o violão, deu lugar a Gross, estraçalhou o mesmo ao final do show. Destaque também para Luciano Malásia, que deu um show à parte na percussão, como sempre.





Se tu não viu o original, ele está disponível aqui:

