A noite de 21 de setembro no Bar Opinião (Porto Alegre) foi um daqueles encontros que ficam gravados na memória coletiva do underground. A casa lotada, o suor, a roda incansável e a energia crua lembraram a todos por que o metal extremo ainda é uma das manifestações mais intensas de música ao vivo.
Bestial – A faísca inicial

A abertura ficou por conta da Bestial, que trouxe a selvageria do death metal local para aquecer os motores. O peso cortante das guitarras e a brutalidade dos vocais incendiaram a plateia já desde cedo, provando que o underground gaúcho continua pulsante e feroz.
Contortion – Resistência em trio

O Contortion, vindo da Califórnia, encarou outro desafio: subir ao palco como power trio, após a saída repentina do baixista no meio da turnê. A ausência não abalou o impacto da banda. Pelo contrário: Brian Stone e seus companheiros preencheram cada espaço com riffs densos, breakdowns devastadores e presença de palco avassaladora.

O Opinião virou um redemoinho de energia, com moshpits constantes e a prova viva da garra da cena underground.
Malevolent Creation – Peso mesmo sem Phil Fasciana

Um dos momentos mais aguardados da noite era a apresentação do Malevolent Creation, lenda do death metal da Flórida. Porém, o show veio marcado por uma ausência sentida: Phil Fasciana, guitarrista e fundador da banda, ficou impossibilitado de viajar para a turnê brasileira devido a problemas de saúde.

Mesmo sem seu líder histórico, a banda mostrou porque é referência há mais de três décadas. O setlist brutal passeou por clássicos e manteve a agressividade em alta, conduzindo a plateia em uma catarse de riffs velozes e vocais cortantes. Foi uma performance que misturou respeito, resistência e entrega, onde cada nota parecia carregar também a falta do mestre fundador.
Krisiun – Os mestres do caos

O auge da noite veio com os gaúchos do Krisiun, retornando à sua terra natal em um show que foi mais do que música: foi um ritual. Alex Camargo, Moyses Kolesne e Max Kolesne mostraram por que carregam a bandeira do metal extremo brasileiro mundo afora. Canções como “Kings of Killing”, “Ravager” e “Scourge of the Enthroned” soaram como trovões, enquanto a plateia respondia em um moshpit incessante.

Um momento especial marcou o show: integrantes das outras bandas subiram ao palco, reforçando a sensação de irmandade que permeou toda a noite. A cena não era apenas sobre técnica ou velocidade, mas sobre união e respeito entre gerações do metal.
A noite de 21/09 no Opinião foi uma celebração da brutalidade em sua forma mais pura. Do underground local à tradição internacional, quatro bandas mostraram que o metal extremo continua vivo, pulsante e cada vez mais necessário.


