Malevolent Creation, Stage Garden. Curitiba 2025. Foto: Nicole Gielow – @gielowphoto

O Stage Garden, em Curitiba, presenciou um início de noite de excelência técnica com a Contortion. Em seguida, o Malevolent Creation subiu ao mesmo palco para injetar uma dose essencial de caos brutal e uma história de superação digna do death metal.

A vinda da banda à capital paranaense estava, como se sabe, marcada por incertezas e apreensão. Após o membro original e guitarrista, Phil Fasciana, ter graves problemas de saúde devido a uma grave infecção bacteriana durante a turnê europeia, o destino dos shows brasileiros pendeu por um fio, resultando no cancelamento de algumas datas. No entanto, o Malevolent Creation provou que a máquina do death metal não seria silenciada, subindo ao palco em um formato de trio (guitarra, baixo/voz e bateria) e entregando um show brutal e incrível.

Jesse Joly, Stage Garden. Curitiba 2025. Foto: Nicole Gielow – @gielowphoto

Se a Contortion havia primado por uma precisão mais clean, o Malevolent Creation chegou para rasgar o ar com uma fúria visceral.

A performance ao vivo foi impressionante, especialmente a entrega do vocalista e baixista Jesse Joly. Sua voz brutal, que soava como um tremor gutural vindo do abismo, provou ser o ponto de ancoragem do som. A intensidade de Joly, dominando o baixo e o microfone, sustentou a agressividade da banda e compensou a lacuna de arranjo devido à ausência do guitarrista.

A banda começou a demolir o setlist com a sequência “Eve of the Apocalypse” e “Premature Burial“, estabelecendo de imediato que, apesar dos problemas e do formato reduzido, a energia seria máxima. O público, já aquecido pelos riffs e pela técnica da Contortion, respondeu com a selvageria que o death metal exige.

O repertório escolhido foi uma viagem pelos clássicos da banda. Faixas como “Coronation of Our Domain” e “Dominated Resurgency” mantiveram o ritmo frenético, com o baterista sustentando uma precisão técnica implacável, essencial para o gênero.

Ronnie Parmer, Stage Garden. Curitiba 2025. Foto: Nicole Gielow – @gielowphoto

O momento que cravou a noite foi a execução de “Infernal Desire“. A música, com sua cadência caótica e riffs memoráveis, foi fantástica e funcionou como um verdadeiro soco no estômago. A máquina do Malevolent Creation mostra que, mesmo enfrentando a adversidade, a intensidade é o seu maior trunfo.

O show seguiu com a mesma brutalidade em “Living in Fear“, “Homicidal Rant“, e a favorita do público, “Multiple Stab Wounds“, antes de encerrar com a trinca avassaladora de “Slaughter House“, “Manic Demise” e “Blood Brothers“.

O Malevolent Creation transformou a incerteza de sua vinda em um triunfo de brutalidade pura. Ver a banda superar o desafio de se apresentar como um trio, e ainda assim entregar um espetáculo de tamanha força e qualidade, é um testemunho da resiliência do death metal. A noite foi uma prova de que a dedicação e o carisma, somados à performance vocal e instrumental impressionantes, são a receita para um show que, embora caótico, foi incrivelmente memorável.

Setlist:
1. Eve of the Apocalypse
2. Premature Burial
3. Coronation of Our Domain
4. Dominated Resurgency
5. Infernal Desire
6. Living in Fear
7. Homicidal Rant
8. Multiple Stab Wounds
9. Alliance or War
10. Slaughter House
11. Manic Demise
12. Blood Brothers

Malevolent Creation, Stage Garden. Curitiba 2025. Foto: Nicole Gielow – @gielowphoto