
A banda estadunidense Contortion, que tem agitado a cena do underground, fez uma estreia que ficará marcada na memória da capital paranaense. A primeira turnê brasileira do grupo aterrissou no Stage Garden no último dia 18, em uma noite que contou também com os brutais do Malevolent Creation e Krisiun, e o que se viu foi a tradução perfeita da precisão de estúdio para o palco, culminando em uma noite de excelência sonora e energia eletrizante.

Não se tratava apenas de mais um show, mas da celebração do peso e da técnica em divulgação ao aclamado álbum de 2024, The Common Thread. Desde os primeiros acordes, ficou claro que a qualidade sonora impecável, um dos pontos altos da noite, não era um mero detalhe, mas o esqueleto que sustentou a parede sonora da Contortion. Em um gênero que exige clareza para distinguir a complexidade dos riffs e das linhas de bateria, o Stage Garden funcionou como uma luva, permitindo que cada nota chegasse ao público com a força e a nitidez necessárias.
O setlist da noite foi, como esperado, quase inteiramente dedicado ao novo álbum, disponível em todas as plataformas digitais. A banda não perdeu tempo e lançou uma sequência matadora que estabeleceu a tônica da apresentação:
A abertura com “Idiot Box” e “Dreaming Alone” já colocou o público em estado de alerta. A destreza técnica do grupo é notável: a bateria navegou com leveza e maestria entre blast beats e as viradas quebradas. A ausência do baixista não pesou, pois a guitarra e a bateria se complementaram de forma brutal, com os riffs pulsantes mantendo um peso monstruoso que provou a superioridade da performance ao vivo, mesmo em formato de trio.
Faixas como “New Millennium Revolution” e “Within the empire” mostraram a identidade da banda, equilibrando a fúria característica do metal extremo com a complexidade melódica que remete ao djent e ao thrash metal. No meio do show, com “Guttersnipe” e “I am no one“, a energia atingiu seu pico máximo.

Se a técnica foi inquestionável, o carisma dos músicos foi o fio condutor que costurou a conexão com a plateia. Em sua primeira tour pelo Brasil, a banda demonstrou uma presença de palco full power e uma interação genuína, que transformou a experiência em um caldeirão de suor e entrega mútua. Longe de serem estáticos, os integrantes interagiram, celebraram a receptividade e mostraram a disposição de quem sabe que o underground paranaense, embora em número reduzido naquela noite, exige entrega total.
O show se encaminhou para um final digno, com a dobradinha “For a want of a nail” e “No destination” funcionando como um soco no estômago final, antes do encerramento com “Among the stars“.
O show da Contortion no Stage Garden não foi apenas uma simples apresentação de uma banda em uma turnê. Foi uma aula de como a técnica deve servir à intensidade, e o quanto o carisma com o público é importantíssimo antes, durante e após o show, resultando em uma experiência arrebatadora. Curitiba foi palco de uma estreia impecável que, com certeza, aumentou a base de fãs da banda no Brasil.
Que não demorem para a próxima vinda!
Setlist:
1. Idiot Box
2. Dreaming Alone
3. New Millennium Revolution
4. Within the empire
5. Guttersnipe
6. I am no one
7. For a want of a nail
8. No destination
9. Among the stars


