Capa novo album Blindead 23: Deuterium.

Existem bandas que tocam música e existem coletivos que moldam sentimentos. Hoje, 10 de fevereiro, o cenário da música pesada experimental foi presenteado pelo lançamento de “Deuterium”, o novo single da banda polonesa Blindead 23, pela Peaceville & Mystic Productions. Mais do que uma simples faixa, o lançamento marca o anúncio oficial do álbum homônimo, previsto para chegar aos nossos ouvidos em 24 de abril de 2026.

Para entender o impacto desse lançamento, precisamos olhar para trás. A Blindead 23 é a evolução natural da jornada iniciada pela Blindead original, que entre 2003 e 2022 redefiniu os limites do que conhecemos por metal extremo. Sob esta nova perspectiva, o grupo mantém a essência de não se deixar rotular: é impossível (aos ouvidos desta redatora) classificar sua sonoridade em uma prateleira específica. Estamos diante de uma entidade puramente experimental, onde cada álbum é um universo isolado, nunca idêntico ao anterior.

O “dream team” reunido aqui justifica a complexidade da obra. Contamos com a genialidade de Mateusz “Havoc” Smierzchalski (ex-Behemoth), a técnica de Roger Öjersson (ex-Katatonia), a voz visceral de Patryk Zwoliński e o ritmo avassalador de Paweł “Pavulon” Jaroszewicz (Vltimas, Redemptor, Shadohm, ex-Vader, ex-Decapitated).

Em “Deuterium“, a composição foi um processo coletivo e orgânico. Cada integrante adicionou sua própria camada de influências, resultando em uma faixa que abraça o ouvinte com um peso que toca o fundo da alma.

O single é uma aula de dinâmica. A variação vocal de Patryk é estonteante; ele transita entre a fragilidade e a fúria com uma perfeição técnica que poucas bandas conseguem atingir. Enquanto as guitarras te abraçam de forma densa e firme, a linha de baixo de Vinne Zwolinski (Vinicius Nunes convidado para as gravações) surge forte, definida e absurdamente presente fazendo o coração pulsar de forma insana e conjunta com o trabalho de Pavulon e os pedais duplos. Há uma urgência rítmica que, somada aos sintetizadores e paisagens sonoras de Stephane Azam e Havoc, cria uma atmosfera de introspecção e caos controlado. É metal, é progressivo, é pós-rock, mas acima de tudo, é arte sem amarras.

Blindead 23, 2026. Foto: Divulgação Peaceville Records.

O álbum Deuterium promete ser muito mais que um lançamento; é o desfecho de um ciclo e o início de uma nova forma de existência. O Blindead 23 prova que, mesmo após anos de estrada e transformações, ainda é possível soar visceral, autêntico e, acima de tudo, corajosamente ousado.

Não estamos falando apenas de uma banda, mas de um organismo vivo que respira experimentação e carrega em suas veias o DNA mais refinado da cena polonesa. Ao ouvir este single, fica claro que eles não estão aqui para repetir fórmulas, mas para lembrar que a música pesada, quando feita com essa entrega, é capaz de traduzir o indescritível.

Por fim, o que nos aguarda em 24 de abril não é apenas um disco, é um manifesto de evolução artística. No final, quando o último acorde de “Deuterium” se apaga, o que resta é o silêncio reflexivo de quem acaba de testemunhar a verdadeira transcendência do metal extremo.

Blindead 23:
Patryk Zwoliński: Vocais
Mateusz Śmierzchalski: Guitarras, synths e piano
Roger Öjersson: Guitarras, keys e backing vocals
Paweł Jaroszewicz: Bateria

Convidados em ‘Deuterium’:
Maciej Janas: Guitarras e piano
Vinne Zwolinski (Vinicius Nunes): Baixo
Stephane Azam: Synths

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