Para muitos, o Vagos Metal Fest começou oficialmente no dia 5, mas houve quem tivesse chegado um dia antes. Os mais corajosos marcaram presença antecipadamente, preparando terreno, montando o acampamento e entrando no espírito do festival antes mesmo do primeiro acorde ecoar pelo recinto.
A primeira noite no camping não foi propriamente fácil. Entre a viagem, o cansaço acumulado e a ansiedade pelo início de mais uma edição do Vagos, o descanso acabou por ser curto. Mas com a chegada da manhã veio também a energia necessária para enfrentar o primeiro dia oficial de festival.
Ethereal Sin

Com os concertos a arrancarem por volta das 18h, coube aos japoneses Ethereal Sin a responsabilidade de abrir a edição deste ano, enfrentando desde logo um dos maiores desafios do dia: um calor intenso que se fazia sentir no recinto.
Vindos de Osaka, com uma sonoridade que cruza o symphonic, melodic black e power metal, a banda trouxe ao palco a sua atmosfera épica, marcada por ambientes fantasiosos e uma forte componente melódica.
O concerto arrancou com “Nostalgia”, seguindo-se “Misty”, “999”, “Setsuna” e “Dancing”, temas que deram início à viagem sonora proposta pela banda japonesa.
Apesar das altas temperaturas e do facto de ser o primeiro concerto do festival, os Ethereal Sin conseguiram criar o primeiro momento de ligação entre palco e público, dando o pontapé de saída para três dias de celebração do metal em Vagos.
Melodius Deite

Depois do arranque épico dos Ethereal Sin, a viagem pelo universo do metal continuou com os tailandeses Melodius Deite, uma banda oriunda de Bangkok que trouxe ao palco a sua mistura de progressive e power metal.
Com uma forte componente melódica e uma imagem muito ligada ao lado fantasioso do género, a banda apresentou um espetáculo cheio de elementos visuais. Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando a vocalista surgiu em palco com umas asas de anjo, reforçando a componente teatral da atuação e criando uma imagem que facilmente ficou na memória de quem assistia.
O público respondeu à energia da banda desde cedo, com os primeiros circle pits a surgirem no recinto, mostrando que, apesar do calor intenso que continuava a marcar o dia, a vontade de celebrar o metal estava bem presente.
O alinhamento começou com “Vainglorius Pride”, seguindo-se “Warrior’s Heart and Soul”, “Lucifer”, “Saint Gabriel” e “Novelist”, antes de encerrarem a atuação com “Song for Good Fellows”.
Os Melodius Deite deixaram uma marca bastante positiva no primeiro dia do Vagos Metal Fest, trazendo consigo a combinação entre peso, melodia e uma forte componente visual, provando que o metal asiático continua a conquistar novos territórios e públicos.
An Endless Path

A intensidade do primeiro dia do Vagos Metal Fest continuou a subir com a chegada dos An Endless Path, representantes das sonoridades mais modernas do metal, entre o metalcore e o deathcore.
Vindos das Ilhas Canárias, a banda trouxe ao palco uma atuação carregada de peso, com breakdowns marcantes e uma energia que rapidamente contagiou quem se encontrava junto ao palco.
O concerto arrancou com “Pray For Salvation”, seguindo-se “Afraid Of Darkness”, “I Can’t Fail”, “Gallows”, “Nothing Matters To Us” e “Betrayer And Fault”, num alinhamento que mostrou a agressividade e a intensidade que definem a identidade da banda.
A resposta do público acompanhou a entrega dos músicos, com a energia característica destes géneros bem presente no recinto, entre movimentos constantes da plateia e uma ligação cada vez mais forte entre banda e fãs.
Os An Endless Path deixaram assim mais uma demonstração de força no primeiro dia do festival, provando que as novas gerações do metalcore e deathcore continuam a conquistar espaço nos grandes palcos.
Almost Dead
A tarde começava a ganhar outra intensidade quando chegou a vez dos Almost Dead, vindos de Martinez, Califórnia, trazerem ao Vagos Metal Fest a força do seu thrash/groove metal.
Com uma sonoridade mais pesada e agressiva, a banda americana entrou em palco pronta para mudar o ambiente do recinto, trazendo consigo a energia característica de quem domina os riffs mais diretos e uma atitude bem marcada em palco.
O concerto arrancou com “Foreboding”, seguindo-se “Commandments of Coercion”, “Visions of the Prophecy”, “Respite”, “Encapsulate” e “Warheads in the Sky”, antes de encerrarem a atuação com “Where Sinners Cry”.
A resposta do público foi imediata. O recinto encheu-se para receber os Almost Dead, com uma plateia cada vez mais envolvida e preparada para acompanhar a intensidade da banda, entre movimento constante e a energia que o thrash/groove metal exige.
Com uma atuação sólida e carregada de peso, os americanos deixaram a sua marca no primeiro dia do festival, mostrando que a combinação entre agressividade, groove e atitude continua a ser uma fórmula eficaz para conquistar um público de metal.
Cro-Mags
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A noite no Vagos Metal Fest ganhou uma nova dimensão com a chegada dos Cro-Mags, uma das bandas mais influentes a nascer da cena hardcore nova-iorquina dos anos 80.
Vindos de Nova Iorque, os veteranos trouxeram consigo décadas de história, cruzando o thrash metal, crossover e hardcore punk numa mistura que ajudou a definir o som de uma geração e continua, ainda hoje, a marcar novos músicos e fãs por todo o mundo.
Desde os primeiros acordes ficou claro que a idade não pesa quando existe atitude e entrega. Os Cro-Mags subiram ao palco com a mesma agressividade e intensidade que sempre caracterizou a sua identidade, transformando o recinto numa verdadeira celebração da velha escola.
O concerto arrancou com “We Gotta Know”, seguindo-se “My Life”, “Wired for Chaos”, “World Peace”, “Show You No Mercy”, “Malfunction”, “Days of Confusion”, “Down But Not Out”, “Street Justice”, “Survival of the Streets”, “These Streets”, “Apocalypse Now” e “Hard Times”.
Entre riffs pesados, energia punk e uma ligação constante com o público, os Cro-Mags provaram que continuam a ser uma força incontornável em palco. Uma atuação marcada pela atitude, pela história e pelo espírito underground que sempre acompanhou a banda.
Mais do que um simples concerto, foi uma viagem pelas raízes do crossover e uma demonstração de que a essência do hardcore continua bem viva.
Ramp

A representar o metal português no primeiro dia do Vagos Metal Fest e a substituir Ill Niño, chegou a vez dos Ramp subirem ao palco e mostrarem porque continuam a ser um dos nomes mais importantes da história do metal nacional.
Com uma carreira marcada pela consistência e por uma identidade própria, a banda trouxe ao recinto uma atuação intensa, revisitando temas que atravessam várias fases da sua história e mostrando que a sua energia em palco continua bem presente.
O concerto arrancou com “Insane”, seguindo-se “How”, “Dawn”, “The Number One”, “Clear”, “Blind Enchantment”, “Those We Cannot Blame”, “Follow You”, “The Cold”, “Insidiously”, “Anjo da Guarda”, “Hallelujah” e “Drop Down”.
Com um alinhamento recheado de momentos fortes, os Ramp entregaram uma atuação sólida e cheia de dinâmica, percorrendo diferentes ambientes dentro da sua sonoridade e mantendo o público atento do início ao fim.
Mais uma vez, a banda provou que o metal feito em Portugal tem história, qualidade e capacidade para marcar presença nos grandes palcos, deixando uma prestação à altura do nome que carregam.
Lamb of God
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O primeiro dia do Vagos Metal Fest aproximava-se de um dos momentos mais aguardados e o recinto já dava sinais disso. Quando chegou a vez dos Lamb of God, a área em frente ao palco estava completamente preenchida, pronta para receber uma das maiores forças do metal moderno.
Vindos de Richmond, Virgínia, os americanos são uma referência incontornável dentro do groove metal, conhecidos pela agressividade dos seus riffs, pela energia avassaladora dos seus concertos e pela presença de palco intensa do vocalista Randy Blythe.
Desde o primeiro acorde de “Ruin”, ficou claro que não seria uma atuação para espectadores passivos. O som poderoso fazia-se sentir por todo o recinto, com o chão a vibrar ao ritmo dos riffs pesados e dos constantes circle pits criados pelo público.
O alinhamento percorreu vários momentos marcantes da carreira da banda, passando por temas como “Laid to Rest”, “Blood Junkie”, “Into Oblivion”, “Resurrection Man”, “Now You’ve Got Something to Die For”, “Hourglass”, “Descending”, “Walk With Me in Hell”, “Parasocial Christ”, “Omerta”, “11th Hour”, “Memento Mori” e o inevitável encerramento com “Redneck”.
Com uma entrega brutal e uma resposta à altura por parte dos fãs, os Lamb of God mostraram porque continuam a ser um dos nomes mais respeitados do metal atual. Um concerto intenso, pesado e impossível de ignorar, que transformou o recinto de Vagos numa verdadeira tempestade de som e energia.
Kenòs

Depois da intensidade avassaladora dos Lamb of God, a noite continuou com uma mudança de direção, desta vez pelas mãos dos italianos Kenòs, banda formada em 1999 e dedicada ao technical death metal.
Com mais de duas décadas de carreira, os italianos trouxeram ao palco uma sonoridade extrema, complexa e tecnicamente exigente, mantendo a intensidade que já dominava o recinto.
O concerto arrancou com “Rigor Mortis”, seguindo-se “Majestic Persecution”, “Black Hand”, “Ninive” e “The Craving”, num alinhamento curto mas carregado de peso e intensidade.
Depois da verdadeira tempestade provocada pelos Lamb of God, os Kenòs assumiram a difícil tarefa de manter os níveis de agressividade elevados. Entre riffs complexos, velocidade e uma abordagem técnica ao death metal, a banda italiana deu continuidade à noite com uma dose bem mais extrema de peso.
Chaosaddiction

A encerrar o primeiro dia de concertos, e numa alteração ao cartaz inicialmente previsto, subiram ao palco os Chaosaddiction, que assumiram a posição deixada pela ausência de Jeremy Harry Harris.
Depois de um dia inteiro de música, calor e muitas horas de festival, o ambiente no recinto já era naturalmente mais tranquilo, mas isso não impediu quem permaneceu de acompanhar a atuação e receber a banda.
Os Chaosaddiction deram início ao concerto com “Into Chaos”, seguindo-se “Drama King”, “Sinto Muito”, “Goodbye”, “Lovesick” e “Fuck You, Next”, percorrendo diferentes momentos da sua sonoridade e mantendo a energia em palco até ao último tema.
Com uma atuação entregue e um público que, apesar das muitas horas de festival, continuava presente e a aproveitar os últimos momentos da noite, os Chaosaddiction ficaram responsáveis por fechar o primeiro dia de concertos.
Uma forma diferente de terminar uma jornada longa e intensa, deixando o palco preparado para aquilo que ainda estava por vir nos dias seguintes.
Ainda houve quem tivesse energia para rumar ao after party com DJ Izzy, embora, naturalmente, o número de resistentes fosse já bastante mais reduzido quando comparado com a multidão que tinha passado pelo recinto ao longo do dia.
Entre quem escolheu finalmente regressar ao camping e quem decidiu prolongar a noite pela madrugada dentro, chegava assim ao fim o primeiro dia do Vagos Metal Fest – pelo menos para aqueles que ainda conseguiam chamar-lhe “fim”.
A verdade é que este primeiro dia teve o recinto esgotado e foi apenas uma amostra daquilo que os próximos nos reservavam. Se o arranque já tinha sido marcado por tanta intensidade, energia e grandes momentos, ainda havia muito Vagos pela frente.

