O primeiro de dois dias intensos de festival prometia grind, death, slam e brutalidade sem pausas. Às 17h, começou a formar-se a fila para entrar à porta do RCA Club. Quem chegou cedo já sentia a energia no ar: metaleiros de todas as idades a trocar impressões e expectativas para o que estava para começar.
Ainda na fila para entrar, já se ouvia a primeira banda a começar o concerto:
Podre



Podre abriram o Xapada 2026, a subtituir os Terramorta, com um concerto curto, mas absolutamente incisivo. Grind/slam metal cru, rápido e sem concessões, servido com uma energia alta desde o primeiro segundo. A abordagem foi visceral, direta ao impacto, com uma intensidade sonora que não deu espaço para respirar.
Apesar de ser a primeira banda da noite – e de a sala ainda não estar cheia no arranque – a resposta do público foi imediata. À medida que o concerto avançava, o RCA começou a compor-se, e os primeiros mosh pits e circle pits surgiram naturalmente, puxados pela agressividade rítmica.
Foi uma atuação focada na entrega e na força bruta, cumprindo na perfeição o papel de abertura do festival: preparar o corpo, acordar o público e estabelecer desde cedo que o Xapada 2026 não ia dar tréguas.
Colpoclesis



Colpocleisis subiram ao palco quando o público ainda estava a chegar, mas o RCA já apresentava uma sala visivelmente mais composta. Bastaram poucos minutos para a banda impor o seu peso e transformar o espaço num ponto de agitação constante.
A resposta foi imediata e física: participação ativa do público tanto no pit como em cima do palco, com cabeças a bater em uníssono e uma energia contagiante que se espalhou pela sala.
Ao vivo, os Colpocleisis mostraram-se sólidos e intensos, com uma entrega forte e um som que funcionou plenamente no contexto do festival. A receção foi claramente positiva, incluindo por parte de quem não conhecia a banda até ali, o que reforça o impacto da atuação e a sua eficácia em palco.
Amputated



A banda britânica regressou a Portugal 16 anos depois da sua última passagem por Mangualde, trazendo consigo uma enorme expectativa. O público, já aquecido pelas atuações anteriores, começou a reagir desde o primeiro acorde, e a sala rapidamente se transformou num verdadeiro caos controlado, com mosh pits e headbanging constantes a dominar o espaço.
O set foi enérgico do início ao fim. Cada riff afiado, cada batida da bateria e cada gutural empurrava a plateia para uma entrega total. A precisão e a intensidade da banda mantiveram todos em alerta, tornando cada música uma explosão de força sonora que parecia impossível de ignorar.
Mesmo depois de 16 anos, Amputated mostrou que continua a esmagar em palco com a mesma urgência e brutalidade de sempre. A química entre banda e público era visível, com todos mergulhando de cabeça na energia do concerto, provando que a força do seu death/grind não sofreu nenhum desgaste com o tempo.
Besta



Besta entraram em palco com energia total, assumindo o papel de última banda antes da pausa para o jantar. Desde o primeiro momento, o vocalista cativou o público com intensidade e uma performance crua, impondo uma presença forte e agressiva.
A banda despejou caos e brutalidade em riffs rápidos e explosivos, num grindcore implacável que não deu descanso a ninguém. A reação do público foi imediata, com entrega total e resposta física à intensidade sonora que vinha do palco.
Apesar de ser o último concerto antes da pausa, Besta conseguiu prender a atenção de quem ali estava. Foi uma demonstração de grindcore português em forma máxima, brutal e envolvente, perfeita para fechar a primeira metade do festival com força total.
Embrace your punishment



Após a pausa para o jantar, com forças recarregadas, Embrace Your Punishment subiram ao palco e não demoraram a colocar o público em movimento. Bastaram os primeiros temas para voltar a aquecer a sala, com um set sólido e muito energético a marcar o arranque da segunda metade da noite.
Os riffs afiados e os ritmos intensos criaram uma base constante de pressão sonora, empurrando o público para a frente. O vocalista destacou-se pela forte presença de palco, guiando a plateia com energia contínua e mantendo a ligação direta entre palco e pit.
Foi slam metal de alta intensidade, rápido e visceral, que fez o público mergulhar de cabeça em mosh pits e circle pits. A adrenalina manteve-se no máximo do início ao fim, confirmando a eficácia da banda ao vivo e o impacto da sua atuação no contexto do festival.
Brutal Sphincter



Brutal Sphincter não perderam tempo: desde o primeiro momento, a banda arrastou o público para o pit. A entrada em palco foi explosiva e cheia de energia, com o público a responder de imediato ao caos controlado que se instalou no RCA.
A performance foi diversificada, alternando riffs brutais com momentos de humor absurdo e interações constantes com a plateia. O equilíbrio entre brutalidade sonora e descontração deu ao concerto uma atmosfera única, tornando-o tão pesado quanto divertido.
O concerto foi um verdadeiro espetáculo de energia. Mosh pits, circle pits e até um comboio no pit mantiveram todos em movimento. Houve até direito a um beijinho, arrancando risos e aplausos, provando que Brutal Sphincter não se leva demasiado a sério, mas entrega brutalidade e diversão na mesma medida.
Unfathomable ruination



Os Unfathomable Ruination trouxeram riffs fortes e uma composição eficaz que manteve a atenção do público do início ao fim. O death/grind intenso combinou brutalidade, harmonias e groove de forma equilibrada, resultando numa performance envolvente e sem pausas.
A resposta do público foi imediata, com circle pits constantes e participação ativa ao longo de todo o concerto. A energia na sala manteve-se elevada, acompanhando a agressividade e a precisão da banda em cada tema.
Um dos momentos altos da atuação surgiu quando uma lenda decidiu fazer crowdsurf com uma prótese na mão, ilustrando bem o caos controlado e a intensidade da noite. Foi uma atuação poderosa, que deixou claro por que Unfathomable Ruination é uma banda respeitada no circuito extremo internacional.
Beheaded



Beheaded foram uma das bandas mais esperadas da noite e não desiludiram. A receção do público foi excelente desde o primeiro riff, com a sala completamente atenta e uma resposta imediata à brutalidade que vinha do palco.
A performance foi viva e intensa, com força e agressividade em cada ataque sonoro. Os riffs pesados, a secção rítmica esmagadora e os vocais implacáveis mantiveram a pressão constante, sem dar espaço para abrandar.
Toda a banda esteve totalmente entregue em palco, transmitindo urgência e intensidade em cada riff, batida e gutural. Foi uma atuação sólida, que manteve o público completamente envolvido e reforçou o peso de Beheaded no circuito extremo internacional.
Inhuman architects



Inhuman Architects foram a penúltima banda da noite, a substituir a banda Bonecarver. A sala já começava a dispersar, com o público visivelmente cansado após várias horas de concertos intensos em cima de um dia de trabalho. Ainda assim, quem permaneceu no RCA mostrou interesse e respondeu desde os primeiros minutos.
A banda apresentou um set coeso, assente em riffs e ritmos sólidos. A interação constante com o público ajudou a segurar a atenção de quem ainda estava na sala, criando uma ligação direta apesar do desgaste natural da noite.
Mesmo com uma energia geral mais baixa em comparação com o início do festival, a banda entregou um concerto firme e intenso. Uma atuação competente, que cumpriu o seu papel no alinhamento da noite.
Lethargic



Lethargic fecharam a primeira noite do Xapada 2026 com um death/doom intenso e pesado. A banda criou uma atmosfera densa desde os primeiros momentos, com vocais agressivos e intensos, growls longos e uma presença visceral no microfone que capturou a atenção de quem ainda permanecia na sala.
Mesmo com o avançar da noite e a sala já menos cheia, a energia da banda manteve-se firme. O peso dos riffs e o andamento arrastado contribuíram para um ambiente opressivo e envolvente, contrastando com a velocidade e brutalidade das atuações anteriores.
Lethargic entregaram um concerto sólido e consistente, encerrando a noite de forma poderosa. Foi um fecho adequado para a primeira de duas noites intensas, deixando o terreno preparado para o segundo dia de caos sonoro do Xapada Fest 2026.
O primeiro dia foi apenas uma amostra do que estava para vir no segundo dia do festival: mais brutalidade, riffs cortantes, headbanging e mosh pits sem fim.
Quem passou pelo RCA sentiu a energia mas o melhor ainda estava por vir.
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